Por volta das dez da manhã, a mansão permanecia silenciosa, iluminada pela luz suave do dia. No quarto de Olívia, as cortinas filtravam a claridade, deixando apenas alguns feixes atravessarem o ambiente. Ela estava sentada no meio da cama, abraçando os joelhos contra o peito, o rosto escondido entre os braços, os ombros tremendo a cada soluço contido. Chorava em silêncio, como quem tentava desabar sem fazer ruído.
A porta se abriu de repente.
Entrou uma jovem empregada, com os fones de ouvido no volume máximo, cantarolando uma música animada. Carregava toalhas nos braços e foi direto para o banheiro, sem notar a presença de ninguém. Voltou ainda cantarolando e caminhou até a janela para abrir as cortinas, mas ao se virar, seus olhos se cruzaram com os de Olívia.
A empregada congelou.
— Senhora! — exclamou, levando a mão ao coração, assustada. Tirou os fones apressada, o rosto tomado pelo desespero. — Meu Deus, eu não sabia que a senhora estava aqui! Juro que achei que esse era o quarto de hóspedes! — levou a mão à cabeça, rindo nervosa. — Pronto, mal comecei e já vou ser demitida… acordei a patroa no primeiro dia, olha que sorte a minha! — piscou, tentando aliviar a tensão. — A senhora… acordou mesmo, né?
Olívia tentou esboçar um sorriso cansado.
— Fica tranquila, não me acordou. — murmurou. — E aqui é o meu quarto. Você é nova?
A moça ajeitou as toalhas nos braços.
— Sim, comecei hoje. Prazer, senhora, me chamo Ísis.
Olívia respirou fundo.
— Sou Olívia. — respondeu, tentando ser gentil. — E não precisa me chamar de senhora. Ainda não...
Ia dizer algo mais, mas de repente levou a mão à boca e correu para o banheiro. Vomitou no vaso, os soluços ecoando pelo azulejo frio.
Ísis, assustada, largou as toalhas e correu até ela, segurando os cabelos de Olívia com cuidado.
— Calma, calma… respira fundo — disse baixinho, tentando ajudar. Fez uma careta e completou com um sussurro divertido. — Pelo visto, o patrão deu um tiro certeiro, hein? — e riu nervosa, tentando disfarçar o comentário. — Desculpa, desculpa! Eu falo demais… mas olha só, já tá enjoando assim logo cedo?
Quando Olívia terminou, sentou-se no chão, apoiada na parede, as lágrimas misturando-se ao suor frio.
— Eu não aguento mais… — murmurou, chorando.
Isis agachou-se ao lado dela.
— Olha, não fica assim. Vai dar tudo certo. — disse com doçura. — Está com quantos meses?

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