Liam não respondeu de imediato. Apenas ficou ali, observando-a com aquele olhar cortante, o maxilar travado e os dedos entrelaçados como se estivesse controlando a própria raiva.
— Neste exato momento, eu deveria estar assinando um contrato bilionário. Mas suas atitudes irresponsáveis exigiram a minha presença aqui. Você me custou um acordo, Olivia. E confesso que minha paciência está no limite.
Olívia sentou-se, puxando o lençol para cobrir os ombros pois estava só de lingerie.
— Como assim? Não entendi.
— Por que você está sem aliança? — perguntou, a voz firme, quase monótona. — E quem era o homem com quem você estava ontem, na loja?
Olívia o encarou, incrédula, o coração acelerando à medida que entendia o motivo daquela visita inesperada. Um riso curto e nervoso escapou de seus lábios.
— Ah, claro… seus cães de guarda já te passaram tudo, né? — disse, cruzando os braços. — Fico até comovida… porque, além de a vida me presentear com um casamento forçado, ainda ganhei de brinde uma equipe de vigilância particular.
Liam manteve-se imóvel, o rosto impassível.
— Há muito em jogo, Olivia — disse, cada palavra medida. — Tenho uma reputação a zelar. Não vou permitir que tudo o que construí se perca, nem que minha imagem seja manchada por atitudes… inadequadas.
Ela soltou uma risada amarga.
— Inadequadas? Eu estava em uma loja, Liam. Ísis tinha que comprar um vestido. E, sim, encontrei um amigo e conversamos. Qual o problema nisso? Agora até respirar em público precisa de autorização?
— Você está proibida de abraçar homens daquela forma, seja em público ou não. E a aliança… — ele fez uma pausa curta — vai permanecer no seu dedo o tempo todo. Dia e noite. É o símbolo do que sustenta esse teatro, e você não vai tirá-la de novo. Um único deslize, Olivia, e não vai ser apenas a sua imagem que vai desmoronar.
O coração de Olívia deu um salto. Por um instante, a raiva dele pareceu menos sobre aparência e mais sobre sentimento. As palavras de Frederico ecoaram em sua mente
"Ele sabe. Só não admite."
“É notório como você gosta dele.”
Ela quis acreditar que o velho estava certo, que talvez Liam sentisse algo também, mesmo que negasse até pra si.
— Está com ciúmes, é isso? — perguntou, com um sorriso leve, quase esperançoso, como se quisesse acreditar que, por trás daquela frieza, existia algo real.
— Não se iluda, Olívia. — disse, com a voz baixa e fria, sem um traço de emoção. — Isso não tem nada a ver com ciúmes; tem a ver com reputação. A minha. E, por consequência, a sua. Uma aliança ausente, sorrisos abertos e abraços carinhosos em público com um desconhecido… não combinam com o papel que você deve desempenhar.
O coração de Olívia acelerou, mas ela se recusou a demonstrar qualquer impacto.
Levantou-se de uma vez, o lençol escorregando pelo corpo, revelando o quanto as palavras dele haviam a atingido.
Não era apenas raiva, era algo mais profundo. Uma mistura confusa de sentimentos, alguns até desconhecidos.
Cada sílaba dita por Liam parecia arrancar um pedaço da dignidade dela.


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