Olívia o encarou por alguns segundos. Parte dela estava furiosa porque ele havia tomado o celular dela como se tivesse esse direito, como se ela fosse mais uma de suas posses. Mas a outra parte… essa se divertia com a cena. Havia algo quase excitante em ver Liam, o homem que vivia no controle absoluto de tudo e de todos, perder o equilíbrio por causa dela. A postura dele, o olhar endurecido, o ciúme mal disfarçado. Tudo aquilo a provocava mais do que deveria. Pela primeira vez, Olívia percebeu que ela tinha o poder de tirá-lo do eixo. Que podia quebrar aquela muralha de frieza. E, no fundo, estava adorando isso.
Ela cruzou os braços, sustentando o olhar dele com firmeza. A voz saiu calma, mas carregada de veneno.
— Não sou obrigada a responder essa pergunta. — disse, sem desviar os olhos. — Acho que você está confundindo as coisas.
Liam continuou imóvel. O maxilar travado, o olhar gelado, a tensão evidente no modo como os dedos dele se fechavam sobre o celular. Cada palavra que ele soltou veio pesada, baixa, controlada demais.
— Olívia, vou repetir só mais uma vez. — disse, a voz grave soando como um aviso. — O que esse André foi… ou é… na sua vida?
Ela respirou fundo e ergueu o queixo, firme, quase desafiando-o.
— Alguém muito especial. — respondeu, pausadamente, saboreando cada sílaba.
O olhar dele endureceu, mas a respiração denunciava o contrário. Ele estava se esforçando para não explodir. Olívia conseguiu desarmá-lo com uma simples frase e ele odiava isso. O simples fato de saber que o tirara do eixo fez um sorriso quase imperceptível surgir nos lábios dela.
— Ouça bem. — levantou a mão que segurava o celular, apertando-o com força. — Você não vai mais atender nenhuma ligação dele. Entendeu? E nunca mais vai colocar esse biquíni .
Ela desviou o olhar para a mão dele, depois o fitou de novo, um riso curto escapando.
— Não estou entendendo esse teu comportamento, Liam. — disse, sarcástica. — Isso aqui virou uma farsa tóxica? —
Fez uma pausa e inclinou levemente a cabeça. — Não vou parar de falar com ninguém, nem de vestir o que eu quero.
Ele deu um passo à frente, o olhar firme, a voz fria.
— Enquanto existir uma certidão de casamento, você é minha esposa. — rebateu ele, firme. — Eu dito as regras, e você obedece sem questionar.
Ela soltou uma risada curta, incrédula.
— Você não manda em mim, Liam. O tempo da escravidão já acabou há muito tempo.
O ar entre eles pareceu ferver. Liam estreitou os olhos, a respiração pesada. Por dentro, lutava contra o impulso de gritar.
— Olívia… não me faça perder a paciência.
Ela continuou com os braços cruzados, levantando uma sobrancelha em provocação, o desafiando com aquele olhar insolente.
— E se perder? Vai fazer o quê? Vai me bater? Porque eu acho que só está faltando isso pra você fazer.
Ele respondeu sem elevar o tom, mas cada sílaba veio cortante.
— Nunca levantei a mão pra uma mulher, e não vai ser agora que isso vai acontecer. — fez uma pausa breve, o olhar cravado nela. — Mas quando eu quero, eu sei ser pior que o demônio, sem precisar encostar um dedo sequer.
O silêncio que se formou era quase palpável.
O coração dela acelerou, mas Olívia manteve o queixo erguido.
Os dois se estudavam como se o ar entre eles estivesse prestes a incendiar.


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