Olívia empalideceu. Por um instante, achou que não tinha ouvido direito. O estômago revirou, a cabeça girou. Precisou apoiar a mão na lateral da poltrona para não perder o equilíbrio.
— Como é que é? — sussurrou, a voz quase inaudível.
Liam deu um passo em sua direção, mas manteve a expressão neutra, as mãos nos bolsos. Tudo nele exalava controle.
— O filho que você está gerando é meu, Olívia.
As palavras caíram como uma sentença. Ela piscou rápido, o cérebro tentando processar o que ouvira. Uma risada curta escapou, nervosa; ao mesmo tempo, lágrimas escorriam pelo rosto. Ria e chorava num mesmo gesto.
— Espera… — respirou, a voz falhando. — Você está querendo me dizer que o homem daquela noite era você?
— Sim. — confirmou, a voz baixa e controlada. — Se não fosse isso, você não estaria aqui. Agora chega de infantilidades e vamos conversar.
“Conversar” acionou nela uma raiva acumulada por dias. A mão tremeu, o peito arfou. Antes de pensar, atravessou a sala e começou a socá-lo. Liam apenas absorvia o impacto.
— Conversar? — o grito dela ecoou pela suíte. — Você destruiu a minha vida! Eu perdi meu relacionamento por sua causa. Ele era um namorado maravilhoso, ia me pedir em casamento. E você apareceu, me colocando nesse pesadelo!
— Olívia, se acalme. — disse Liam, baixo, tentando conter a situação. — Você está grávida.
— Não me mande acalmar! — ela explodiu, o rosto banhado em lágrimas. — Eu vi o amor da minha vida se casando com minha melhor amiga porque você simplesmente transou comigo sem meu consentimento, e ainda me engravidou! Você arruinou tudo e eu vou te denunciar por isso.
As mãos dela tremiam. Liam deu um passo para trás, inspirou fundo. Quando ela ergueu os braços de novo, ele segurou seus pulsos com firmeza. Por um breve instante, perdeu-se naqueles olhos azuis, marejados de lágrimas, mas recuperou-se rápido, endurecendo de novo o olhar, agora frio e implacável.
— Já terminou? — perguntou, a voz grave sem subir um tom sequer.
Ela tentou puxar os braços, mas ele não soltou de imediato.
— Me solta! — exigiu.
— Você está me acusando de estupro? É isso? Pois fique sabendo que eu nunca iria acabar com minha vida por causa de mulher alguma, muito menos você, Olívia — disse, firme. — Eu posso ter a mulher que eu quiser na minha cama. Eu pago e muito bem, por todas que passam por ela. Achei que você fosse uma acompanhante naquela noite. Sempre tenho uma me esperando quando passo pelos hotéis.
Olívia arregalou os olhos, as lágrimas escorrendo. A voz saiu num fio:
— Você está mentindo…
Liam tirou o celular do bolso com uma mão só, rolou a tela, abriu uma conversa. Mostrou para ela sem cerimônia: logotipo de agência, mensagens, horários, transferências, fotos. Tudo frio e burocrático.
— Está vendo? — disse Liam, a voz baixa e controlada. — Todas as mulheres que contrato são escolhidas a dedo e são muito bem remuneradas. Eu não sou um estuprador. E, para que fique claro, você não corresponde ao meu padrão de interesse. Teria que mudar muito para sequer despertar a minha atenção.
O impacto do insulto acertou Olívia em cheio. Ela respirou fundo, o rosto queimando.
— É mesmo? — a voz dela saiu embargada. — Tenho tanto que “melhorar” que estou carregando um filho seu. — Deu um passo para trás. — Isso porque não chamei sua atenção. E você sabia que eu não era essa mulher da foto. Você está mentindo! Odeio homens como você!
Liam apertou o maxilar, a respiração curta.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato