~CHRISTIAN~
Uma rotina estranha e dolorosa se estabeleceu nos dias que se seguiram ao acidente. Minha vida havia se dividido em três partes muito distintas: as horas na UTI neonatal com Matteo, os breves momentos permitidos na UTI geral com Zoey inconsciente, e o trabalho que eu usava para ocupar a mente nas horas restantes e quando o sono se recusava a vir.
Todos os dias, às seis da manhã, eu chegava ao hospital. Primeiro ia ver Matteo, que estava respondendo bem ao tratamento. Em seis dias, ele já havia ganhado alguns gramas e os médicos estavam otimistas sobre sua evolução. Dra. Santos me permitia ficar com ele por duas horas pela manhã e duas à tarde, tempo que eu aproveitava para conversar com meu filho, ler para ele, e simplesmente observá-lo respirar.
— Sua mãe vai acordar logo — eu dizia todas as manhãs, segurando seu dedinho minúsculo através da abertura da incubadora. — E aí vocês dois vão poder se conhecer direito.
Matteo havia se tornado minha âncora de sanidade. Vê-lo crescer, mesmo que poucos gramas por dia, me dava esperança de que coisas boas ainda podiam acontecer, de que a vida continuava mesmo em meio ao caos.
As visitas à Zoey eram mais limitadas e infinitamente mais difíceis. Apenas quinze minutos de manhã e quinze à tarde, e ela permanecia exatamente igual - conectada a monitores, respirando com a ajuda de aparelhos, completamente inconsciente. Eu segurava sua mão, falava com ela sobre Matteo, sobre como ele estava crescendo, sobre como precisávamos dela de volta.
— Os médicos dizem que pessoas em coma conseguem ouvir — eu murmurava, beijando sua testa. — Então você está sabendo de tudo, não está? Sabe que nosso filho é perfeito, que está lutando como um guerreiro, igual à mãe.
Mas ela nunca respondia, nunca dava sinais de que me ouvia.
Nas horas entre as visitas hospitalares, eu me refugiava no trabalho. A Bellucci precisava de liderança, especialmente após o sucesso da Épure e toda a atenção que o acidente havia gerado. Felizmente, a equipe de RP que Zoey havia montado era excepcional.
Lisa havia assumido temporariamente a coordenação e estava lidando brilhantemente com a imprensa, mantendo o foco nas conquistas da linha orgânica e desviando a atenção do drama pessoal da família. Era exatamente como Zoey teria feito.
— A Revista Wine International quer uma entrevista exclusiva sobre a expansão da Épure para o mercado europeu — Lisa me informou durante uma de nossas reuniões diárias. — E temos três distribuidores querendo fechar contratos ainda esta semana.
— Ótimo trabalho — respondi, tentando me concentrar nos negócios quando minha mente estava constantemente no hospital. — Zoey ficaria orgulhosa do que vocês estão conseguindo.
— Como ela está? — Lisa perguntou gentilmente.
— Estável — era tudo que eu conseguia dizer. Porque "estável" era uma palavra que não dizia nada e dizia tudo ao mesmo tempo.
O trabalho me mantinha ocupado, mas não conseguia afastar completamente as preocupações. Dormia mal, quando dormia. Geralmente ficava acordado até tarde respondendo e-mails, revisando contratos, planejando estratégias futuras - qualquer coisa que mantivesse minha mente longe da imagem de Zoey inconsciente naquela cama de hospital.
Foi através das inevitáveis fofocas que chegaram até mim que soube sobre Elise. Alguns funcionários comentavam discretamente que ela havia acordado no terceiro dia, mas permanecia internada para observação. A notícia me encheu de uma raiva que não sabia que era capaz de sentir.
Não era ela que deveria estar acordando. Era Zoey. Era minha esposa quem deveria estar consciente, conversando, perguntando sobre Matteo, planejando nossa volta para casa. Não a mulher que possivelmente havia causado toda essa tragédia.
— Zoey é parte da família agora — disse ele quando agradeci sua ajuda. — E Matteo é meu neto. Vou fazer o que for necessário.
Era estranho como uma tragédia conseguia unir pessoas que antes mal se falavam.
A equipe médica fazia reuniões diárias sobre o estado de Zoey. Os exames não mostravam piora, mas também não mostravam melhora significativa. "Estável" era a palavra que eu mais ouvia, e começava a odiar o som dela.
— O cérebro tem seu próprio tempo de recuperação — Dr. Portella me explicava pacientemente todas as vezes que eu perguntava sobre prazos. — Não há nada específico que possamos fazer além de aguardar e monitorar.
No sétimo dia, eu estava no escritório tentando me concentrar em um relatório financeiro quando meu celular tocou. Era um número do hospital.
Meu coração disparou imediatamente. Ligações do hospital nunca eram rotina. Sempre significavam mudanças - para melhor ou para pior.
— Christian Bellucci — atendi, minha voz saindo mais tensa do que pretendia.
— Sr. Bellucci? Aqui é do Hospital São Lucas. Precisa vir aqui. É sobre sua esposa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....