Capítulo 171
Os dias seguintes passaram em uma névoa de recuperação lenta mas constante. Cada manhã eu acordava um pouco mais lúcida, um pouco mais forte, um pouco mais ansiosa para conhecer meu filho. Os médicos faziam avaliações diárias, verificando meus reflexos, minha coordenação, minha capacidade de concentração. Eu cooperava com todos os testes, respondia a todas as perguntas, tomava todos os remédios, porque sabia que cada passo me aproximava de Matteo.
No quarto dia após despertar do coma, Dr. Portella finalmente pronunciou as palavras que eu estava desesperada para ouvir:
— Zoey, você está pronta para ser transferida para um quarto comum. E... se você se sentir disposta, pode conhecer seu filho hoje.
Senti meu coração explodir de alegria e ansiedade ao mesmo tempo. Depois de mais de dez dias desde o acidente, finalmente poderia ver meu bebê, tocá-lo, segurar sua mãozinha minúscula.
— Posso ir agora? — perguntei, tentando me sentar na cama mais rapidamente do que deveria.
— Calma — Dr. Portella riu gentilmente. — Primeiro vamos transferi-la, você vai se acomodar no quarto novo, almoçar alguma coisa, e então, se estiver se sentindo bem, faremos uma visita à UTI neonatal.
A transferência para o quarto comum foi em si uma vitória. Sair da UTI significava que meu corpo estava se recuperando, que eu não precisava mais de monitoramento constante. Christian não largou minha mão em nenhum momento, como se tivesse medo de que eu desaparecesse novamente.
— Como você está se sentindo? — perguntou pela décima vez naquela manhã.
— Nervosa — admiti honestamente. — E se ele não gostar de mim? E se eu não souber como segurá-lo? E se...
— Zoey — Christian interrompeu, beijando minha testa. — Você é a mãe dele. Vai ser instintivo.
Tentei almoçar, mas estava ansiosa demais para comer direito. Cada minuto que passava parecia uma hora. Finalmente, por volta das duas da tarde, uma enfermeira apareceu com uma cadeira de rodas.
— Pronta para conhecer seu filho? — perguntou, sorrindo.
As lágrimas começaram a escorrer pelos meus olhos antes mesmo de sairmos do quarto. Christian empurrava a cadeira de rodas pelos corredores do hospital, e eu podia sentir sua própria emoção através do toque de suas mãos nos meus ombros.
A UTI neonatal era um ambiente que misturava alta tecnologia com cuidado humano. O som constante dos monitores, o movimento silencioso das enfermeiras, a luz suave que protegia os olhinhos sensíveis dos bebês prematuros. E no meio de tudo aquilo, em uma incubadora transparente, estava ele.
Meu filho.
Matteo.
— Meu Deus — sussurrei, levando as mãos à boca.
Ele era simultaneamente menor e mais perfeito do que eu havia imaginado. Tão pequeno, mas tão claramente vivo, tão claramente forte. Tinha tubinhos finos conectados ao seu corpinho minúsculo, monitores mostrando seus sinais vitais, mas ali estava ele. Meu bebê. Nosso bebê.
Dra. Santos se aproximou com um sorriso caloroso.
— Zoey, que alegria vê-la aqui. Este é o Matteo. E ele estava esperando pela mamãe.
— Posso... posso tocá-lo? — perguntei, minha voz tremula de emoção.
— Claro. Vamos fazer você se acomodar ao lado da incubadora.
Christian posicionou minha cadeira de rodas de forma que eu ficasse bem próxima à incubadora. Dra. Santos me mostrou como higienizar as mãos corretamente e abriu uma das portinholas laterais.
— Pode colocar a mão através desta abertura — explicou gentilmente. — Ele vai sentir seu toque, seu calor.
Com o coração batendo descompassado, coloquei minha mão cuidadosamente através da abertura. A pele dele era a coisa mais suave que eu já havia tocado. Quente, delicada, real. Toquei delicadamente seu bracinho, e ele se mexeu ligeiramente.
— Oi, meu amor — sussurrei, minha voz quebrada de emoção. — Sou eu, sua mamãe.
Como se reconhecesse minha voz, Matteo abriu os olhinhos. Eram azuis como os de Christian, mas havia algo no olhar que era completamente meu. A forma como me estudou, como se estivesse gravando meu rosto em sua memória diminuta.
— Ele está te reconhecendo — Christian disse, sua própria voz embargada. — Olha como ele está te olhando.
Era verdade. Matteo havia relaxado completamente, seus olhinhos se fechando periodicamente mas sempre voltando para me olhar, como se quisesse ter certeza de que eu ainda estava ali.
— Quando poderei segurá-lo? — perguntei.
— Em algumas semanas, quando ele estiver um pouco maior e mais estável. Mas este contato que vocês estão tendo agora é fundamental para o desenvolvimento dele.
— Matteo — sussurrei, beijando minha própria mão e depois tocando suavemente sua testa através da incubadora. — Mamãe e papai vamos estar aqui todos os dias. Não vamos a lugar nenhum. Você só precisa continuar crescendo, ficando forte, para que logo possamos ir para casa todos juntos.
Quando finalmente chegou a hora de sair, me senti dividida entre a felicidade avassaladora de ter conhecido meu filho e a dor de ter que me separar dele novamente.
— Ele vai ficar bem — Dra. Santos me assegurou. — E amanhã vocês podem voltar.
No caminho de volta para o quarto, não consegui parar de chorar. Mas não eram lágrimas de tristeza. Eram lágrimas de amor puro, de gratidão, de uma completude que nunca havia sentido antes.
— Como foi? — Christian perguntou, secando delicadamente minhas lágrimas.
— Foi... indescritível — respondi, segurando sua mão. — Agora entendo o que significa amor incondicional. Agora entendo por que as mães são capazes de qualquer coisa pelos filhos.
— Ele é nosso milagre — Christian disse, beijando minha mão.
— Nosso pequeno milagre — concordei, tocando minha barriga onde ele havia crescido por sete meses. — E amanhã vamos vê-lo de novo.
— E no dia seguinte. E no outro. Até ele estar grande o suficiente para ir para casa conosco.
Naquela noite, pela primeira vez desde o acidente, dormi profundamente. Sonhei com Matteo crescendo, sonhei com ele dando os primeiros passos, falando as primeiras palavras, sonhei com nossa família finalmente completa e unida em casa.
Meu filho estava vivo, estava lutando, estava crescendo. E eu estava ali para acompanhar cada segundo dessa jornada. Éramos uma família agora, de verdade, para sempre.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....
Compromisso nenhum com os leitores, verdadeiro desrespeito....
Como quer que indique e compartilha algo com esse total desrespeito…faz nós leitores gastar dinheiro e no fim não faz atualizações, e quando fizer vai soltar 2 capítulos…...
Até agora nada , será que vai ser mais um dia sem capítulos novos? As histórias são boas , mais falta soltar mais capítulos por dia . Falta de planejamento e falta de respeito pelos leitores que pagam pra ler as histórias , se não fosse pago ótimo mais como é pago , isso não é nada legal ....
Pelo q parece só vai ser liberado mais capítulos se for compartilhado, acima está descrito. Quanto mais compartilhamentos e leituras mais rápido será liberado mais capítulos. Desrespeito com quem todos os dias espera por um novo capítulo e como disse uma leitora q entrou 20 vezes. Ou seja estamos todos os dias fazendo a leitura e ansiosas p os próximos e isso não conta?...
Cadê os novos capítulos. A autora esqueceu de postar?...