Eu já estava começando a me sentir mais relaxada, embalada pela voz tranquilizadora de Nathaniel e pela forma como nossa conversa estava fluindo naturalmente, quando o avião deu um solavanco ainda mais violento que todos os anteriores. Dessa vez eu podia jurar que havíamos despencado vários metros no ar, e toda aquela falsa sensação de segurança que eu havia acabado de conquistar desapareceu instantaneamente.
— Eu não quero morrer! — Disse, me pegando agarrada de vez no braço de Nathaniel. Não pude deixar de reparar que eu não estava errada sobre os músculos.
— Você não vai morrer — ele respondeu com convicção.
— Como você pode saber? — Choraminguei.
— Eu tenho uma reunião de trabalho importantíssima na semana que vem, então eu não pretendo morrer nesse avião. Por consequência você não pode morrer também. E... meu ponto mais importante, você viu aquela moça ali... — ele aponta com a cabeça para um casal na nossa diagonal. — Quando embarcamos ela estava contando ao marido que está grávida de gêmeos. Eles também não podem morrer.
— Ótimo saber que você tem influência direta na decisão sobre a sua morte, a minha e a de um casal de desconhecidos — Inspira, expira. Sem pânico. Soltei o braço de Nathaniel e voltei a me ajeitar em minha poltrona. Talvez a conversa estivesse mesmo servindo como distração. — No que você trabalha? Além de ser assistente de Deus?
Ele riu e me analisou um pouco antes de responder.
— Nada sobre o que você gostaria de ouvir.
Provavelmente algo chato. Só uma pessoa com um trabalho bem chato passaria onze horas usando terno dentro de um avião. Pelo menos ele morreria bonito. Eu morreria usando pantufas confortáveis e com o cabelo meio bagunçado da viagem.
— Você tem filhos? — Pergunto.
— O quê? — Parece surpreso com a pergunta aleatória. — Não, não tenho filhos.
— Eu quero ter filhos. Nunca pensei muito nisso até minha irmã ter meu sobrinho. Matteo. Ele é... perfeito. E agora eu vou morrer sem nunca saber como é ter um bebê me chamando de mamãe.
— Quantos?
— O quê?
— Filhos. Quantos você quer?
— Não sei, talvez dois? Três? — dou de ombros. Nunca tinha pensado no número exato. — Sempre imaginei que seria algo natural.
— Você ainda vai ter seus filhos.
— Não, não vou. Eu também nunca vou saber como é ser bem-sucedida na minha carreira. Você sabia que sempre trabalhei em coisas que odiava? Fui vendedora em loja de roupas, atendente de telemarketing, até garçonete em restaurante chique. Nunca fazendo o que realmente queria, sempre esperando a oportunidade certa. E quando finalmente consegui essa chance de vir para Londres, de trabalhar em uma empresa importante de verdade, de mostrar do que sou capaz...
— Sexo bom! Alguém que me pegue pelos cabelos e... — ele me interrompeu.
— Bom, se esse é um dos seus últimos desejos... — ele jogou as mãos para cima, como se indicando que não havia jeito. — Acho que posso te ajudar a realizar.
— Como? — Arregalei os olhos.
— Eu sei que o banheiro de um avião não é nenhum hotel de luxo em Londres, mas pelo menos estamos na classe executiva.
Dizendo isso, ele desafivelou o cinto e se levantou. Demorei alguns segundos para me dar conta de que ele realmente estava indo em direção ao banheiro da aeronave. Não era possível! Ele estava falando sério? Estava me testando?
Meus olhos recaíram sobre o casal com a moça grávida novamente. Eles eram tão elegantes! A forma como ele segurava a mão dela e sussurrava em seu ouvido, provavelmente palavras tranquilizadoras, era romântica demais. Talvez eu só precisasse daquilo. Não de uma transa rápida em um banheiro apertado. Aquela moça... definitivamente ela não parecia do tipo que transava em banheiro de avião.
Mas... bom... eu não era como ela.
Também soltei o cinto e me levantei, ainda um pouco desequilibrada pelo balançar do avião. Que se dane! Se eu ia morrer, que morresse fazendo algo memorável com um cara gostos. Ainda que fosse em uma lata de sardinha voadora.
Pelo menos seria uma história interessante para contar no céu. Ou no inferno.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....