Acontece que eu não morri.
— Olá? Tem alguém aí? — Ouvimos a voz que deveria pertencer a uma comissária de bordo do outro lado da porta.
— Ah, merda! — Deixei escapar, no que Nathaniel rapidamente colocou a mão sobre meus lábios antes de começar a rir.
— Por favor, voltem aos seus lugares e apertem os cintos. Estamos nos preparando para o pouso — ela soou ligeiramente impaciente.
— Desculpe, senhorita. Já estamos saindo — respondeu, terminando de fechar suas roupas.
— Estamos? — Me esganicei. Ele não podia ao menos fingir?
— Acha que tem mesmo a possibilidade de um de nós sair e ela não reparar no outro? — Ele não parecia preocupado. — Relaxa.
— Relaxa? Relaxa? Eles podem me deportar, ou... ou...
— Ainda é uma preocupação bem menor para quem estava achando que ia morrer, não é mesmo? — Ele brincou. — Não vai acontecer nada. Céus, Anne, você é sempre tão dramática assim?
Acontece que eu era. Não dramática, mas prática. Eu deveria ter pousado em Heathrow cerca de uma hora atrás, haveria um motorista da Bellucci esperando por mim que me levaria até um hotel no qual eu ficaria até segunda-feira, antes da reunião no escritório londrino. Agora, eu estava indo para um lugar completamente aleatório, não fazia ideia de como chegaria em Londres. Aliás, nesse momento, eu nem fazia ideia se conseguiria desembarcar desse avião uma vez que tinha sido pega no flagra transando no banheiro.
Se essa história chegasse aos ouvidos da minha família... Zoey com certeza gargalharia da mesma forma que eu fiz quando ela me disse que havia confundido um bilionário com um gigolô. Mas Christian? Christian me daria uma segunda oportunidade depois de saber que me comportei como uma adolescente tarada no meu primeiro voo para representar a empresa?
Meu Deus, onde eu estava com a cabeça quando isso me pareceu uma boa ideia?
— Acho que são pontos extremamente justificáveis para se ficar preocupada, não acha? Morte e deportação.
— O que eu acho é que você precisa transar mais — ele esticou o braço para a frente, me prendendo entre ele e a porta. Não que tivesse muito espaço ali, mas ele limitou ainda mais. Observei enquanto tirava um cartão de visitas do bolso de seu blazer e colocava no bolso da minha blusa. — Posso te ajudar com isso... — deu uma piscadinha. — Me liga.
Ele apenas deslizou o braço para baixo, até a tranca, e destravou a porta. Perdendo meu apoio, cambaleei para trás e acabei indo parar nos braços da comissária de bordo.
— Mas o quê...? — Ela parecia prestes a dar uma bronca, mas a expressão em seu rosto se atenuou quando pareceu reconhecer Nathaniel. — Oh, Sr. Carter. Er... — Suas bochechas coraram. — Se puderem, por favor, retornar aos seus lugares.
Então, pronto. Ele tinha certeza de que nada nos aconteceria porque era um cliente frequente da companhia aérea. Um cliente frequente e ainda da classe executiva. Certeza de que não era a primeira vez que ele era pego no banheiro com alguém. Eu devia suspeitar... Ninguém anda com camisinha no bolso sem um motivo.
— O que eu fiz? — A pergunta deixa meus lábios em um murmúrio, enquanto meu rosto se contorce em uma careta.
— Claro, querida... — Nathaniel está respondendo à comissária. — Pode nos trazer dois copos de whisky? A Anne aqui ficou bem nervosa com toda essa turbulência.
— Eu não estou nervosa! — Grito, ainda que não tivesse intenção. — E não bebo whisky.
— Cala a boca! — Minha voz se elevou alguns tons. Olhei em volta para ver se algum curioso prestava atenção na nossa conversa. Duas garotas murmuravam e olhavam para nós, mas não pareciam perto o suficiente para estar ouvindo. — Eu achei que ia morrer. Agora que sei que não vou, não vou entrar em um carro com um estranho.
— Mesmo? — Nathaniel deu um passo em minha direção, fechando a distância entre nós. — O que você acha que eu poderia fazer com você, Anne Aguilar? Ou melhor... — Ele colocou uma mecha do meu cabelo para trás da minha orelha e aproveitou para deslizar o dedo pelo meu rosto, acariciando. — O que você gostaria que eu fizesse com você? Porque se eu já te deixei com as pernas bambas naquele banheiro, imagina o que eu não faria com tempo e um quarto de hotel.
Dou um passo para trás, voltando a colocar espaço entre nós.
— Não vai rolar.
Ele dá de ombros.
— O azar é todo seu.
— Você é muito convencido!
— Você sabe que eu me garanto — sorri. — Bom, já que você não vai aceitar a carona... a gente se vê por aí, Anne Aguilar.
— Não se vê não! — Respondi para as costas dele, que já ia se afastando em direção à saída.
Eu apenas esperava que Londres fosse grande o suficiente para que eu nunca mais precisasse ver Nathaniel Carter na minha vida!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....