Meus pés me levaram instintivamente para longe do terraço, longe dos olhares constrangidos e do silêncio mortal que havia se seguido ao comentário venenoso de Alessandra. Encontrei uma escada lateral nos fundos da mansão que levava ao jardim, um cantinho discreto longe do barulho e das pessoas. Me sentei no degrau de mármore frio, sentindo como a pedra gelada contrastava com o calor da humilhação que ainda queimava meu rosto.
As lágrimas ameaçaram vir, mas as segurei com força. Não ia dar a Alessandra Respirei fundo, tentando controlar os tremores nas mãos e o aperto no peito que vinha com a mistura de vergonha e raiva.
— Anne!
A voz familiar de Zoey ecoou, carregando preocupação e determinação. Ouvi seus saltos clicando no piso de mármore enquanto ela me procurava.
— Anne, onde você está?
— Aqui — respondi, minha voz saindo mais fraca que pretendia.
Poucos segundos depois, ela apareceu na minha frente, o vestido esvoaçando enquanto caminhava na minha direção com cuidado. Havia algo na expressão dela que me disse que ela não estava apenas preocupada - estava brava também.
— Aqui você está — disse suavemente, juntando o vestido para se sentar ao meu lado na escada fria.
Ficamos alguns minutos em silêncio absoluto, apenas ouvindo o barulho distante da festa que continuava acontecendo sem nós. Zoey não pressionou, não fez perguntas imediatas, apenas ficou ali comigo. Era exatamente o tipo de presença silenciosa e solidária de que eu precisava. Senti meu corpo relaxar ligeiramente ao lado da minha irmã.
— Aquela mulher é uma cobra — Zoey disse finalmente, sua voz baixa mas carregada de indignação. — O que ela fez ali foi cruel e calculado.
— Foi mesmo — concordei, brincando com a barra do vestido. — E o pior é que ela não mentiu.
— Anne — Zoey disse, sua voz assumindo um tom mais sério —, eu sei sobre você e Nate. Sei do avião. Sei que ele é seu chefe, sei que a situação é complicada. Mas o que eu não sabia... é que você estava tão envolvida assim.
Suspirei profundamente, sentindo como se um peso tivesse saído dos meus ombros. Não havia mais sentido em negar ou fingir que não entendia do que ela estava falando. Zoey sempre foi perspicaz, e claramente havia conectado todos os pontos.
— Nem eu tenho certeza absoluta do que sinto — admiti, finalmente olhando para ela. — Não sei se é paixão, se é pura química, se é só teimosia da minha parte. Mas não posso negar que algo existe ali, sabe?
— É óbvio que existe — Zoey disse gentilmente, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. — Qualquer pessoa com olhos pode ver a tensão entre vocês dois.
— Eu tento seguir em frente, Zoey — continuei, sentindo toda a frustração dos últimos meses finalmente saindo. — Saio com outros homens, tento focar completamente no trabalho, tento fingir que não importa quando ele traz café brasileiro ou quando nossos olhos se cruzam nos corredores. Mas parece que nada funciona. É como se ele tivesse criado raízes na minha mente.
Fiz uma pausa, passando as mãos pelo rosto.
— E agora, depois do que Alessandra disse, provavelmente todo mundo vai comentar sobre isso como se fosse fofoca de revista. Vai ser o assunto das próximas semanas no escritório. Queria dizer que não me incomoda, mas me incomoda.
Zoey segurou minha mão, apertando com solidariedade.
— É porque você ainda está completamente presa nisso com o Nate — disse com a honestidade brutal que só irmãs mais velhas conseguem ter. — Está tentando fingir que não importa, que consegue ser apenas profissional e amigável, mas importa. Importa muito.
Suspirei e mordi o lábio inferior, sabendo que ela estava certa.
— Talvez você esteja certa... ou talvez eu só esteja desesperada tentando encontrar uma saída para não enlouquecer de vez.
— O que você quer dizer com isso? — Zoey perguntou, franzindo a testa. — Você está falando do Henri? Como distração?
Balancei a cabeça vigorosamente.
— Não... Não é o Henri. É alguém que conheci pelo aplicativo de relacionamentos.
Imediatamente, vi a expressão de Zoey mudar completamente. Seus olhos se estreitaram e ela assumiu aquele tom protetor de irmã mais velha que eu conhecia bem demais - o mesmo tom que ela usava quando éramos crianças e eu estava prestes a fazer alguma besteira.
Zoey colocou a mão no meu ombro, me forçando a olhar para ela.
— Anne, escuta o que vou te dizer — disse, sua voz assumindo aquele tom de sabedoria de irmã mais velha. — Você precisa seguir seu coração, mesmo que seja confuso, mesmo que seja complicado, mesmo que não faça sentido para mais ninguém. Mas o que você absolutamente não pode fazer é deixar que a Alessandra vença te derrubando assim.
— Como assim?
— Ela quer exatamente isso — disse Zoey com convicção. — Quer ver você fugir, se esconder, se sentir envergonhada e diminuída. Quer que você se encolha e desapareça da vida do Nate, deixando o caminho livre para ela. Não dá esse gosto para ela, Anne. Você não fez nada de errado.
Processei as palavras da minha irmã lentamente. Ela estava completamente certa. Alessandra havia feito aquele comentário de forma calculada, sabendo exatamente o efeito devastador que causaria. E eu havia reagido exatamente como ela esperava - fugindo, me escondendo, me sentindo envergonhada.
— Você tem razão — disse, sentindo uma centelha de determinação crescer no meu peito. — Não vou dar a ela a satisfação.
Zoey estendeu a mão e me ajudou a levantar da escada fria.
— Isso aí — disse com um sorriso orgulhoso. — Você é uma Aguilar. A gente não foge de briga. Por mais que muitas vezes seja a confusão que parece perseguir a gente... — ela riu.
Respirei fundo, ajeitei o vestido cuidadosamente e passei as mãos pelo cabelo para garantir que estava tudo no lugar. Senti minha postura se endireitar, meu queixo se erguer ligeiramente.
— Vamos lá — disse, com mais determinação na voz do que realmente sentia por dentro.
— Vamos — Zoey concordou, entrelaçando seu braço no meu de forma solidária.
Caminhamos lado a lado de volta para o salão, nossos saltos ecoando em sincronia no corredor de mármore. Eu ainda não sabia exatamente como lidaria com Nate, ou com Alessandra, ou com Henri, ou com qualquer uma das complicações emocionais que essa noite havia trazido à tona.
Mas uma coisa eu sabia com absoluta certeza: não iria me esconder mais. Pelo menos não esta noite.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Hoje 04/04, até agora não foram desbloqueados os restantes dos capítulos. Último capitulo liberado 729.... Sem nenhuma explicação. Falta de respeito com os leitores... affff...
Estou achando a história da Anne muito chata. Até agora só enrolação. Aff......
Amei esse livro!! que venham os proximos, com certeza lerei......
O último capítulo desbloqueado foi o 729...isso a quase 15 dias... Qdo a autora irá desbloquear o restante dos capítulos?...
Amei todo o livro Mas infelizmente ficou sem alguns capítulos E agora não liberam o final Muito triste 😞...
Quando vai liberar os extras?...
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...