A paisagem pela janela do carro mudava gradualmente, saindo do cinza urbano de Londres para tons mais verdes e suaves do interior inglês. Havia algo hipnotizante no movimento das colinas onduladas que passavam, salpicadas de casas de pedra e campos que se estendiam até onde a vista alcançava.
— Para onde estamos indo mesmo? — perguntei pela terceira vez, me virando para encarar Nate, que dirigia com uma tranquilidade que contrastava com minha curiosidade crescente.
— Disse que ia ser surpresa — ele respondeu, lançando-me um olhar divertido antes de voltar a atenção para a estrada. — Confie em mim.
— Famosas últimas palavras — brinquei, mas me recostei no banco, decidindo aproveitar o mistério.
Havia algo diferente em Nate hoje. Desde que me buscou em casa pela manhã, ele parecia mais relaxado, menos tenso que nos últimos dias. Como se tivesse deixado o peso do escritório e de todas suas complicações para trás, pelo menos temporariamente.
Chegamos a uma cidadezinha que parecia saída de um cartão postal — ruas de paralelepípedo, casas com jardins floridos, uma igreja pequena com sino antigo no centro da praça. Era o tipo de lugar que fazia você automaticamente diminuir o ritmo, respirar mais devagar.
— Aqui — Nate disse, estacionando em frente a um pub tradicional com fachada de madeira escura e janelas com vidros pequenos. — Você vai gostar.
Foi quando saímos do carro que notei algo estranho. Nate estava usando um boné puxado para baixo, óculos escuros, e havia fechado o casaco até o pescoço. Parecia mais um espião tentando passar despercebido do que alguém saindo para um almoço casual.
Encarei-o com diversão crescente.
— Você tem certeza de que não é um astro da música fugindo de fãs enlouquecidas?
Ele riu, mas havia algo de genuíno por trás da brincadeira.
— Prefiro evitar os curiosos — explicou, me guiando em direção à entrada do pub. — Você ainda está sob supervisão na empresa. Não quero dar munição para ninguém. E... bem, você sabe que não seria minha primeira vez indo parar em perfis de fofoca.
— Espera! — exclamei, parando na porta. — Era você naquele show do Coldplay com a amante? — Brinquei.
Nate fez uma expressão de horror genuíno, e brincou de volta:
— Coldplay? — repetiu, indignado. — Se eu fosse escolher algo para me tornar um babaca na frente do mundo inteiro, pelo menos escolheria algo mais clássico.
Rimos juntos, mas pude ver que, por trás da brincadeira, havia uma realidade que ele levava a sério. O passado dele com supermodelos e influenciadoras não era algo que sumisse da noite para o dia. Tabloides tinham memória longa, e perfis de fofoca estavam sempre à procura da próxima história.
O interior do pub era ainda mais acolhedor que a fachada prometia. Mesas de madeira escura, lareiras acesas apesar da estação, o cheiro reconfortante de comida caseira. Escolhemos uma mesa no canto, longe das janelas, onde podíamos conversar sem sermos incomodados.
— É estranho — comentei, observando ao redor enquanto esperávamos os pratos chegarem. — Parece que voltamos a ser apenas duas pessoas se conhecendo. Sem toda a complicação corporativa, sem olhares, sem sussurros.
— Era exatamente isso que eu queria — Nate admitiu, removendo finalmente os óculos escuros. — Um dia fora do tempo.
O almoço foi delicioso — peixe grelhado com batatas, simples mas perfeitamente preparado. Conversamos sobre coisas triviais: livros que havíamos lido recentemente, lugares que queríamos visitar, memórias da infância. Era reconfortante descobrir essas camadas mais leves dele, longe da intensidade que sempre cercava nossa relação no escritório.
Mas conforme a tarde avançava, uma preocupação começou a me incomodar.
— Às vezes sinto culpa — admiti, brincando com o guardanapo. — Por não contar para Bianca. Ela é minha melhor amiga aqui, e estou escondendo algo tão importante.
— Mas...? — Nate perguntou, percebendo que havia mais.
— Mas ao mesmo tempo, tenho medo de como isso pode afetar meu trabalho. As pessoas já sussurram. Se souberem que realmente tem algo entre nós... Não que eu ache que Bianca iria contar, mas talvez pudessem nos ouvir se ela não tivesse cuidado, ou coisa assim...
— Enquanto ainda houver qualquer sombra sobre você — Nate disse, estendendo a mão sobre a mesa para tocar a minha —, prefiro que nosso relacionamento seja só nosso. Até que você se sinta livre. Mas não acho que seria um problema você contar para a Bianca ou Zoey. Quanto ao resto do escritório... eles nem importam...
A sinceridade em sua voz me tocou, mas também despertou uma insegurança.
— Você está mesmo disposto a esperar esse tempo todo? Não sabemos quanto pode durar.
— Definitivamente lisonjeada — ele disse, roubando uma garfada da minha torta.
O caminho de volta a Londres foi mais silencioso, mas não desconfortável. Havia algo contemplativo no ar, como se ambos estivéssemos processando o dia que havíamos compartilhado. Observei o perfil dele enquanto dirigia, a forma concentrada como seus dedos seguravam o volante, e senti uma pontada de medo de que tudo aquilo acabasse quando voltássemos à rotina.
— Está pensando no quê? — ele perguntou, percebendo meu olhar.
— Em como foi bom hoje — respondi honestamente. — E em como tenho medo de que termine quando voltarmos para a vida real.
Nate estendeu a mão livre, entrelaçando nossos dedos sobre o descanso de braço entre os bancos.
— Não vai terminar — disse com uma certeza que me tranquilizou.
Quando chegamos ao meu prédio, ele desligou o motor mas não fez menção de sair do carro. A despedida pairava no ar entre nós, não dita mas inevitável.
— Obrigada por hoje — disse, me virando para encará-lo. — Foi perfeito.
Ele se inclinou e me beijou suavemente, um beijo que tinha gosto de despedida e promessa ao mesmo tempo. Quando nos separamos, segurei seu braço antes que ele pudesse se afastar.
— Sobe comigo? — perguntei, sem conseguir esconder a vulnerabilidade na voz.
— Tem certeza? — ele perguntou, estudando meu rosto.
— Só quero prolongar o dia um pouco mais.
Nate sorriu, desligou completamente o carro e saiu para abrir minha porta, como havia feito durante todo o dia. Enquanto subíamos pelo elevador, de mãos dadas e em silêncio, soube que aquele dia havia mudado algo fundamental entre nós. Não éramos mais apenas dois colegas tentando navegar uma atração complicada. Éramos duas pessoas construindo algo real, algo que valia a pena proteger e nutrir, mesmo que em segredo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Hoje 04/04, até agora não foram desbloqueados os restantes dos capítulos. Último capitulo liberado 729.... Sem nenhuma explicação. Falta de respeito com os leitores... affff...
Estou achando a história da Anne muito chata. Até agora só enrolação. Aff......
Amei esse livro!! que venham os proximos, com certeza lerei......
O último capítulo desbloqueado foi o 729...isso a quase 15 dias... Qdo a autora irá desbloquear o restante dos capítulos?...
Amei todo o livro Mas infelizmente ficou sem alguns capítulos E agora não liberam o final Muito triste 😞...
Quando vai liberar os extras?...
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...