~ MAITÊ ~
A luz branca do hospital me fazia piscar constantemente, tentando ajustar minha visão ao ambiente esterilizado e frio. Estava deitada em uma cama, envolta em lençóis ásperos que cheiravam a desinfetante, ainda sentindo os efeitos dos sedativos que haviam me dado na clínica. Minha mente estava nebulosa, mas pelo menos o pânico cego que havia sentido quando acordei sangrando havia diminuído.
Uma médica entrou no quarto com uma expressão profissional, mas gentil. Ela carregava uma prancheta e se aproximou da minha maca com passos medidos.
— Como está se sentindo? — perguntou, consultando seus papéis antes de me olhar diretamente.
— Confusa — respondi honestamente, minha voz ainda rouca de tanto gritar. — O bebê... está tudo bem?
Ela sorriu de forma tranquilizadora.
— Está tudo bem, sim. O sangramento que você experimentou não é incomum no primeiro trimestre da gravidez. Fizemos todos os exames necessários e o feto está se desenvolvendo normalmente. Os batimentos cardíacos estão fortes e regulares.
Senti um alívio tão intenso que lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. Havia passado horas achando que tinha perdido meu bebê, que toda a medicação forçada na clínica havia causado algum dano irreversível.
— No entanto — a médica continuou, fazendo algumas anotações na prancheta — você precisa evitar situações de estresse extremo. Seu corpo está reagindo de forma intensa à tensão emocional, e isso pode causar mais episódios de sangramento.
Deixei escapar uma risada amarga.
— Avisa isso para os médicos da clínica — murmurei, sem conseguir conter o sarcasmo na minha voz.
A médica piscou, confusa, e fez uma anotação rápida em seus papéis. Provavelmente estava registrando que eu tinha "tendências paranoicas" ou algo do tipo, baseado na documentação que haviam trazido da clínica.
— Vou prescrever uma medicação para ajudá-la a relaxar — ela disse, voltando ao tom profissional. — Algo suave que seja seguro durante a gravidez. Você passará a noite aqui para observação, e terá alta amanhã depois de uma nova avaliação.
— Posso receber visitas? — perguntei, tentando manter a voz neutra, embora meu coração estivesse acelerado com a possibilidade.
— Por enquanto, não. Queremos mantê-la em repouso completo até que tenhamos certeza de que não haverá mais episódios de sangramento.
Senti um alívio imenso com essa resposta. Significava que Dominic e Viviane não poderiam vir me pressionar, manipular ou forçar procedimentos médicos desnecessários. Pelo menos por uma noite, estaria segura de suas interferências.
A enfermeira chegou pouco depois com a medicação. Era um comprimido pequeno e branco, que ela me entregou junto com um copo de água. Desta vez, não tentei fingir que estava tomando ou esconder debaixo da língua. Se era realmente seguro para a gravidez e me ajudaria a relaxar, eu precisava disso desesperadamente.
O efeito foi quase imediato. Senti meus músculos começarem a relaxar, a tensão constante que carregava nos ombros e no pescoço finalmente diminuindo. Minha mente, que havia estado em estado de alerta constante durante dias, finalmente começou a se acalmar, o sono me dominando lentamente.
Quando acordei, algo estava errado. Eu estava me movendo, mas não por vontade própria. Tentei focar minha visão, piscar para clarear a neblina mental, mas estava tão dopada que mal conseguia processar o que estava acontecendo. Meus movimentos estavam lentos e descoordenados, como se meu corpo não me pertencesse.
Hélices. Era o som de hélices girando.
Uma voz masculina falou perto de mim, autoritária mas respeitosa.
— Obrigado. Eu cuido disso agora.
Então braços fortes me pegaram no colo, tirando-me da cadeira de rodas com uma gentileza que contrastava com a força evidente. Tentei focar no rosto da pessoa que me carregava, mas minha visão estava embaçada demais. Podia apenas perceber uma silhueta masculina, alguém alto e forte.
Percebi que estava sendo carregada em direção ao barulho das hélices. Um helicóptero. Havia um helicóptero no telhado do hospital, e estava sendo levada até ele. Tentei relutar, murmurar protestos, dizer que não queria ir, mas minha voz não saía.
— Não... — consegui sussurrar fracamente, tentando se debater nos braços que me carregavam.
Mas fui colocada cuidadosamente no banco do helicóptero, sentindo o couro macio contra minhas costas. Mãos gentis passaram o cinto de segurança por mim, ajustando-o com cuidado para não apertar minha barriga.
Uma voz familiar, carregada de alívio e determinação, falou perto do meu ouvido:
— Tá tudo bem. Vai ficar tudo bem agora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...