~ MAITÊ ~
Chegamos de volta ao apartamento de Marco em São Paulo no final da tarde, o sol já começando a se pôr e tingindo o céu de tons alaranjados através das janelas amplas. Marco fechou a porta atrás de nós e se virou para mim, sua expressão carregada de preocupação genuína.
— Como você está se sentindo?
A pergunta era simples, mas carregar um peso imenso. Como eu estava me sentindo depois de enterrar meu pai? Depois de ver Dominic interpretando o papel de genro perfeito? Depois do aviso crítico de minha mãe?
— Ainda muito abalada emocionalmente — admiti, sentindo o cansaço de todo o dia pesando sobre meus ombros. — Mas só quero pensar na nossa filha agora. Não posso me estressar mais.
A lembrança da advertência da enfermeira sobre o deslocamento de placenta agravado estava constantemente presente em minha mente. Cada momento de tensão, cada pico de ansiedade, representava um risco potencial para o bebê. Para nossa filha.
Marco concordou com a cabeça e se aproximou, beijando levemente meu ombro num gesto de carinho tão natural que me fez perceber o quanto havia me acostumado com sua presença reconfortante.
— Pode contar comigo no que precisar — disse, sua voz baixa e sincera.
Fechei os olhos por um momento, absorvendo o calor de sua proximidade antes de responder.
— No momento só preciso de um banho bem quente e uma comida de conforto.
Senti Marco sorrir contra meu ombro antes de se afastar.
— Pode aproveitar quanto tempo quiser na banheira — disse. — Eu cuido da parte de pedir alguma coisa gostosa para a gente jantar.
Subi para o banheiro, agradecida pela promessa de alguns momentos de paz. Enchi a banheira com água quente, adicionei alguns sais de banho que havia encontrado no armário, e me deixei afundar na água morna com um suspiro de alívio.
Tentei relaxar, focar apenas nas sensações físicas - a água envolvendo meu corpo, o vapor subindo em pequenas nuvens, o cheiro suave dos sais aromáticos. Mas minha mente não parava de pensar, girando obsessivamente em torno dos eventos do dia.
Por que Dominic não havia falado comigo? Estava ali, a poucos metros de distância, com todas as oportunidades do mundo para se aproximar durante o enterro. Por que não tentou nada? Nenhuma ameaça, nenhuma aproximação intimidadora, nenhuma tentativa de me forçar a voltar?
Será que para ele manter o disfarce de noivo abandonado e perfeito era mais importante do que me intimidar diretamente? Era uma jogada inteligente, reconheci relutantemente. Ao se manter na posição de vítima aos olhos de todos, ele ganhava simpatia e suporte enquanto me pintava como a vilã da história.
— Uma tentativa de assassinato já é intimidador o suficiente, Maitê — murmurei baixinho para mim mesma, a voz ecoando levemente nas paredes de azulejo do banheiro. — Ele não precisa de mais.
Meus dedos congelaram sobre o envelope, incapazes de completar o movimento simples de rasgar e abrir. Era como se meu corpo se recusasse a obedecer aos comandos de minha mente, protegendo-me de algo que eu ainda não estava preparada para enfrentar.
Não conseguia fazer aquilo sozinha.
A percepção me atingiu com clareza súbita. Precisava de Marco. Precisava de sua presença sólida ao meu lado, de sua mão segurando a minha, de sua força me dando coragem para enfrentar o que quer que meu pai tivesse deixado escrito naquele papel.
Desci até a cozinha, ainda segurando o envelope com cuidado, como se fosse algo frágil que pudesse quebrar com o manuseio errado. Encontrei Marco organizando o jantar, pratos dispostos sobre a bancada enquanto ele transferia comida de embalagens de entrega para travessas adequadas.
Provavelmente ele percebeu meu estado abalado imediatamente porque parou o que estava fazendo e se virou para mim, sua expressão mudando instantaneamente de relaxada para preocupada.
— O que aconteceu?
Olhei para o envelope em minhas mãos, depois para Marco, depois novamente para o envelope. Respirei fundo antes de responder, minha voz saindo mais frágil do que gostaria.
— Meu pai me deixou um recado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...