~ MARCO ~
Estava organizando a comida na bancada da cozinha quando ouvi os passos de Maitê descendo a escada. Virei-me para cumprimentá-la, mas as palavras morreram em minha garganta quando a vi.
Ela estava branca como papel. Completamente pálida, com uma expressão que misturava choque e medo de uma forma que me fez abandonar imediatamente o que estava fazendo.
— O que aconteceu?
Ela olhou para mim, depois para o envelope que segurava nas mãos com tanto cuidado que parecia temer que pudesse explodir a qualquer momento.
— Meu pai me deixou um recado.
Fez uma pausa, engolindo em seco antes de continuar, sua voz saindo mais frágil.
— Não consigo abrir. Não consigo ler.
Franzi a testa, tentando entender o que a estava travando. Era apenas um envelope, uma carta.
— Por quê?
Maitê olhou para o envelope novamente, como se ele contivesse algo perigoso.
— E se for algo ruim? — perguntou, sua voz quebrando ligeiramente. — E se a última coisa dele for algo ruim? Ainda pode me desencadear uma crise de ansiedade que não vai fazer bem para o bebê.
A preocupação dela fazia sentido. Depois de tudo que havia passado nas últimas horas, mais um gatilho emocional poderia realmente ser perigoso. O aviso da médica sobre o deslocamento de placenta ainda ecoava em minha mente.
Pensei por um momento antes de responder, pesando cuidadosamente minhas palavras.
— Você quer rasgar então?
Vi o pânico imediato em seus olhos conforme ela balançava a cabeça negativamente.
— Também não quero fazer isso — disse rapidamente. — São as últimas palavras do meu pai para mim.
Era um dilema impossível. Não conseguia abrir por medo do que pudesse conter, mas também não conseguia destruir porque representava a última conexão com seu pai. Estava presa entre duas escolhas igualmente dolorosas.
— Você pode guardar — sugeri gentilmente. — Manter isso em segurança para o momento em que você consiga lidar com isso. Não importa o tempo que levar. Pode ser daqui a uma semana, um mês, um ano. Quando você estiver pronta.
Maitê concordou lentamente com a cabeça, parecendo absorver a ideia. Era uma solução que não a forçava a fazer uma escolha impossível no momento, mas que também não fechava portas permanentemente.
Ela ficou ali parada por alguns segundos, olhando para o envelope, antes de claramente tentar mudar de assunto.
— O que tem para jantar?
Reconheci a tática de desvio, mas decidi seguir sua liderança. Se ela precisava de normalidade agora, eu poderia oferecer isso.
— Pedi comida caseira brasileira — respondi, gesticulando para os recipientes na bancada. — Strogonoff de frango, arroz, batata palha. Nada muito pesado, mas gostoso.
— Cresci vendo como meu pai era com minha irmã Mia. A forma como ele a protegia sem sufocá-la, como a ensinava a se defender mas também a ser gentil. Como ele conseguia ser firme quando necessário mas também o primeiro a consolá-la quando algo dava errado.
Minha voz ficou mais suave conforme continuava.
— Quero ser esse tipo de pai. Quero que nossa filha cresça sabendo que pode conquistar o mundo inteiro, mas que sempre terá alguém torcendo por ela incondicionalmente. Quero ensiná-la a ser corajosa, a não aceitar menos do que merece, a saber seu próprio valor.
Olhei para Maitê, vendo algo nos olhos dela que me fez continuar.
— Quero que ela nunca sinta que precisa se conformar com situações que a diminuem. Que nunca aceite ser controlada ou manipulada por ninguém. Que saiba que amor verdadeiro não vem com condições ou correntes.
Respirei fundo antes de concluir.
— E quero que ela tenha uma mãe como você como exemplo. Alguém que, mesmo quando tudo parecia impossível, encontrou forças para lutar pela própria liberdade e felicidade. Alguém que não desistiu mesmo quando teria sido mais fácil se render.
Quando terminei, percebi que Maitê estava em prantos. Lágrimas silenciosas escorriam por seu rosto enquanto ela me olhava com uma intensidade que me deixou momentaneamente sem palavras.
— O que foi? — perguntei, preocupado que tivesse dito algo errado.
Ela balançou a cabeça, limpando as lágrimas com as mãos.
— Não consigo — disse, sua voz quebrando. — Não consigo ignorar a carta do meu pai, apesar de tudo. Preciso saber o que tem escrito.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...