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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 509

~ VIVIANNE ~

— Vingança? — Maitê perguntou, sua voz ainda trêmula. — Que vingança?

Apontei para o corpo de Dominic com a cabeça, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Vi Maitê olhar para ele novamente. Ela estremeceu visivelmente ao ver o corpo ali, o sangue ainda escorrendo, formando aquela poça grotesca no chão do jardim que ele tinha tão cuidadosamente decorado. Mas mesmo assim, mesmo com toda a repulsa estampada em seu rosto, ela não conseguiu conter o revirar de olhos.

— Por que vingança? — ela corrigiu a pergunta, olhando de volta para mim.

Senti algo apertar no meu peito. Não tinha contado essa história para ninguém. Não assim. Não completa.

Mas Maitê não era uma estranha, era? Não depois de tudo. Não depois de tudo que ela tinha passado por minha culpa. Não depois que ela tinha visto eu matar Dominic bem na frente dela.

Ela merecia saber. Merecia entender.

Mesmo que não perdoasse. Mesmo que nunca perdoasse.

— Foi há sete anos atrás — comecei, e minha voz saiu diferente. Mais fraca. Mais jovem, de alguma forma. Como se eu tivesse voltado àquela época.

Pisquei rapidamente, afastando as lágrimas que ameaçavam vir.

— Eu tenho uma irmã, sabe? — continuei, forçando as palavras para fora. — Mais nova. Cecília.

O nome dela na minha boca ainda doía. Sempre doía.

Maitê não disse nada. Apenas ficou ali, esperando, seus braços cruzados sobre o peito como se estivesse se protegendo. Ou se segurando. Provavelmente ambos.

— Minha mãe sempre foi muito trabalhadora — disse, e senti minha garganta apertar só de pensar nela. — Se desdobrava em dois empregos para nos sustentar quando éramos crianças, depois do nosso pai ter morrido em um acidente de trânsito. Eu tinha sete anos. Cecília tinha três.

Caminhei até uma das cadeiras vazias e me deixei cair nela. Minhas pernas não aguentavam mais me sustentar.

— Apesar de eu ser apenas quatro anos mais velha — continuei, olhando para minhas mãos — eu cuidava dela. Dava comida. Levava para a escola. Ajudava com lição de casa. Minha mãe trabalhava tanto que... bem, eu meio que me tornei mãe também. Antes mesmo de entender o que isso significava.

Podia ver Cecília pequena na minha mente. Cabelos castanhos em tranças. Sorriso banguela. Aquele jeito dela de segurar minha mão quando tinha medo.

— Isso acabou nos deixando muito próximas — sussurrei. — Éramos mais do que irmãs. Éramos... éramos tudo uma para a outra.

O silêncio que se seguiu era pesado. Carregado de tudo que eu não estava dizendo ainda.

— Certa noite — forcei as palavras, sentindo como se cada uma estivesse sendo arrancada de mim — quando ela tinha por volta dos dezenove para vinte anos, ela devia ter voltado da faculdade no horário de sempre.

Parei. Respirei fundo. Continuei.

— Mas não voltou.

Três palavras. Três palavras que mudaram tudo.

Fechei os olhos e estava de volta àquela noite. Sentada na sala. Olhando o relógio. Dez da noite. Onze da noite. Meia noite. Mandando mensagem atrás de mensagem. Ligando. Chamando. Nada.

— Minha mãe disse que era normal — continuei, abrindo os olhos e encarando Maitê. — Era sexta-feira. Talvez ela tivesse saído com os amigos. Jovens fazem isso, ela dizia. Saem. Se divertem. Esquecem de avisar.

Ri, mas foi um som quebrado, amargo.

— Mas Cecília não era dessas. Ela era responsável. Cuidadosa. E quando ela fazia algo que fugia do comum, ela sempre avisava. Sempre. Sem exceção.

Minha voz começou a tremer e odiei isso. Odiei parecer fraca.

— O estado dela... — Minha voz falhou completamente. Tentei de novo. — O estado dela eu nunca vou esquecer. Nunca. Nem se eu viver cem anos.

Abri os olhos, encarando Maitê diretamente.

— As marcas pelo corpo. Roxas. Vermelhas. Algumas já ficando amareladas. Nos braços. Nas pernas. No pescoço. Por todo lugar. As roupas rasgadas. Sujas. Com sangue. A dor nos seus olhos...

Minha voz quebrou em um soluço que não consegui conter.

— A dor nos seus olhos era algo que nunca tinha visto antes. Como se algo dentro dela tivesse sido arrancado e deixado um buraco sangrando.

Limpei o rosto com as costas da mão, mas as lágrimas continuaram vindo.

— Não foi a polícia que a encontrou — disse com amargura. — Não. Apesar de todas as buscas que deveriam ter feito, de todos os recursos que deveriam ter mobilizado. Ela simplesmente apareceu. Tocou a campainha da nossa casa às seis da manhã.

Podia ouvir aquele som. Ding-dong. Ding-dong. Insistente. Desesperado.

— Eu atendi a porta — sussurrei. — E ela estava ali. Minha irmãzinha. Minha Cecília. De pé na nossa varanda, balançando, coberta de sujeira e sangue e...

Não consegui terminar. Cobri meu rosto com as mãos, os soluços me sacudindo.

Quando finalmente consegui me controlar o suficiente para continuar, olhei para Maitê e vi lágrimas silenciosas escorrendo pelo rosto dela também.

— Ela desabou nos meus braços — disse. — Literalmente desabou. E tudo que ela conseguia dizer era "me desculpa, me desculpa, me desculpa" como se... como se fosse culpa dela. Como se ela tivesse feito algo errado.

Fiquei em silêncio por um longo momento. Reunindo coragem. Reunindo força para a próxima parte.

— Soubemos o que aconteceu — disse finalmente, apontando para o corpo de Dominic aos meus pés. — Dominic Sforza.

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