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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 574

~ BIANCA ~

Quando a campainha do meu apartamento tocou às dez da manhã de domingo, eu já estava pronta há meia hora. Tinha escolhido cuidadosamente meu look: calça alfaiataria bege, blusa de seda branca, blazer estruturado e scarpins nude. Casual mas elegante. Perfeito para um domingo em Florença.

Abri a porta e encontrei Dante me avaliando de cima a baixo com uma expressão que dizia claramente que eu tinha feito algo errado.

— Sério? — foi tudo que ele disse.

— O quê? — perguntei, olhando para minha roupa. — Está ruim?

— Bianca, você está vestida para uma reunião do conselho — disse ele, entrando sem ser convidado. — Não para fingir ser uma pessoa normal que vai tomar café com um cara.

— Eu não sei me vestir como pessoa normal! — retruquei, fechando a porta. — Por isso te chamei!

Dante foi direto para o meu closet, abrindo as portas como se fosse dono do lugar.

— Meu Deus — murmurou, olhando para as fileiras organizadas de roupas de grife. — Tem algo aqui que custa menos de quinhentos euros?

— Provavelmente não — admiti.

Ele me olhou por cima do ombro.

— Se você precisa de conselhos sobre roupas, por que me chamou e não a Mia? — perguntou, começando a revirar minhas roupas.

— Você já viu uma patricinha maior que a Mia? — respondi, me apoiando no batente da porta. — Ela ia me vestir igual a ela. E você... bem, você já saiu com vários tipos de mulheres, não é? Deve conhecer os estilos, os lugares que frequentam, como agem...

— Verdade — concordou ele com um sorriso presunçoso. — Sou praticamente um especialista em mulheres de todos os níveis socioeconômicos.

— Que romântico — disse com sarcasmo.

Meia hora depois estávamos em uma loja de fast fashion no centro de Florença. O tipo de lugar que eu nunca, jamais, tinha entrado na vida.

Tudo era tão... barato. As araras estavam abarrotadas de roupas, as etiquetas mostravam preços que faziam meus olhos arregalar. Vinte euros por uma blusa? Trinta por uma calça?

— Se é tão barato não deve ser bom — murmurei, tocando o tecido de um vestido e fazendo uma careta.

— Bianca — disse Dante em um tom de aviso — metade da população se veste assim. É normal. É ok.

Peguei algumas peças sem muita convicção, indo para o provador enquanto Dante me esperava lá fora. Provei um vestido simples, azul marinho, nada de especial. Saí para pedir opinião e encontrei Dante encostado na parede, sorrindo para uma vendedora bonita que claramente estava interessada.

Revirei os olhos tão forte que quase doeu.

— Dante — chamei secamente.

Ele nem olhou para mim, apenas continuou conversando com a moça, fazendo-a rir de algo que tinha dito.

— DANTE — repeti mais alto.

Finalmente ele se virou, me avaliou rapidamente.

— Não — disse simplesmente.

— Como não?

— Muito sem graça — explicou, então gesticulou vagamente para a vendedora. — Pega algo como o que ela está usando.

Olhei para a moça, que usava um vestido florido bem mais ousado, com um decote que definitivamente chamava atenção.

— Claro que me exibo — admitiu sem vergonha nenhuma. — Mas eu sei equilibrar. Sei quando mostrar e quando esconder. Sei em que restaurante levar uma moça que vai ficar impressionada versus uma que vai ficar assustada.

Fez uma pausa, tomando um gole do cappuccino.

— E o seu equilíbrio, Bia, para um cara que declarou explicitamente que odeia pessoas como nós? Está bem lá embaixo — gesticulou para o café ao nosso redor. — Exatamente em lugares como este.

Revirei os olhos.

— Comer em um restaurante caro uma vez na vida não é exatamente a definição de ser bilionário — argumentei. — Todo mundo pode se dar esse luxo ocasionalmente.

— Para o Nico, é quase isso — disse Dante. — O cara está até o pescoço em dívidas, Bianca. A Bellucci investigou tudo quando o Christian estava considerando adquirir a propriedade. O cara mal consegue pagar as contas mensais, que dirá um restaurante para “se dar esse luxo”.

— Eu pagaria — murmurei, mais para mim mesma. — O almoço, o café, o que fosse. Não seria nada para mim...

— Nem ouse tentar! — Dante me interrompeu, apontando o dedo para mim. — O cara é do tipo homem das antigas. Vai pagar. Vai insistir em pagar mesmo que isso signifique ele ter que comer miojo pelo resto da semana.

Ele se inclinou para frente.

— E se você tirar um dos seus cartões black da bolsa na frente dele? — continuou. — Vai colocar ele para correr. Literalmente. Vai confirmar tudo que ele acredita sobre pessoas ricas. Que somos todos arrogantes que não entendem o valor do dinheiro.

Fiquei quieta por um momento, mexendo no café com a colherinha mesmo já tendo colocado açúcar há tempos.

— Não sei se consigo fazer isso — admiti finalmente.

— Fingir ser quem você não é? — perguntou Dante.

— Enganar o Nico — corrigi, levantando os olhos para encontrar os dele.

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