~ BIANCA ~
A forma como Dante falou me deu a exata medida do problema: não era um comentário solto, nem um palpite de corredor. Era algo que exigia olhos. Exigia contexto. Exigia que a gente encarasse de frente.
Nico assentiu uma vez, curto, e eu vi os ombros dele endurecerem como se estivessem se preparando para uma pancada. Bella continuou no banco por um segundo a mais, grudada no cinto, olhando do Dante para nós como se estivesse tentando entender por que adulto sempre fica com aquela cara de preocupação.
— Vem, princesa — Dante disse, gentil, fazendo um gesto com a mão, não apressando. — É rapidinho.
Bella desceu devagar, pisando no cascalho com cuidado demais para uma criança. E eu senti o impulso de pegar na mão dela, mas não peguei.
Dante nos conduziu pela lateral da casa principal. O caminho era curto, mas, naquela Tenuta, tudo parecia ter eco: cada porta, cada corredor, cada canto ainda tinha uma espécie de silêncio recente, um silêncio que lembrava o que podia ter sido muito pior.
Entramos numa sala de apoio, daquelas que antes serviam para reuniões rápidas e planilhas de produção. Agora tinha um computador ligado, uma cadeira puxada, e aquela sensação de “isso aqui virou evidência”.
Dante fechou a porta atrás de nós e apontou para a tela.
— Nossos detetives conseguiram recuperar imagens de uma câmera da rua, perto da entrada da Tenuta.
Nico franziu a testa.
— Da rua? Mas… aquela câmera pega alguma coisa?
— Não pegava quase nada — Dante respondeu, e eu reconheci a irritação profissional dele por trás da calma. — Estava escuro. Qualidade horrível. E o sujeito… bem, estava disfarçado. Capuz, boné, gola alta. O básico pra virar sombra.
Ele clicou em uma pasta e abriu um vídeo. A imagem era distante, granulada, como tudo que vira manchete depois: um pedaço da realidade que não ajuda ninguém até alguém insistir muito.
— Eles fizeram tratamento — Dante explicou. — Frame por frame. Ajuste de contraste, brilho, recuperação de detalhe. Não é como no “CSI”, mas com tempo e paciência...
Ele deu play.
A figura apareceu perto do portão. Movimentos rápidos. Diretos. Um jeito de andar que não era de quem estava perdido, mas de quem sabia exatamente o que estava fazendo.
Dante pausou num ponto específico e ampliou.
— Aqui.
O rosto não ficou perfeito. Não ficou “nítido”. Mas ficou… suficiente. Um recorte de traços. Um momento em que a sombra virou gente.
— Identificaram como Donato Ferrarini — ele disse.
Nico franziu a testa, incrédulo.
— Como? Isso aí mal dá pra ver o rosto.
Dante assentiu, como quem já esperava.
— Não foi só por isso. A câmera pegou um carro parando perto do portão minutos antes. A placa apareceu pela metade. Os detetives cruzaram com pedágio e com outras câmeras na estrada. Caiu num veículo ligado à Ferrarini. A imagem tratada… só confirmou que não era coincidência.
Dante olhou para Nico, direto.
— Donato Ferrarini — ele repetiu o nome. — Isso significa alguma coisa pra você?
Nico assentiu devagar. Um “sim” pesado.
— Tenuta Ferrarini. Concorrente. — Ele falou como se dissesse uma informação técnica, mas eu ouvi a frustração por baixo. — A gente se conhece. Sempre foi cordial. Eventos, feira… nunca tivemos problema.
Dante soltou um ar curto pelo nariz, sem sorrir.
— Essas coisas mudam quando você começa a prosperar.
Eu engoli em seco.
— Se ele descobriu nossa associação — eu disse —, isso explica a ação. O timing. A crueldade.
Dante assentiu, voltando ao modo prático.
— Ótimo. Vou repassar isso para a polícia e anexar as imagens tratadas. Assim eles seguem no caminho certo.
Nico assentiu também, mas… não foi um assentir inteiro. Foi automático. Como se ele estivesse aceitando a solução sem sentir alívio nenhum.
Dante pegou o celular e se afastou alguns passos, falando baixo com alguém. Eu aproveitei a distância e toquei o braço do Nico.
— Qual é o problema? — perguntei, num tom que só ele ouviria.
Ele tentou me dar o “nada” de sempre, aquele “vamos ficar felizes com o que temos”, mas os olhos dele entregaram.
— Nenhum — ele disse primeiro. Aí respirou e deixou cair o resto, quase como uma derrota: — Que bom que chegaram em um culpado.
Eu não soltei.
— Nico.
Ele olhou para o chão por um segundo, como se o cascalho tivesse resposta.
— Por que você não parece nem um pouco feliz com isso? — Insisti.
Ele demorou um segundo a mais para responder.
— Porque aparentemente esse culpado não é a Renata — ele murmurou. — Menos uma coisa que temos contra ela… enquanto ela só soma coisas contra nós.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....