~ NICO ~
Três dias era pouco tempo para alguém se recompor.
Mas era tempo suficiente para o mundo decidir o que queria fazer com a gente.
O Conti ligou no meio de uma manhã que eu estava tentando fingir que era normal — o tipo de normal em que eu assino coisa de obra, respondo mensagens de fornecedor, e finjo que a minha cabeça não está dividida em duas: uma parte trabalhando, a outra contando quantas vezes a Bella piscou diferente desde a entrevista.
— Montesi? — a voz dele veio direta, sem “bom dia — Saiu a audiência da provisória.
Eu parei onde estava. O som do canteiro virou um zumbido.
— Quando?
— Hoje — pausa curta. — Duas horas.
Eu senti o chão dar aquela… cedida. Não é que eu fosse cair. Eu só… percebi o peso do corpo, de repente. Aquele lembrete físico de que eu não estava no controle.
— Hoje…
— É. E eu preciso que você esteja aqui. — A voz dele baixou. — Com calma. Sem improviso. Entendeu?
Eu olhei para o céu cinza e pensei: sem improviso. Na minha vida, ultimamente, tudo era improviso.
— Entendi.
Desliguei e fiquei alguns segundos parado. Respirando do jeito que eu ensinava para a Bella quando ela estava ansiosa: inspira pelo nariz, solta pela boca. Só que eu não tinha sete anos, e respiração não fazia milagre.
Peguei o carro e dirigi até Florença como se eu estivesse indo buscar uma parte do meu corpo que eu tinha deixado esquecida em algum lugar.
A Bianca abriu a porta antes de eu bater. Como se já soubesse. Como se, desde o dia em que ela entrou na minha vida, ela tivesse desenvolvido esse radar para quando eu estivesse prestes a quebrar.
Ela estava de moletom, cabelo preso de qualquer jeito, mas ainda assim parecia… Bianca. A mulher que o mundo via como gigante. A mulher que naquele momento estava com o rosto mais humano que eu já tinha visto.
— Conti? — ela perguntou, e foi só uma palavra, mas nela cabia tudo.
Eu assenti.
— Audiência da provisória. Hoje.
O silêncio entre nós não foi vazio. Foi cheio de “e se”, cheio de “como”, cheio de “ela vai fazer o quê agora?”.
Bianca encostou a ponta dos dedos no meu braço, um toque pequeno, como quem segura uma coisa em risco de cair.
— Você quer que eu vá?
Era uma pergunta que parecia simples. Mas tinha um mundo ali. “Você quer que eu vá” era: você me quer do seu lado quando tentarem tirar a sua filha? Você me quer na linha de tiro?
E eu queria. Mas do que querer, eu precisava. Mas também tinha medo. Medo de que a presença dela virasse argumento.
— Quero — eu disse, e a honestidade saiu antes do cálculo. — Mas… você não precisa, se não quiser.
Ela deu um sorriso curto, sem humor.
— Nico, eu não vou te deixar ir sozinho.
Eu vi a decisão no olhar dela. Aquele jeito Bellucci de escolher e pronto.
No caminho, a cidade parecia… errada. Florença era bonita demais para o que eu estava sentindo. As pessoas caminhando, tomando café, rindo. Como se o mundo não estivesse prestes a decidir se eu era pai “suficiente”.
Eu mantive as mãos no volante com força demais. Bianca reparou.
— Respira — ela disse baixo, como se eu fosse a Bella. Mas sem me diminuir. — Você não pode entrar lá tremendo.
— Eu não estou tremendo.
— Certo — ela aceitou a mentira sem discutir. — Mas sua mão tá branca.
Eu soltei um pouco o volante, como se isso fosse resolver. Não resolveu.
O tribunal era um prédio que eu já tinha visto por fora, de longe, como quem vê tempestade no horizonte. Por dentro, era pior. Frio. Mármore. Eco. Um lugar onde as vozes pareciam ficar menores.
O Conti estava esperando perto da entrada, terno escuro, pasta na mão, aquela cara de quem dorme com processo embaixo do travesseiro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....
Compromisso nenhum com os leitores, verdadeiro desrespeito....