— Vamos precisar de roupas confortáveis — disse Christian, entrando em nosso quarto enquanto eu terminava de me arrumar para o jantar. Seus olhos se iluminaram ao notar o colar de ametistas em meu pescoço. — Você gostou.
Não era uma pergunta, mas detectei um leve tom de insegurança em sua voz que parecia contradizer a imagem do manipulador confiante que Francesca havia descrito.
— É lindo — respondi sinceramente, tocando o pequeno cacho de uvas. — Nunca tive nada parecido.
— Combina com você. — Ele se aproximou, seus dedos roçando levemente a base do meu pescoço onde o pingente repousava. — As ametistas têm quase a mesma cor das uvas do vinhedo Zoey quando estão perfeitamente maduras.
— Esse foi o critério de escolha? — perguntei, tentando manter o tom leve, apesar das dúvidas que ainda ecoavam em minha mente. — Combinação de cores?
Christian riu.
— Entre outras coisas. — Ele tocou uma das pequenas pedras. — Também dizem que ametistas protegem contra pensamentos negativos.
Francesca. Isabella. Dúvidas. Ele sabia que eu precisava dessa proteção?
— Roupas confortáveis para quê, exatamente? — mudei de assunto, afastando-me sutilmente. — Achei que teríamos o jantar formal que sua mãe vem planejando há dois dias.
— Cancelei. — O sorriso de Christian tinha algo de travesso, quase rebelde. — Isabella terá que adiar seus planos de te torturar com mais uma noite de degustação pomposa.
— Você cancelou um jantar organizado por Isabella? — perguntei, genuinamente chocada. — Ela vai te deserdar.
— Eu tenho a vinícola — ele deu de ombros, despreocupado. — E hoje à noite, tenho planos melhores para nós. Se você topar.
Havia algo em seu olhar – uma mistura de expectativa e vulnerabilidade – que dificultava manter distância emocional.
— Que tipo de planos?
— Surpresa. — Ele se dirigiu ao guarda-roupa, selecionando roupas para ambos. — Mas prometo que vale a pena perder o brilhante monólogo de Isabella sobre como você segura incorretamente a taça de vinho.
Apesar das minhas dúvidas, ri. Era difícil resistir a esse lado de Christian – menos CEO calculista, mais menino travesso.
Meia hora depois, estávamos dirigindo por estradas sinuosas em um Alfa Romeo antigo e bem conservado. Christian dirigia com uma mão no volante, a outra repousando casualmente na minha coxa. O ar toscano perfumado de ciprestes e terra aquecida pelo sol nos envolvia, e por um momento, quase esqueci das insinuações venenosas de Francesca.
— Para onde estamos indo? — perguntei novamente, quando ele tomou uma estrada secundária que serpenteava montanha acima.
— Paciência nunca foi seu forte, não é? — provocou, sem desviar os olhos da estrada. — Estamos quase lá.
O carro parou finalmente em um pequeno platô com vista para toda a região. Abaixo de nós, os vales cobertos de vinhedos se estendiam como um mosaico de verdes e dourados no final da tarde. À distância, uma pequena vila se aconchegava entre colinas, suas luzes começando a brilhar no crepúsculo.
— É incrível — murmurei, absorvendo a vista.
— Espere até ver o resto — disse Christian, saindo do carro e abrindo o porta-malas.
Para minha surpresa, ele tirou de lá uma cesta de piquenique, uma manta grande, e, ainda mais surpreendente, um pequeno telescópio.
— Você planejou isso com antecedência — observei, ajudando-o a estender a manta.
— Na cidade, esquecemos que isso existe todas as noites — disse ele, sua voz mais baixa, quase reverente. — Olhe. — Apontou para um grupo de estrelas. — Cassiopeia. E ali, Cisne. E aquela, brilhando sozinha quase no horizonte? É Antares, a estrela mais brilhante de Escorpião.
— Como você sabe tanto sobre estrelas?
Christian ficou em silêncio por um momento.
— Quando minha avó Sophia morreu, eu tinha oito anos. Meu avô me trouxe aqui uma noite e me disse que ela havia se tornado uma estrela. — Ele sorriu, um sorriso melancólico. — Eu acreditei. Passei anos tentando descobrir qual estrela era ela.
A história tinha uma simplicidade comovente. Não parecia ensaiada ou performática. Era apenas uma memória de criança, compartilhada sem pretensão.
— Encontrou? — perguntei suavemente.
— Não. — Ele virou a cabeça para me olhar. — Mas a busca me ensinou sobre padrões, constelações. Como se orientar pelo céu noturno. Útil para um menino que frequentemente se sentia... perdido.
Havia tanto naquelas palavras – a solidão de crescer com pais ausentes, a perda da avó, a orientação do avô. Não era a história de um manipulador frio. Era de um menino que cresceu procurando pontos de referência.
Quando ele se aproximou para me beijar, não me afastei. Seus lábios tinham gosto de vinho e verdade, e por um momento, todas as dúvidas pareceram se dissipar como névoa sob o sol da manhã.
O telescópio permaneceu esquecido enquanto explorávamos um ao outro sob o céu estrelado. Cada toque parecia mais honesto que palavras, cada suspiro uma promessa que nenhum contrato poderia conter.
Mais tarde, quando ajustamos nossas roupas e ele finalmente me mostrou Júpiter e suas luas através do telescópio, me peguei pensando em Alex. Em como seus gestos românticos sempre pareciam calculados para uma plateia invisível. Em como suas palavras doces sempre soavam como se tivessem sido tiradas de um roteiro de filme.
Christian era diferente. Ou eu estava apenas me convencendo disso?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....
Compromisso nenhum com os leitores, verdadeiro desrespeito....
Como quer que indique e compartilha algo com esse total desrespeito…faz nós leitores gastar dinheiro e no fim não faz atualizações, e quando fizer vai soltar 2 capítulos…...
Até agora nada , será que vai ser mais um dia sem capítulos novos? As histórias são boas , mais falta soltar mais capítulos por dia . Falta de planejamento e falta de respeito pelos leitores que pagam pra ler as histórias , se não fosse pago ótimo mais como é pago , isso não é nada legal ....
Pelo q parece só vai ser liberado mais capítulos se for compartilhado, acima está descrito. Quanto mais compartilhamentos e leituras mais rápido será liberado mais capítulos. Desrespeito com quem todos os dias espera por um novo capítulo e como disse uma leitora q entrou 20 vezes. Ou seja estamos todos os dias fazendo a leitura e ansiosas p os próximos e isso não conta?...
Cadê os novos capítulos. A autora esqueceu de postar?...