Nossa última noite na Itália coincidiu com o encerramento do Festival da Colheita. Já estávamos na festa há quase duas horas, circulando entre barracas de comida, vinhos locais e artesanato. O festival estava ainda mais movimentado do que na primeira noite, com músicos tocando em cada esquina e jovens dançando nas ruas de pedra.
Christian parecia completamente à vontade – mais relaxado do que eu jamais o vira no Brasil. Ele conversava em italiano fluente com os moradores locais, muitos dos quais o conheciam desde criança, e me apresentava com um orgulho que não parecia fingido. Para a comunidade local, éramos apenas um jovem casal apaixonado, aproveitando a noite italiana.
— Você precisa experimentar este — disse ele, entregando-me um pequeno copo de um líquido dourado. — Licor de limão caseiro. A receita da Signora Ricci é lendária por aqui.
Provei, sentindo o calor do álcool misturado com a doçura cítrica.
— É delicioso! — exclamei, impressionada.
A senhora idosa que nos servira sorriu, dizendo algo em italiano que fez Christian rir.
— O que ela disse? — perguntei quando nos afastamos.
— Ela disse que você tem bom gosto... para licores e para maridos. — Seu sorriso era charmoso e convencido, e não pude deixar de rir.
— Claramente ela não te conhece tão bem quanto pensa.
Ele fingiu ofensa, colocando a mão sobre o coração dramaticamente.
— Você fere meu ego italiano, Signora Bellucci.
Senti uma pequena pontada ao ouvir o título. Era tão fácil esquecer, aqui neste lugar encantado, que "Signora Bellucci" era apenas um papel temporário que eu estava interpretando.
Continuamos caminhando, parando para assistir a um grupo de dançarinos tradicionais no centro da praça. Crianças corriam com fitas coloridas, idosos batiam palmas ao ritmo da música, e o ar estava impregnado com o aroma de comida, vinho e alegria pura. Havia uma autenticidade nesta celebração que faltava nos eventos sofisticados que frequentávamos no Brasil.
Christian comprou para mim uma coroa de flores que uma menina estava vendendo, colocando-a sobre minha cabeça com um cuidado quase reverente.
— Perfeita — murmurou ele, seus olhos nunca deixando os meus.
O momento foi interrompido por um senhor idoso que abordou Christian, abraçando-o calorosamente e engajando-o em uma conversa animada. Enquanto esperava, observei as famílias ao redor – pais com crianças nos ombros, avós de mãos dadas com netos, casais de todas as idades aproveitando a noite. Perguntei-me, não pela primeira vez, como seria pertencer verdadeiramente a este mundo.
Depois de mais uma hora circulando, Christian sugeriu que descansássemos um pouco. Encontramos uma pequena mesa vazia em um café na esquina da praça, com vista privilegiada para as festividades. Enquanto o garçom trazia nossos expressos, Christian parecia pensativo, quase sério comparado com seu humor leve de momentos atrás.
— No que está pensando? — perguntei, ajustando a coroa de flores que começava a escorregar.
Ele hesitou, como se escolhesse cuidadosamente suas palavras.
— Nossa lua de mel está chegando ao fim — disse finalmente. — Acho que precisamos discutir algumas coisas práticas.
— Que tipo de coisas práticas?
— Tipo onde vamos morar.
A pergunta me pegou completamente desprevenida. Em todos os nossos planejamentos e discussões sobre o acordo, nunca havíamos abordado esse detalhe. Era como se ambos tivéssemos evitado conscientemente pensar no dia-a-dia do nosso casamento de fachada.
— Eu... nunca pensei nisso — admiti.
— Eu também não, até recentemente. — Ele tomou um gole de seu expresso. — Não quero voltar a Londres.
— Londres?
— Não é a mesma coisa — argumentei. — Eu quero estar perto deles, não apenas visitá-los ocasionalmente.
Um silêncio desconfortável se instalou entre nós. Era nossa primeira divergência real sobre nosso casamento.
— Ou poderíamos morar separados — sugeri, tentando soar casual. — Muitos casais fazem isso nos dias de hoje. Cada um com seu próprio espaço.
Algo estranho cruzou o rosto de Christian – uma sombra que não consegui identificar completamente.
— Isso também é uma opção — concordou ele, sua voz cuidadosamente neutra. — Não é como se nosso casamento fosse de verdade, afinal.
As palavras saíram naturalmente, mas doeram ao serem ouvidas. Era a verdade, claro. Nosso acordo, nosso contrato. Mas depois de tudo que havíamos compartilhado na Itália – as noites nos vinhedos, as conversas sob as estrelas, as refeições com Lucia, as aulas com Bianca – parecia que estávamos diminuindo algo que havia se tornado mais significativo.
Pelo modo como a expressão de Christian fechou-se minimamente, percebi que ele também sentira algo. Por um momento, nenhum de nós falou, deixando que os sons da festa ao redor preenchessem o silêncio desconfortável.
— Podemos discutir isso mais tarde — disse ele finalmente, forçando um sorriso que não alcançou seus olhos. — Esta é nossa última noite de festival. Vamos aproveitar.
Assenti, aliviada por adiarmos aquela conversa. Christian pagou a conta e me estendeu a mão, me guiando de volta para a praça onde a música tinha ficado mais animada.
Enquanto nos juntávamos aos moradores locais em uma dança circular tradicional, tentei me perder no momento, no simples prazer de estar ali. Mas a frase continuava ecoando em minha mente.
"Não é como se nosso casamento fosse de verdade, afinal."
O problema era que, para mim, estava começando a parecer muito real. E isso era possivelmente a coisa mais assustadora que já havia sentido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....
Compromisso nenhum com os leitores, verdadeiro desrespeito....
Como quer que indique e compartilha algo com esse total desrespeito…faz nós leitores gastar dinheiro e no fim não faz atualizações, e quando fizer vai soltar 2 capítulos…...
Até agora nada , será que vai ser mais um dia sem capítulos novos? As histórias são boas , mais falta soltar mais capítulos por dia . Falta de planejamento e falta de respeito pelos leitores que pagam pra ler as histórias , se não fosse pago ótimo mais como é pago , isso não é nada legal ....
Pelo q parece só vai ser liberado mais capítulos se for compartilhado, acima está descrito. Quanto mais compartilhamentos e leituras mais rápido será liberado mais capítulos. Desrespeito com quem todos os dias espera por um novo capítulo e como disse uma leitora q entrou 20 vezes. Ou seja estamos todos os dias fazendo a leitura e ansiosas p os próximos e isso não conta?...
Cadê os novos capítulos. A autora esqueceu de postar?...