As palavras saíram num sussurro, mas caíram entre nós com o peso de um grito.
Eduardo ficou paralisado.
Seus olhos, normalmente tão rápidos e analíticos, arregalaram-se de uma forma quase cômica.
A ficou boca entreaberta e ele olhou para minha barriga, ainda plana sob a blusa bege, e depois de volta para o meu rosto, como se esperasse ver uma piada.
— O quê? — a palavra saiu rouca, descrente.
— Shhh! — fiz, instintivamente, jogando um olhar para o carro. Alana continuava imóvel. — É sério. Fiz o exame ontem.
— Meu Deus, Ló. — Ele passou uma mão pelo rosto, esfregando os olhos como se quisesse apagar a imagem e recomeçar.
A informação estava sendo processada dentro da sua cabeça.
— O Rafael… ele já sabe?
Balancei a cabeça, e o sorriso, mais genuíno agora, voltou ao meu rosto.
— Não. Ele só volta daqui a quatro dias e a Alana também não.
— E você me contou primeiro? — Ele pareceu surpreso, e um pouco tocado.
— Edu, eu vou surtar se guardar isso só pra mim até lá. — A confissão saiu como um sopro de alívio.
Só de dizer em voz alta para alguém que me amava já tirava um peso das costas.
— Eu tô feliz, assustada, aterrorizada e enjoada… é uma bagunça.
Ele olhou para mim por um longo momento, e eu vi a onda de emoções passando pelo seu rosto.
A surpresa inicial dando lugar a um cálculo rápido, da logística, o perigo, e então, por fim, suavizando em algo profundo e carinhoso.
Um sorriso lento, um dos mais verdadeiros que eu vi nele desde o incidente, começou a se formar.
— Caramba, irmãzinha — ele murmurou, e seu tom estava cheio de uma ternura que fez os meus olhos marejarem. — Uma sobrinha ou sobrinho novo.
Ele abriu os braços e eu me joguei dentro deles.
Era o abraço do meu irmão mais velho, aquele que me protegeu de quedas de bicicleta e de brigas na escola, e que agora me segurava enquanto eu tremia diante do precipício mais importante da minha vida.
— Você merece isso, Ló — ele sussurrou no meu ouvido, com a voz embargada. — Merece toda a felicidade do mundo. E esse bebê… vai ser muito amado.
Apertei-o mais forte, engolindo o chão que insistia em subir.
— Obrigada.
Nos soltamos, e ele segurou meus ombros, seus olhos sérios novamente.
— E o Rafael? Como você acha que ele vai reagir?
— Não sei — admiti, com a ansiedade voltando em uma pontada. — Espero que bem. Ele é… ele é bom com a Alana. Mas um bebê… é diferente. É uma responsabilidade que nem ele nem eu imaginávamos agora.
— Ele te ama, Lorena. De um jeito que eu nunca vi ninguém amar. Acho que ele vai ficar em choque, mas vai ficar feliz. — A convicção na voz do Eduardo me acalmou um pouco.
Se havia alguém que podia ler as intenções de Rafael, era ele, que tinha visto a frieza e a ferocidade dele, mas também a devoção.
— Você vai contar como?
— Quero fazer uma surpresa. Algo… especial. Não só chegar e falar. — A ideia ainda era vaga, mas a semente estava lá.
Queria que fosse um momento nosso, que marcasse o começo dessa nova jornada, longe do medo, cheio de intenção.
Eduardo sorriu, um brilho divertido nos olhos.
— Ele vai pirar. Posso imaginar a cara dele. Se precisar de ajuda pra planejar a surpresa, ou pra distrair a Alana, é só falar.
— Perfeito! Parabéns, Lorena! Vai dar tudo certo! — ela desligou, ainda animada.
Eu desliguei o viva-voz e guiei em silêncio, o coração batendo forte. Parabéns. Sim, era uma vitória. A maior venda da minha vida.
Quando entrei na garagem da casa de Rafael, a Alana ainda dormia. Desliguei o motor e fiquei sentada no escuro por um momento, apenas respirando.
Era definitivo. Eu ia vender aquele lugar e, olhando pela janela do carro para a garagem ampla e organizada, para a porta que levava à cozinha quente e cheia de vida, eu soube que não era só um imóvel que eu estava abandonando.
Era uma pele velha e cheia de cicatrizes venenosas.
Suspirei, um som profundo que parecia sair dos alicerces da minha alma.
Que enchessem as paredes de risos altos, de discussões saudáveis, de planos animados. Que fizessem daquela cozinha o coração da casa, onde cheiros gostosos dominassem o ar.
Que aquele quarto, meu antigo quarto, fosse um santuário de amor e de paz, não de terror noturno.
Que fosse um lar. Um verdadeiro lar.
E, pela primeira vez, olhando para a porta da minha nova casa, acreditando no bebê que crescia dentro de mim, eu permiti que a esperança de que eu também tivesse encontrado o meu, finalmente, fosse maior do que o medo.
***********
O relógio na parede da sala era um monstro de tique-taque. Cada segundo era um minuto e cada minuto, uma hora.
Meu nervosismo era uma coisa viva, um enxame de abelhas no meu estômago, mas por baixo dele, um rio quente de antecipação fluía.
Tudo estava pronto. Uma surpresa simples, mas que eu sabia, no fundo da alma, que ele ia entender.
O quarto estava arrumado, mas não tinha muita coisa, porque eu não queria que parecesse armado demais. Só a caixinha preta, discreta, em cima do colcha azul-marinho que ele gostava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...