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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 478

Seu rosto se iluminou ao nos ver, mas seus olhos, perspicazes como os do irmão, captaram algo no ar.

— Então? — ela perguntou, nos fazendo entrar. — Pelo ar de casal que ganhou na loteria, acho que não são só visitas sociais.

Rafael sorriu, com o sorriso largo e desprotegido que só a família via.

— Você sempre foi a espertinha da família, Milena.

— E você está com cara de bobo apaixonado dez vezes mais. Fala logo.

Nós nos sentamos e Rafael me pegou a mão.

— A Lorena está grávida. Você vai ser tia.

Milena não gritou, nem se moveu. Ela ficou sentada, com uma mão indo instintivamente para a própria barriga, e seu rosto passou por uma transformação lenta.

A surpresa deu lugar a um entendimento profundo, e então a uma felicidade tão radiante que parecia iluminar o quarto.

Seus olhos se encheram de lágrimas.

— Sério? — sussurrou, olhando para mim.

Eu acenei, emocionada com a reação dela.

— Meu Deus! — Ela se levantou, com alguma dificuldade, e veio até mim, me abraçando com cuidado, nossas duas barrigas, uma minúscula, outra já redonda e quase se tocando.

Ela riu, um som de pura alegria.

— Nós vamos ser mães juntas! Nossos filhos vão crescer juntos! Vão ser primos! Irmãos de criação! — Ela me soltou e abraçou Rafael. — Irmão idiota, estou tão feliz por você! Por vocês!

Ficamos horas lá. Falamos de enjoos, de desejos esquisitos já que Milena tinha tido uma fase de comer picles com sorvete, de medos, de planos.

Foi diferente. Era uma cumplicidade de mulheres, de mães, que se sobrepunha a tudo.

A dor da ausência do Nicolas ainda estava nos olhos dela, mas a notícia do nosso bebê parecia trazer uma nova esperança, um novo foco para a felicidade.

Era como se a nossa alegria fortalecesse a dela.

De volta a nossa casa, o cansaço era do tipo bom, profundo, de quem espalhou amor e o recebeu em dose dupla.

Alana estava exausta, e nós a colocamos na cama, onde ela adormeceu em segundos, seu unicórnio apertado contra o peito.

Rafael e eu ficamos na sala, no sofá grande.

Ele ligou a TV, colocou um filme qualquer, um romance que servia apenas de pano de fundo. Eu me encaixei ao seu lado, com minha cabeça no seu ombro e seus braços me envolvendo, uma das mãos descansando sobre meu ventre.

O silêncio era quente, completo. Não precisávamos falar. Tudo tinha sido dito, mostrado, sentido.

Olhando para a tela sem ver, senti uma onda de gratidão tão avassaladora que me faltou o ar.

Há poucos meses, eu estava no fundo do poço, acreditando que o amor e a segurança eram conceitos para outras pessoas.

Agora, estava aqui, em uma fortaleza de afeto, grávida do homem que me devolveu a vida, com minha filha dormindo em paz, com famílias inteiras celebrando nossa união.

(Visão de Rafael)

O Natal tinha sido tranquilo, e o Ano Novo, uma promessa sussurrada ao som dos fogos. Mas a verdadeira virada, para mim, tinha sido meses antes, naquele quarto, com a caixinha preta e os sapatinhos minúsculos.

Desde então, o mundo ganhou novas cores, novos cheiros e uma nova textura de ansiedade, dessa vez, boa.

Lorena tinha insistido em passar as datas com a Joyce.

No Natal, fui só dar um oi rápido na casa do Diogo, ver o pessoal, mas meu lugar era naquele quarto de hospital silencioso, segurando a mão dela enquanto ela sussurrava para a barriga que ia crescendo, ou rindo com a Alana que decorava o quarto com desenhos de Papai Noel e a Lentilha.

Lorena se deitou na maca, e eu me sentei na cadeira ao lado dela, pegando sua mão de novo. Ela ergueu a blusa, revelando a barriga redonda e pálida.

Meu estômago embrulhou de orgulho e de uma emoção tão forte que quase me engasguei.

A médica passou o gel, a sonda tocou a pele de Lorena, e a tela preta ao lado ganhou vida.

Primeiro, foi o som. O tum-tum-tum-tum rápido e forte, martelando no silêncio da sala.

O coração. Meu próprio coração pareceu sincronizar com aquele som. Lorena prendeu a respiração, seus dedos apertando os meus.

— Olha só — disse a Dra. Helena, sua voz suave enquanto movia a sonda. — O bebê está na posição perfeita. Vamos dar uma olhada geral.

Eu olhava para a tela, tentando decifrar as sombras em movimento. A médica apontou a cabecinha, a coluna, os bracinhos que pareciam balançar.

Tudo parecia… perfeito. Mas eu não era médico e só via a confirmação de que havia uma vida ali, nossa, pulsando em preto e branco.

— Os exames de sangue da Lorena estão todos ótimos — a Dra. Helena comentou, ainda olhando para a tela. — Pressão boa, tudo dentro dos conformes. E o bebê… — ela fez uma pausa, movendo a sonda para outro ponto com seu rosto sério. — Hmm…

O "hmm" dela congelou o sangue nas minhas veias. Senti Lorena se enrijecer ao meu lado. O que significava? Algo errado?

— O que há, doutora? — minha voz saiu mais áspera do que eu queria.

Ela não respondeu imediatamente. Movia a sonda com cuidado, sua testa levemente franzida. O silêncio na sala era pesado, só cortado pelo *tum-tum-tum* constante.

Então, ela moveu o transdutor de forma decisiva, inclinou a cabeça e… um segundo som começou a ecoar na sala.

Outro tum-tum-tum-tum, diferente do primeiro. Um pouco mais rápido, ou mais lento, não dava para dizer ao certo, mas era distinto. Dois corações batendo em sincopado.

A Dra. Helena sorriu, um sorriso largo e genuíno, e olhou primeiro para Lorena, depois para mim.

— Bom, isso explica o crescimento acelerado da barriga — ela disse, sua voz agora cheia de uma alegria contida. — Parabéns, não é um bebê. São dois.

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