O mundo desmoronou e explodiu em silêncio. O ar foi sugado da sala e eu olhei para a tela, depois para a barriga de Lorena, depois de volta para a tela.
Dois. Dois corações. Dois conjuntos de braços e pernas que eu mal conseguia distinguir na confusão de sombras.
Lorena gemeu ao meu lado, um som de puro choque. Sua mão agarrou a minha com uma força de sobrevivente.
— O quê? — ela sussurrou, incrédula.
— Gêmeos — a médica confirmou, feliz. E então, com habilidade, começou a isolar as imagens na tela. — Vejam aqui. Um aqui, mais quietinho… e o outro aqui, se mexendo mais. Vejam, dois sacos gestacionais distintos, duas placentas… são gêmeos dizigóticos, o que chamamos de bivitelinos. O mais comum e, geralmente, com menos riscos.
Eu não ouvia mais nada técnico. Gêmeos.
A palavra ecoava dentro do meu crânio como um gongo. Dois bebês…
A logística, o perigo, o trabalho, o sustento… tudo passou pela minha cabeça em um turbilhão de pânico prático que durou meio segundo.
E então, foi varrido por uma onda de alegria tão absoluta, tão avassaladora, que pensei que ia levitar da cadeira.
Dois. Um pedaço de cada um de nós, multiplicado.
Um riso escapou da minha garganta, um som rouco e descontrolado. Olhei para Lorena e seu rosto estava pálido, os olhos arregalados como pratas, cheios de lágrimas que ainda não caíam.
Ela parecia não conseguir processar.
— Um casal — a voz da Dra. Helena nos trouxe de volta.
Ela estava apontando para a tela, com um traço de orgulho na voz, como se tivesse nos presenteado com o universo.
— Olhem aqui. Este, mais reservadinho, é a menina. E este, o danadinho que não para quieto… é o menino.
Um casal. Menina e menino.
Lorena finalmente soltou o ar num grande e trêmulo suspiro, e as lágrimas rolaram. Mas era um sorriso que tomava conta do rosto dela, um sorriso de espanto e de uma felicidade tão profunda que iluminou a sala.
Ela olhou para mim, e seus olhos diziam tudo.
Eu me levantei da cadeira, quase a derrubando, e me inclinei sobre ela, não importando a médica, não importando nada.
Beijei sua boca, seu rosto molhado, sua testa.
— Dois — sussurrei contra sua pele, minha voz completamente quebrada. — Amor, são dois. Um casal.
Ela riu entre lágrimas, seus braços me puxando para mais perto.
— Eu não acredito. Rafael, dois bebês!
— Você é incrível — foi tudo que consegui dizer, com a emoção me engasgando.
Eu, que tinha enfrentado homens armados sem piscar, estava completamente desarmado por duas imagens em uma tela e pelo sorriso radiante da mulher que carregava meus filhos.
A Dra. Helena nos deixou por alguns minutos, sorrindo, dizendo que ia buscar algumas imagens para imprimir.
Ficamos ali, eu curvado sobre Lorena na maca, nossas testas encostadas, rindo e chorando como malucos, nossas mãos entrelaçadas sobre a barriga que agora abrigava um pequeno exército de amor.
— Um menino e uma menina — ela sussorrou, maravilhada. — A Alana vai pirar.
— Eu já pirei — admiti, dando outra risada.
O choque inicial tinha virado uma euforia pura, limpa. Dois. Era o dobro de tudo. Do dobro de trabalho, sim, mas principalmente do dobro de amor, de risada, de futuro.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...