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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 479

O mundo desmoronou e explodiu em silêncio. O ar foi sugado da sala e eu olhei para a tela, depois para a barriga de Lorena, depois de volta para a tela.

Dois. Dois corações. Dois conjuntos de braços e pernas que eu mal conseguia distinguir na confusão de sombras.

Lorena gemeu ao meu lado, um som de puro choque. Sua mão agarrou a minha com uma força de sobrevivente.

— O quê? — ela sussurrou, incrédula.

— Gêmeos — a médica confirmou, feliz. E então, com habilidade, começou a isolar as imagens na tela. — Vejam aqui. Um aqui, mais quietinho… e o outro aqui, se mexendo mais. Vejam, dois sacos gestacionais distintos, duas placentas… são gêmeos dizigóticos, o que chamamos de bivitelinos. O mais comum e, geralmente, com menos riscos.

Eu não ouvia mais nada técnico. Gêmeos.

A palavra ecoava dentro do meu crânio como um gongo. Dois bebês…

A logística, o perigo, o trabalho, o sustento… tudo passou pela minha cabeça em um turbilhão de pânico prático que durou meio segundo.

E então, foi varrido por uma onda de alegria tão absoluta, tão avassaladora, que pensei que ia levitar da cadeira.

Dois. Um pedaço de cada um de nós, multiplicado.

Um riso escapou da minha garganta, um som rouco e descontrolado. Olhei para Lorena e seu rosto estava pálido, os olhos arregalados como pratas, cheios de lágrimas que ainda não caíam.

Ela parecia não conseguir processar.

— Um casal — a voz da Dra. Helena nos trouxe de volta.

Ela estava apontando para a tela, com um traço de orgulho na voz, como se tivesse nos presenteado com o universo.

— Olhem aqui. Este, mais reservadinho, é a menina. E este, o danadinho que não para quieto… é o menino.

Um casal. Menina e menino.

Lorena finalmente soltou o ar num grande e trêmulo suspiro, e as lágrimas rolaram. Mas era um sorriso que tomava conta do rosto dela, um sorriso de espanto e de uma felicidade tão profunda que iluminou a sala.

Ela olhou para mim, e seus olhos diziam tudo.

Eu me levantei da cadeira, quase a derrubando, e me inclinei sobre ela, não importando a médica, não importando nada.

Beijei sua boca, seu rosto molhado, sua testa.

— Dois — sussurrei contra sua pele, minha voz completamente quebrada. — Amor, são dois. Um casal.

Ela riu entre lágrimas, seus braços me puxando para mais perto.

— Eu não acredito. Rafael, dois bebês!

— Você é incrível — foi tudo que consegui dizer, com a emoção me engasgando.

Eu, que tinha enfrentado homens armados sem piscar, estava completamente desarmado por duas imagens em uma tela e pelo sorriso radiante da mulher que carregava meus filhos.

A Dra. Helena nos deixou por alguns minutos, sorrindo, dizendo que ia buscar algumas imagens para imprimir.

Ficamos ali, eu curvado sobre Lorena na maca, nossas testas encostadas, rindo e chorando como malucos, nossas mãos entrelaçadas sobre a barriga que agora abrigava um pequeno exército de amor.

— Um menino e uma menina — ela sussorrou, maravilhada. — A Alana vai pirar.

— Eu já pirei — admiti, dando outra risada.

O choque inicial tinha virado uma euforia pura, limpa. Dois. Era o dobro de tudo. Do dobro de trabalho, sim, mas principalmente do dobro de amor, de risada, de futuro.

Eu sorri, espremendo a mão de Lorena. Ver aquela ansiedade pura, esse deslumbramento, era um remédio para qualquer sombra que ainda tentasse se agarrar às minhas costas.

Há um ano, aquela criança mal erguia a voz em casa. Agora, era um furacão de curiosidade e alegria.

— Calma, princesa. Já estamos aqui — disse, puxando-a suavemente pelo cinto quando o sinal de afivelar os cintos apagou.

O translado para a pousada foi uma aventura em si. Alana não parava quieta, apontando para cada flor exótica, os macaquinhos que atravessavam a estrada, para os riachos de água cristalina que cortavam a floresta.

Lorena observava tudo com um sorriso sereno no rosto e uma mão pousada na barriga que agora, sabendo que abrigava dois, parecia ainda mais sagrada para mim.

O enjoo das primeiras semanas tinha dado uma trégua, e ela estava radiante, com um brilho nos olhos que vinha de dentro.

A pousada era um sonho. Feita de pedra e madeira escura, parecia ter brotado da própria encosta, com vista direta para uma enseada de águas calmas e areia dourada.

Alana mal esperou a gente despachar as malas no bangalê e ela já estava tirando o shorts por cima do maiô, como uma bola de energia nervosa.

— Posso ir? Posso ir ver o mar? — ela implorou, pulando de um pé no outro.

Lorena riu.

— Vai, minha filha. Mas só molhar os pés, hein? O Rafael vai com você.

Peguei a mão pequena e suada dela e descemos a trilha de pedras que levava à praia privativa.

O calor era forte, mas a brisa do mar trazia um frescor.

O cheiro de sal e areia molhada era uma memória distante da minha infância, de raras viagens com meus pais, e agora era presente puro.

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