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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 476

Alana estava segura e feliz na casa dos meus pais, com uma desculpa de noite das meninas que ela aceitou com entusiasmo quando soube que a vovó faria panquecas no formato de unicórnio.

Só o Eduardo sabia. E cada vez que eu lembrava do olhar dele, do abraço, sentia um pouco mais de coragem.

Você merece isso, ele disse.

O barulho de um carro na calçada fez meu coração parar e depois disparar em um galope desenfreado.

Ouvi o portão eletrônico roncar, os pneus no cascalho da entrada. Era ele.

Fiquei paralisada no meio da sala, com minhas mãos suadas esfregando uma na outra. A porta da frente se abriu, e ele entrou como uma tempestade de energia contida.

Com uma mochila de viagem num ombro, o casaco de couro meio aberto, e o rosto marcado por cansaço e pela poeira da estrada.

Mas quando seus olhos me encontraram, toda a fadiga pareceu evaporar, substituída por um calor intenso que me atravessou da cabeça aos pés.

— Lorena — ele disse, e meu nome na boca dele, depois de quatro dias, foi como o primeiro gole de água no deserto.

Ele deixou a mochila cair no chão com um baque e cruzou a sala em três passos largos.

Não dei tempo para um "oi". Ele me puxou contra si, uma das mãos nas minhas costas, a outra enterrada nos meus cabelos, e seus lábios encontraram os meus em um beijo que não tinha nada de saudade tímida.

Era posse, fome e um restabelecimento de território.

Era "estou em casa, e você é minha".

Eu me derreti contra ele, meus braços encontrando seu pescoço e meus dedos se perdendo nos fios mais curtos da nuca.

O seu cheiro de leve suor, viagem e a essência única que era só dele, me invadiu, e por um momento, esqueci de todo o nervosismo, do segredo, de tudo, exceto do gosto dele e da solidez do seu corpo contra o meu.

Quando nos separamos, estávamos ambos sem ar. Ele descansou a testa na minha, seus olhos escuros queimando perto dos meus.

— Senti sua falta — ele respirou, com a voz rouca. — Cada segundo.

— Eu também — sussurrei, e era a verdade mais pura que eu conhecia.

Ele então olhou em volta, seu cérebro de protetor ligando automaticamente. —

E a Alana? Tá tudo tão calmo.

— Tá tudo ótimo — respondi, com um sorriso genuíno tocando meus lábios. — Ela está na casa dos meus pais, vai passar a noite lá.

O sorriso que se espalhou no rosto dele foi lento, deliberado e profundamente sensual.

Seus olhos percorreram meu rosto, pescoço e corpo, como se estivesse vendo pela primeira vez.

— É mesmo? — sua voz ficou mais baixa e áspera. — Então hoje… hoje eu posso fazer você gritar meu nome sem me preocupar em acordar a pequena.

Um calor intenso subiu do meu peito até meu rosto, queimando minhas bochechas. Corei, mas era um rubor de desejo, não de vergonha.

Ele me beijou de novo, rápido e promissor, e então soltou-me, pegando a mochila.

— Vou subir e tomar um banho rápido. Tirar esse cheiro de estrada. Aí a gente sai e te levo num lugar legal pra jantar. Você merece.

Ele começou a subir as escadas, e eu o segui, com meu coração batendo tão forte que eu temia que ele ouvisse. Cada degrau era um passo mais perto. Ele abriu a porta do nosso quarto, ainda falando sobre um restaurante italiano novo.

E então, parou.

Seu olhar, que vagueava pela sala, fixou-se na cama. Na pequena caixa preta, de cetim, pousada precisamente no meio da colcha azul.

— O que é isso? — ele perguntou, virando-se para mim com um meio sorriso curioso e uma sobrancelha levemente arqueada. — Já começou a surpresa? É uma lingerie? Porque você sabe que a melhor surpresa é você sem nada, amor.

Ele estava brincando, no tom dele, carregado de lascívia e intimidade.

Eu ri, um som meio trêmulo.

— Abre logo a caixa, Rafael.

Ele olhou para mim por um segundo, com a curiosidade substituindo a brincadeira. Então se aproximou da cama e pegou a caixa. Era leve e ele a balançou suavemente perto do ouvido, como uma criança.

— Não faz barulho.

— Rafael! — eu exigi, minhas mãos suando novamente.

Ele sorriu, um sorriso de quem está se divertindo com meu suspense, e puxou a fita delicada que a mantinha fechada.

A tampa saiu.

Ele olhou para dentro.

E todo o ar pareceu sair do quarto.

O seu rosto mudou tão completamente, tão rápido, que foi como ver uma máscara de pedra rachar. Os olhos, que estavam brincalhões e cansados, arregalaram-se em surpresa.

A estava boca entreaberta e todos os músculos do seu rosto pareceram congelar no lugar, presos em uma expressão de choque absoluto.

Dentro da caixa, sobre um pedaço de seda preta, estavam dois sapatinhos de bebê minúsculos.

De pelúcia cinza-claro, com uma pequena fita azul celeste amarrada em cada um. Abaixo deles, dobrado, estava o exame de sangue, com a palavra POSITIVO claramente visível.

Ele me puxou para outro abraço esmagador, mas cuidadoso, como se eu fosse de porcelana. Eu ri entre lágrimas, afundando meu rosto no seu pescoço, sentindo o pulso acelerado dele contra minha pele.

— Você tá feliz? — perguntei, num sussurro contra ele, precisando ouvir de novo.

Ele se afastou o suficiente para me encarar, suas mãos ainda em minha cintura.

— Feliz? Lorena, eu tô… completo. É isso. Eu não sabia que faltava isso, mas agora que sei… — ele balançou a cabeça, sem palavras.

Então me beijou de novo, rápido, e se virou para pegar a caixa na cama. Pegou um dos sapatinhos minúsculos, segurando-o na palma da mão como se fosse a joia mais rara do mundo.

— Tão pequeno. — Sua voz estava cheia de um toque adorável.

Ele colocou o sapatinho de volta com cuidado e pegou o exame, seus olhos percorrendo cada linha, parando no "POSITIVO".

Um sorriso bobo e completamente desprovido de qualquer cinismo ou dureza, tomou conta do seu rosto.

— Vou emoldurar isso — ele declarou, sério.

Eu ri, limpando as lágrimas.

— Não vai não, é ridículo!

— Vou, sim. É o documento mais importante da minha vida. — Ele olhou para mim, e o humor deu lugar a uma paixão intensa.

Ele deixou a caixa de lado e voltou sua atenção completamente para mim.

— O jantar pode esperar.

— Eu suspeitava que você diria isso — respondi, meu próprio desejo acordando, alimentado pela emoção crua do momento.

Ele me beijou, e desta vez o beijo era fogo puro.

A reverência deu lugar a uma celebração carnal, urgente. Suas mãos, que seguravam meu rosto com tanta ternura minutos antes, agora percorriam meu corpo com uma posse renovada, um desejo que era multiplicado por mil pela nova verdade que carregamos.

— Eu vou comemorar com você — ele sussurrou contra minha boca, suas mãos encontrando o zíper do meu vestido. — Vou comemorar a gente. Vou comemorar ele… ou ela.

E ele o fez.

Com uma mistura de fúria contida e uma delicadeza que me tirou o fôlego, ele me amou.

Cada toque, cada beijo, cada palavra sussurrada na pele parecia carregar o peso do nosso segredo compartilhado.

Era diferente de todas as outras vezes. Era mais profundo e mais conectado. Quando finalmente nos perdemos um no outro, foi com a sensação de que não éramos apenas dois corpos se unindo, mas sim uma família se selando, expandindo e se tornando real de uma vez por todas.

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