A babá contratada, uma senhora gentil chamada Dona Iolanda, apareceu na porta da sala, pronta para ir embora.
Alana se despediu com um beijo e foi correndo pegar seus desenhos das espiãs. Eu agradeci a Dona Iolanda e a vi sair.
Na manhã seguinte, o enjoo veio como uma maré alta e previsível. Consegui controlá-lo com biscoitos de água e sal e respirações profundas.
A Alana, felizmente, estava muito mais interessada no passeio do que nos meus momentos de palidez súbita.
No carro a caminho do hospital, ela não parava quieta.
— A Joyce vai gostar do meu novo desenho, mãe. Eu desenhei as três espiãs com ela no meio! Ela ia ser a quarta espiã, a mais forte!
— Ela vai adorar, meu amor — respondi, meus dedos apertando o volante.
A força da Joyce. Se ela soubesse…
O corredor do hospital parecia mais longo a cada visita. O cheiro, mais impregnado, mas a presença da Alana, sua mão pequena e confiante na minha, era um talismã contra o desespero.
Entramos no quarto e a cena era sempre a mesma, mas mesmo assim, um soco no estômago.
Joyce, estava imóvel, com os fios de cabelo castanho espalhados no travesseiro branco e os monitores apitando.
O ar estava fresco, limpo, mas carregado daquela quietude pesada.
Alana soltou minha mão e foi direto para a cadeira que ficava perto da cama. Puxou, subiu nela com a agilidade de uma macaquinha e se inclinou para perto do rosto de Joyce.
— Oi, Joyce. Tô aqui e trouxe um desenho novo.
Sua voz era um sussurro sério, cheio de importância. Ela pegou uma folha dobrada da mochila e a abriu, mostrando para o rosto impassível.
— Olha. São as Três Espiãs e essa no meio, de azul, é você. Porque você é forte, igual elas. A Sam tem cabelo como o seu.
Meu coração se apertou tanto que doeu. Fiquei parada perto da porta, observando. Minha filha, com sua fé absoluta, conversando com ela, acreditando que cada palavra era ouvida.
— Sinto muita saudade de você — a voz da Alana ficou um pouco trêmula. — Você pode acordar logo? A gente tem muito desenho novo pra ver. E você prometeu me ensinar a fazer aquela massa de modelar que não gruda. Meu aniversário tá chegando e eu quero você lá. Vai ser das Três Espiãs. Você vai gostar.
A única resposta era o *bip… bip… bip…* constante do monitor cardíaco, um metrônomo frio para a cena mais terna do mundo.
Alana não parecia se importar. Ela continuou falando, baixinho, contando sobre a escola, sobre a vovó, e que o Rafael tinha viajado.
Foi quando a porta se abriu suavemente atrás de mim e Eduardo apareceu.
Ele parecia um pouco menos acabado hoje. A barba estava aparada, a camisa limpa e seus olhos, ao entrar, foram direto para a cama, e um raio de algo macio iluminou seu rosto por um segundo antes que a máscara do cansaço voltasse.
Alana o viu e seu rosto se iluminou.
— Tio Edu!
Ela pulou da cadeira e correu para ele. Eduardo se abaixou e a pegou no colo em um abraço que a envolveu completamente.
Ela enterrou o rosto no pescoço dele, e ele a segurou como se fosse a coisa mais preciosa do mundo, fechando os olhos por um breve instante.
Aquela cena… meu irmão e minha filha. A proximidade que eu sempre sonhei, estava finalmente acontecendo.
Lágrimas quentes ameaçaram meus olhos e eu desviei o olhar, limpando disfarçadamente o canto do olho.
Eduardo colocou a Alana no chão e ela correu de volta para Joyce, pegando o desenho para mostrar melhor.
Ele então se aproximou de mim, seu olhar profissional escaneando meu rosto.
Irmão mais velho e policial, um combo impossível de enganar.
— Tudo bem? — perguntou baixinho, com seu olhar fixo no meu. — Você parece… tensa. Mais do que o normal.
Suspirei, com um som profundo que parecia vir dos meus pés. Como eu poderia dizer?
— É… muita coisa — respondi, vaga, evitando seu olhar. — A viagem do Rafael, o trabalho… o aniversário da Alana. Só cansaço acumulado.
Ele não pareceu convencido. Seus olhos estreitaram um pouco, percorrendo meu rosto pálido e meus olhos que eu sabia estarem um pouco mais fundos.
— Você tá com cara de quem não dorme. Ou de quem tá enjoada.
Acomodei Alana no assento de trás, prendi o cinto com cuidado e fechei a porta, deixando uma fresta para o ar.
Ela já tinha fechado os olhos, seu rosto de anjo repousando contra o apoio de cabeça. Meu coração se apertou de amor e de uma nova camada de proteção, mais feroz do que nunca.
Fiquei parada do lado de fora do carro, olhando para o Eduardo, que esperava com as mãos nos bolsos e o rosto ainda marcado pela tensão do quarto de hospital e pela preocupação comigo.
— Edu — chamei, baixinho.
Ele se aproximou, os passos silenciosos no asfalto.
— Precisa de alguma coisa?
Eu balancei a cabeça, mas não me movi.
A necessidade de falar e compartilhar o peso que estava me esmagando por dentro, era mais forte do que o medo.
Dei três passos para o lado, me afastando um pouco mais da janela aberta do carro, mesmo sabendo que a Alana estava em um sono profundo.
Ele me seguiu, seu olhar de policial já em alerta máximo.
— Lorena, fala. O que tá acontecendo? Você tá branca feito papel.
Um sorriso tonto e nervoso escapou dos meus lábios.
— Eu tô bem, Edu. Sério. É que… é uma coisa boa. Eu acho.
Ele franziu a testa, completamente perdido.
— Uma coisa boa te deixa com cara de quem viu um fantasma?
Respirei fundo sentindo que o ar parecia espesso. Olhei para o chão, para os pés dele e então ergui o olhar, encarando-o diretamente.
Não havia jeito fácil de dizer aquilo.
— Eu estou grávida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Olá É a historia da Milena e do Nikolas onde posso ler. A continuação onde encontro?...
Cadê as atualizações??? Desde fevereiro O que aconteceu??...
Pk já não tem atualização dos capítulos ?...
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....