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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 474

A babá contratada, uma senhora gentil chamada Dona Iolanda, apareceu na porta da sala, pronta para ir embora.

Alana se despediu com um beijo e foi correndo pegar seus desenhos das espiãs. Eu agradeci a Dona Iolanda e a vi sair.

Na manhã seguinte, o enjoo veio como uma maré alta e previsível. Consegui controlá-lo com biscoitos de água e sal e respirações profundas.

A Alana, felizmente, estava muito mais interessada no passeio do que nos meus momentos de palidez súbita.

No carro a caminho do hospital, ela não parava quieta.

— A Joyce vai gostar do meu novo desenho, mãe. Eu desenhei as três espiãs com ela no meio! Ela ia ser a quarta espiã, a mais forte!

— Ela vai adorar, meu amor — respondi, meus dedos apertando o volante.

A força da Joyce. Se ela soubesse…

O corredor do hospital parecia mais longo a cada visita. O cheiro, mais impregnado, mas a presença da Alana, sua mão pequena e confiante na minha, era um talismã contra o desespero.

Entramos no quarto e a cena era sempre a mesma, mas mesmo assim, um soco no estômago.

Joyce, estava imóvel, com os fios de cabelo castanho espalhados no travesseiro branco e os monitores apitando.

O ar estava fresco, limpo, mas carregado daquela quietude pesada.

Alana soltou minha mão e foi direto para a cadeira que ficava perto da cama. Puxou, subiu nela com a agilidade de uma macaquinha e se inclinou para perto do rosto de Joyce.

— Oi, Joyce. Tô aqui e trouxe um desenho novo.

Sua voz era um sussurro sério, cheio de importância. Ela pegou uma folha dobrada da mochila e a abriu, mostrando para o rosto impassível.

— Olha. São as Três Espiãs e essa no meio, de azul, é você. Porque você é forte, igual elas. A Sam tem cabelo como o seu.

Meu coração se apertou tanto que doeu. Fiquei parada perto da porta, observando. Minha filha, com sua fé absoluta, conversando com ela, acreditando que cada palavra era ouvida.

— Sinto muita saudade de você — a voz da Alana ficou um pouco trêmula. — Você pode acordar logo? A gente tem muito desenho novo pra ver. E você prometeu me ensinar a fazer aquela massa de modelar que não gruda. Meu aniversário tá chegando e eu quero você lá. Vai ser das Três Espiãs. Você vai gostar.

A única resposta era o *bip… bip… bip…* constante do monitor cardíaco, um metrônomo frio para a cena mais terna do mundo.

Alana não parecia se importar. Ela continuou falando, baixinho, contando sobre a escola, sobre a vovó, e que o Rafael tinha viajado.

Foi quando a porta se abriu suavemente atrás de mim e Eduardo apareceu.

Ele parecia um pouco menos acabado hoje. A barba estava aparada, a camisa limpa e seus olhos, ao entrar, foram direto para a cama, e um raio de algo macio iluminou seu rosto por um segundo antes que a máscara do cansaço voltasse.

Alana o viu e seu rosto se iluminou.

— Tio Edu!

Ela pulou da cadeira e correu para ele. Eduardo se abaixou e a pegou no colo em um abraço que a envolveu completamente.

Ela enterrou o rosto no pescoço dele, e ele a segurou como se fosse a coisa mais preciosa do mundo, fechando os olhos por um breve instante.

Aquela cena… meu irmão e minha filha. A proximidade que eu sempre sonhei, estava finalmente acontecendo.

Lágrimas quentes ameaçaram meus olhos e eu desviei o olhar, limpando disfarçadamente o canto do olho.

Eduardo colocou a Alana no chão e ela correu de volta para Joyce, pegando o desenho para mostrar melhor.

Ele então se aproximou de mim, seu olhar profissional escaneando meu rosto.

Irmão mais velho e policial, um combo impossível de enganar.

— Tudo bem? — perguntou baixinho, com seu olhar fixo no meu. — Você parece… tensa. Mais do que o normal.

Suspirei, com um som profundo que parecia vir dos meus pés. Como eu poderia dizer?

— É… muita coisa — respondi, vaga, evitando seu olhar. — A viagem do Rafael, o trabalho… o aniversário da Alana. Só cansaço acumulado.

Ele não pareceu convencido. Seus olhos estreitaram um pouco, percorrendo meu rosto pálido e meus olhos que eu sabia estarem um pouco mais fundos.

— Você tá com cara de quem não dorme. Ou de quem tá enjoada.

Cap.173 1

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