~ MAITÊ ~
— Onde você pensa que vai?
Marco. Claro que era Marco.
Suspirei fundo, fechando os olhos por um breve segundo antes de me virar completamente para encará-lo. Ele estava de pé ali, ainda de camisa amassada e cabelo bagunçado de ter dormido, mas os olhos completamente alertas. E furiosos.
— Eu preciso fazer isso — disse, mantendo minha voz firme apesar do coração acelerado. — Preciso salvar nossa filha.
— O que você recebeu naquele celular? — ele perguntou, dando um passo mais perto. Sua mão ainda segurava meu braço, não com força para machucar, mas o suficiente para me impedir de entrar no carro. — Aquela mensagem que você disse que era spam. O que era, Maitê?
Não adiantava mentir agora. Ele já sabia. Sempre soube.
— Uma mensagem de Vivianne — admiti, levantando o queixo desafiadoramente. — Ela quer que eu vá a um determinado lugar. Sozinha. E eu vou.
— Não — Marco disse imediatamente, sua voz saindo dura como aço. — Não, você não vai. Vamos entregar isso à...
— À polícia? — explodi, arrancando meu braço do dele com um movimento brusco. — Vamos entregar isso à polícia que você mesmo admitiu que não podemos confiar cegamente? É sério, Marco? Depois de tudo que você disse sobre Dominic ter conexões, sobre não podermos confiar em ninguém, agora você quer que eu entregue a única pista que tenho para encontrar minha filha para a polícia?
— Já cuidei disso, Maitê — ele disse, passando a mão pelo cabelo em frustração. — Aurora é cidadã italiana tanto quanto brasileira. O consulado está no caso. A Interpol vai emitir um alerta vermelho. É um caso de sequestro internacional agora, eles estão investigando e...
— E perdendo tempo! — gritei, e minha voz ecoou pelo estacionamento vazio. — Estão perdendo tempo enquanto eu sei onde minha filha está! Ou pelo menos sei onde posso encontrar informações sobre onde ela está. Eu estou indo para lá, Marco.
— Não seja burra! — ele retrucou, e vi a frustração e o medo nos olhos dele. — Você vai dar exatamente o que eles querem. Vai se entregar de bandeja para Dominic. É isso que ele quer, Maitê! Você!
Algo dentro de mim estourou.
— Burra? — repeti, minha voz saindo baixa e perigosa. Dei um passo em direção a ele, encarando-o diretamente. — Burra? Eu não sou burra, Marco. Eu sou uma mãe desesperada. E enquanto houver a menor possibilidade de estarem com uma arma apontada para a cabeça da minha filha, enquanto houver a chance de machucarem ela, de assustarem ela, eu vou fazer o que eles quiserem. Entendeu? Eu vou.
Tentei me virar, tentei abrir a porta do carro novamente, mas Marco segurou meu braço com mais firmeza desta vez.
— Eu não vou deixar você se matar no processo — ele disse, e sua voz estava quebrada agora. — Não vou perder você. Não posso.
E ali estava. A verdade por trás de toda a raiva, de toda a tentativa de me controlar, de me proteger.
Parei de lutar. Virei-me para ele completamente e levei as duas mãos ao rosto dele, segurando com carinho, forçando-o a me olhar nos olhos.
— Você não entende, não é? — disse suavemente, mas com firmeza. — Você tem que parar de tentar me manter em uma redoma por causa de coisas que aconteceram no seu passado.
Aproveitei o momento de hesitação dele para me virar e finalmente abrir a porta do carro. Entrei no banco do motorista, coloquei a chave na ignição.
Minha mão estava tremendo. Tudo em mim estava tremendo. Mas não podia mostrar fraqueza agora. Não podia deixar Marco ver o quanto eu estava apavorada, porque se ele visse, ia tentar me impedir de novo.
Estava prestes a dar a partida quando a porta do lado do passageiro se abriu abruptamente.
Marco entrou no carro e se sentou, fechando a porta atrás de si com um movimento firme. Seus olhos encontraram os meus, e havia algo diferente neles agora. Determinação. Resignação. E amor. Tanto amor que doía olhar.
— Você só se esquece de duas coisas, Maitê — ele disse, e sua voz estava calma agora. Controlada. — Primeiro: Aurora é minha filha também. E eu quero protegê-la tanto quanto você. E eu entendo... eu entendo que eu não possa colocar você em uma redoma. Mas minha filha recém-nascida? Ela precisa de mim!
Ele se inclinou, tirando as chaves da minha mão antes que eu pudesse protestar, e saiu do carro novamente. Contornou pela frente, abrindo a porta do motorista.
— E segundo — ele continuou, deslizando para o banco do motorista enquanto eu automaticamente me movia para o do passageiro, ainda processando o que estava acontecendo. — Eu também sou responsável pelas minhas decisões. Você pode tomar as suas, e eu respeito isso. Mas eu também tomo as minhas.
Ele colocou a chave na ignição e me olhou.
— E eu vou com você.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Ja tem uns 2 dias que não desbloqueiam os capítulos, parou no capítulo 714 e nada... Afff...
Então, cade os capítulos? Parou no 731 e não segue mais, acabou?...
Não entendi nada. Cadê os extras autora. Já terminou o livro?...
Alguém me indica um livro parecido com esse. Gostei muito...
Eu queria um site pra ler todo o livro...
Acabou foi? Não entendi nada.....
Primeira vez que leio um livro do início ao fim, na qual flutuei imaginando até os cenários. Vou sentir saudades 🥺...
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...