~ MAITÊ ~
— NÃO!
O grito saiu de mim antes mesmo que conseguisse processar completamente o que tinha acontecido. Vi Marco cambalear. Vi sua expressão de surpresa e dor. Vi ele levar a mão ao corpo instintivamente.
— NÃO, NÃO, NÃO!
Corri para ele, meus joelhos atingindo o chão de concreto no mesmo momento em que ele desabou. Segurei-o antes que sua cabeça batesse no chão, puxando-o para o meu colo.
— Marco, não, por favor, não — chorava, minha voz quebrando completamente. — Fica comigo, amor, por favor, fica comigo!
Seus olhos encontraram os meus. Azuis. Aqueles olhos azuis que Aurora tinha herdado. Mas estavam turvos agora, a dor neles me partindo em pedaços.
Ele tentou falar, sua boca se abrindo, mas apenas um som estrangulado saiu. Tentou de novo, forçando as palavras para fora com esforço visível.
— Salva... — ele sussurrou, tão baixo que quase não ouvi. — Salva... nossa filha...
— Não! — gritei, apertando-o mais contra mim. — Não me deixa! Marco, não me deixa! Eu preciso de você! Aurora precisa de você! Não pode nos deixar!
Mas seus olhos já estavam se fechando. O corpo ficando mais pesado nos meus braços. A respiração tornando-se superficial, irregular.
— MARCO! — gritei seu nome tão alto que minha garganta doeu. — MARCO, ACORDA! POR FAVOR! NÃO FAZ ISSO COMIGO!
A dor era tão intensa que me cegava para tudo. Não via mais o galpão. Não via mais Vivianne. Não via mais nada exceto Marco nos meus braços, desvanecendo, me deixando.
Era como se o mundo tivesse se reduzido a apenas nós dois. Eu e ele. E ele me escapando pelos dedos.
— Não, não, não, não — repetia como um mantra quebrado, balançando para frente e para trás com ele nos meus braços. — Você não pode morrer. Não pode. Eu te amo. Eu te amo tanto. Por favor, não me deixa. Por favor...
Lágrimas escorriam pelo meu rosto. Meu peito doía tanto que mal conseguia respirar. Era como se alguém tivesse arrancado meu coração e o esmagado bem na minha frente. Como se cada pedaço de mim estivesse sendo dilacerado.
O universo não podia ser tão cruel. Não podia tirar ele de mim. Não assim. Não agora. Não quando finalmente tínhamos tudo. Uma família. Uma filha. Um futuro.
— Marco, por favor — sussurrei contra seu cabelo, beijando sua testa, seu rosto, qualquer parte dele que conseguisse alcançar. — Não me deixa sozinha. Não nos deixa. Eu não sei fazer isso sem você. Não sei ser forte sem você. Preciso de você. Aurora precisa de você.
Mas ele não respondeu. Não se mexeu. Apenas continuou ali, pesado e imóvel nos meus braços.
E foi essa imobilidade, esse silêncio, que finalmente me quebrou completamente. Soluços rasgaram minha garganta, tão violentos que meu corpo inteiro sacudiu. A dor era física, visceral, insuportável.
E então lembrei.
Vivianne.
A dor se transformou em raiva. Raiva tão intensa e ardente que queimou através do desespero, através da agonia, através do medo. Me deu força quando não deveria ter nenhuma.
Coloquei Marco cuidadosamente no chão e me levantei, meus movimentos mecânicos, automáticos, como se meu corpo estivesse funcionando sem que meu cérebro estivesse realmente conectado.
A menção de minha filha, a ameaça implícita, me fez tremer.
— Onde... — minha voz saiu rouca, quebrada. Tentei de novo. — Onde ela está?
— Com Dominic — Vivianne respondeu simplesmente. — Esperando por você. Esperando por mamãe.
Olhei para trás, para Marco ainda caído no chão, imóvel. Cada fibra do meu ser gritava para voltar, para ficar com ele, para não deixá-lo sozinho.
Dei um passo em sua direção, as pernas bambas, a visão embaçada pelas lágrimas que não paravam de cair.
— Não — Vivianne disse firmemente, e a arma se moveu, apontando novamente. — Você não pode fazer mais nada por ele agora — Vivianne interrompeu, sua voz fria. — Mas você pode fazer pela sua filha.
Fiquei ali, paralisada, dividida ao meio. Marco. Aurora. O homem que amava e a filha que mal conhecia. Como escolher? Como decidir?
Mas não havia escolha, realmente. Marco tinha dito. Suas últimas palavras. Salva nossa filha.
Ainda assim, não consegui me mover. Não consegui dar o passo que me afastaria dele, que me levaria para longe.
Vivianne perdeu a paciência.
Caminhou até mim com passos firmes e agarrou meu braço com força. Seus dedos se cravaram em minha pele, me puxando.
— Chega — ela disse, sua voz baixa e perigosa. — Dominic não gosta de esperar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Ja tem uns 2 dias que não desbloqueiam os capítulos, parou no capítulo 714 e nada... Afff...
Então, cade os capítulos? Parou no 731 e não segue mais, acabou?...
Não entendi nada. Cadê os extras autora. Já terminou o livro?...
Alguém me indica um livro parecido com esse. Gostei muito...
Eu queria um site pra ler todo o livro...
Acabou foi? Não entendi nada.....
Primeira vez que leio um livro do início ao fim, na qual flutuei imaginando até os cenários. Vou sentir saudades 🥺...
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...