Entrar Via

Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 502

~ MAITÊ ~

Vivianne me empurrou para dentro de um carro — um sedan escuro estacionado atrás do galpão — e entrou no banco do motorista. Deu a partida e saiu em alta velocidade, os pneus cantando no asfalto.

Fiquei sentada no banco do passageiro, completamente entorpecida. Não chorei. Não gritei. Apenas olhei pela janela enquanto a paisagem passava, cada vez mais escura, cada vez mais isolada.

Ela dirigiu por cerca de quinze minutos, afastando-nos ainda mais da cidade, entrando em estradas de terra, passando por áreas completamente desertas.

E então entendi. O endereço que Vivianne tinha mandado. Nunca foi o destino final. Foi uma armadilha. Um teste. Se eu viesse acompanhada — e vim — eles se livrariam da companhia antes. Exatamente como fizeram.

Marco. Deus, Marco.

A dor ameaçou me consumir novamente, mas forcei para baixo. Não podia pensar nele agora. Não podia me deixar quebrar. Ainda não. Aurora precisava de mim. Precisava que eu fosse forte.

O carro finalmente parou em frente a uma casa antiga. Não era grande, mas era isolada, cercada por árvores e vegetação densa. Nenhuma luz de outras casas por perto. Nenhum som de carros ou pessoas.

O lugar perfeito para fazer o que quisesse sem ser incomodado.

Vivianne saiu do carro e abriu minha porta, me puxando para fora sem delicadeza. Caminhamos até a entrada da casa — uma porta de madeira velha que rangia ao se abrir.

O interior era surpreendentemente arrumado. Mobília antiga mas limpa. Luzes acesas. Como se alguém tivesse preparado tudo cuidadosamente. Como se estivesse esperando.

Olhei ao redor, meu coração acelerado, procurando por qualquer sinal dela. De Aurora. De minha filha.

— Cadê minha filha? — perguntei, e minha voz saiu rouca, quebrada.

Vivianne me soltou e caminhou alguns passos à frente, virando-se para me encarar.

— Primeiro Dominic quer ver você.

A raiva inflamou dentro de mim por um breve segundo, queimando através do entorpecimento.

— Vamos acabar logo com isso, então — disse através de dentes cerrados.

Vivianne balançou a cabeça lentamente.

— Ainda não.

E então apontou para um canto da sala.

Segui seu olhar e senti o ar sair completamente dos meus pulmões.

Um vestido de noiva. Pendurado em um cabide. Branco, imaculado, com detalhes em renda.

Não era qualquer vestido de noiva.

Era aquele vestido. O vestido que eu tinha usado no dia do meu casamento frustrado com Dominic. O vestido que estava usando quando saí correndo. Quando pulei na garupa de uma moto com um completo estranho. Quando minha vida mudou completamente.

— Ele quer... — minha voz falhou. Tentei de novo, mas as palavras não queriam sair. — Ele quer...?

Vivianne suspirou, e notei um leve tom de cansaço em sua voz também. Como se ela estivesse tão exausta quanto eu. Como se estivesse tão presa nessa loucura quanto eu estava.

— Só veste o vestido, Maitê — ela disse, sem me olhar nos olhos. — Nessa altura você já deveria saber como as coisas funcionam com Dominic.

Olhei para o vestido, e foi como se tudo voltasse de uma vez. Aquele dia. A traição. O pânico crescendo dentro de mim enquanto me aproximava do altar. A certeza absoluta de que não podia fazer aquilo. Não podia me casar com Dominic. Não podia passar o resto da minha vida presa a ele.

E então corri. Não pensei duas vezes antes de pular na garupa daquela moto. Não hesitei. Não questionei. Apenas pulei e gritei para ele ir embora. E ele foi. Levou-me para longe. Para segurança. Para liberdade.

Algo que deveria ter sido um lance de uma noite entre dois desconhecidos que nem ao menos queriam trocar nomes verdadeiros. Algo casual. Sem consequências.

Mas não foi. Transformou-se no grande amor da minha vida. Em Marco. Em nossa família. Em Aurora.

E agora ele estava lá. Caído no chão de um galpão. Imóvel. Morto.

Por minha causa.

E Aurora? Nem sabia onde minha filha estava. Se estava bem. Se estava assustada. Se estava chorando e ninguém a consolava.

— Veste o vestido, Maitê.

Esta Maitê... esta Maitê tinha acabado de perder tudo.

— Vamos — Vivianne disse, pegando meu braço novamente.

Me guiou através da casa, passando por uma cozinha antiga, por um corredor estreito, até chegarmos a uma porta dos fundos.

Ela a abriu, e o ar noturno entrou, trazendo cheiro de terra e flores.

Um jardim. Pequeno, mas meticulosamente arrumado. Havia cadeiras dispostas em fileiras, como em um casamento. Todas vazias. Nenhum convidado. Nenhuma testemunha.

Luzes de cordão penduradas nas árvores ao redor, criando uma iluminação suave e romântica que contrastava grotescamente com o horror da situação.

E bem no fundo, um altar improvisado. Arco de flores. Tapete branco no chão.

E lá, esperando, estava Dominic.

Ele vestia um terno impecável. Cabelo perfeitamente arrumado. Um sorriso nos lábios quando me viu.

Como se isso fosse normal. Como se isso fosse aceitável. Como se ele não tivesse acabado de mandar atirar no homem que eu amava. Como se não tivesse sequestrado minha filha.

Vivianne me empurrou suavemente para a frente, me guiando pelo corredor improvisado entre as cadeiras vazias.

Cada passo era tortura. Cada passo me levava mais perto dele. Mais longe de qualquer chance de escapar.

Mas Aurora. Precisava encontrar Aurora.

Então continuei andando. Um pé na frente do outro. O vestido arrastando no chão. As mãos tremendo.

Até que finalmente cheguei ao altar.

Dominic me olhou de cima a baixo, aquele sorriso nunca saindo de seu rosto.

— Então — ele disse, sua voz suave, quase gentil — vamos continuar de onde paramos?

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )