~ CHRISTIAN ~
Desliguei o telefone e o coloquei na mesa com mais força do que pretendia. Passei a mão pelo rosto, sentindo o cansaço das últimas horas pesando em cada músculo.
Estávamos no nosso apartamento em São Paulo. Tínhamos vindo para cá assim que soubemos do nascimento de Aurora, querendo estar perto de Marco e Maitê. Agora, olhando pela janela para as luzes da cidade, me arrependi de não ter insistido para ficarmos no hospital com eles.
Zoey estava ao meu lado imediatamente, sua presença reconfortante mesmo no meio de todo esse caos.
— E então? — ela perguntou, sua voz baixa mas ansiosa. — Conseguiu algo?
Olhei para ela — minha esposa, a mãe do meu filho, a pessoa que sempre me mantinha ancorado quando tudo ameaçava desmoronar.
— A polícia italiana está nisso — respondi, tentando manter minha voz firme e profissional, mesmo sentindo o nó de preocupação no estômago. — Interpol também. Aurora é cidadã italiana, então o consulado está pressionando. E o melhor... eles estão trabalhando com o braço não corrompido da polícia brasileira. Pessoas em quem realmente podemos confiar.
Suspirei, esfregando os olhos cansados.
— Dominic foi longe demais agora — continuei, e havia uma satisfação sombria em dizer isso. — Sequestro de uma recém-nascida. Sequestro internacional. Ele não tem como sair dessa. Mas ele deu um tiro no pé. Dessa vez temos certeza de com quem podemos contar.
Zoey se aproximou, suas mãos encontrando meus ombros e começando a massagear os nós de tensão no meu pescoço. Fechei os olhos por um momento, permitindo-me apreciar o toque reconfortante.
— Maitê deve estar desesperada — Zoey disse suavemente, e havia dor em sua voz. — Queria poder fazer algo por ela. Queria... eu entendo um pouco a dor de uma mãe que não consegue proteger seu filho.
Virei-me para olhá-la, vendo a sombra nos olhos dela. Tudo o que passamos quando Matteo nasceu era muito mais do que “um pouco da dor”.
Peguei sua mão, acariciando-a gentilmente.
— Vamos resgatar Aurora — disse com convicção. — Desde que Maitê e Marco mantenham a cabeça fria e não façam uma besteira, vai ficar tudo bem. A polícia está trabalhando nisso. Temos recursos. Temos conexões. Vamos encontrá-la.
Zoey assentiu, mas antes que pudesse responder, um apito agudo soou do meu computador.
Virei-me imediatamente, meu coração acelerando. Aquele som... conhecia aquele som.
Corri para o laptop aberto na mesa, clicando rapidamente no programa que tinha acabado de emitir o alerta. A tela mudou, mostrando um mapa. Um ponto vermelho piscando.
O rastreador do carro de Marco.
— O que foi? — Zoey perguntou, aproximando-se para ver a tela.
Aproximei o mapa, focando na localização. Uma área afastada da cidade. Rural. Isolada.
— Marco fazendo uma besteira — suspirei, já me levantando e pegando meu celular.
Marco tinha me pedido para esperar meia hora antes de tomar qualquer atitude. Tinha dito que precisava desse tempo, que talvez conseguisse resolver as coisas, que não queria envolver mais ninguém antes de ter certeza.
Porra nenhuma.
Comecei a fazer ligações imediatamente. Primeiro para o contato na polícia que o consulado tinha me passado — alguém de confiança, alguém que não estava no bolso de Dominic. Depois para a equipe de segurança particular que a Bellucci mantinha justamente para situações como essa. E finalmente para o resgate médico.
Não ia esperar. Não ia arriscar. Meu primo estava lá fora, em algum lugar isolado, provavelmente caminhando direto para uma armadilha. E eu ia tirar ele de lá.
Dez minutos. Foi tudo que levou para organizar tudo. Dez minutos de ligações rápidas, coordenadas passadas, instruções claras.
Peguei as chaves do carro e minha jaqueta, já indo em direção à porta.
— Christian — Zoey me chamou, e quando me virei, ela estava ali, com Matteo nos braços, acordado pelo movimento e as vozes. — Não faz nenhuma besteira também, ok? Você tem uma família. Tem um filho. Volta para nós.
Voltei até ela, beijando sua testa, depois a de Matteo.
— É mais fácil pensar com racionalidade quando você está um pouco afastado — disse, refletindo. — Marco e Maitê não estão. Eles estão no meio da tempestade, cegos pela emoção. Mas eu... eu sei exatamente o que estou fazendo.
Quis argumentar. Mas sabia que ele estava certo. Sabia que precisava deixar os profissionais fazerem seu trabalho.
Então assenti e saí do carro, ficando para trás enquanto a equipe se movia com eficiência militar, cercando o galpão, verificando portas e janelas.
Cinco minutos que pareceram cinco horas.
Finalmente, o comandante acenou para mim.
— Área limpa — ele disse. — Mas... o senhor... talvez não vá querer ver isso.
A forma como ele disse fez meu sangue gelar.
Corri para a entrada do galpão, passando pelos policiais que estavam posicionados ao redor. A porta estava aberta, rangendo levemente com o vento.
Entrei.
E vi.
O mundo parou.
Marco.
Caído no chão de concreto. Imóvel.
Meu coração parou por um segundo. Literalmente parou, então voltou a bater em disparada, tão rápido que doía.
— Porra, primo — sussurrei, as pernas me levando até ele antes que meu cérebro processasse o comando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Então, cade os capítulos? Parou no 731 e não segue mais, acabou?...
Não entendi nada. Cadê os extras autora. Já terminou o livro?...
Alguém me indica um livro parecido com esse. Gostei muito...
Eu queria um site pra ler todo o livro...
Acabou foi? Não entendi nada.....
Primeira vez que leio um livro do início ao fim, na qual flutuei imaginando até os cenários. Vou sentir saudades 🥺...
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....