~ MAITÊ ~
— Você é nojento.
As palavras saíram antes que pudesse pensar melhor. Mas não me arrependi. Olhei diretamente para Dominic, para aquele sorriso arrogante no rosto dele, e senti náusea.
— Só assim mesmo para você conseguir o que quer, não é? — continuei, minha voz ganhando força apesar do medo. — Com sequestro. Com morte. Com coação. É assim que você opera. Porque sozinho, por mérito próprio, você não conseguiria porra nenhuma.
Esperava raiva. Esperava que ele explodisse, que me batesse, que fizesse algo violento.
Mas Dominic apenas riu.
Não foi um riso nervoso ou forçado. Foi genuíno. Como se eu tivesse contado uma piada particularmente engraçada.
— E você acha que eu me importo? — ele perguntou, inclinando a cabeça, ainda sorrindo. — Sério, Maitê. Você realmente acha que suas opiniões sobre meus métodos me afetam de alguma forma?
Deu um passo mais perto, e tive que me forçar a não recuar.
— No fim — ele continuou, sua voz suave mas com aquela borda perigosa que eu conhecia tão bem — o que me basta é conseguir o que eu quero. E eu sempre consigo, eventualmente.
Respirei fundo, tentando manter a compostura, tentando não deixar o desespero me dominar completamente.
— E o que você quer, Dominic? — perguntei, e odiei como minha voz tremeu. — O que você realmente quer? Você quer os parques? Eu te dou os parques. Pode ficar com tudo. Me diz onde assinar e eu assino. Mas me deixa sair daqui com a minha filha.
Vi algo passar pelos olhos dele. Consideração? Tentação?
Mas então ele balançou a cabeça lentamente, aquele sorriso nunca saindo de seus lábios.
— Tarde demais — disse, e havia algo quase triste em seu tom. Falso, claro. Tudo nele era falso. — Isso era sobre os parques, da primeira vez. Quando você ainda era apenas uma peça no tabuleiro.
Ele caminhou ao redor do altar, suas mãos tocando levemente as flores decorativas.
— Mas quando você fugiu daquele casamento — continuou, sua voz ficando mais dura — quando fugiu da clínica onde eu tinha colocado você para seu próprio bem, quando você se casou com outro homem...
Ele parou, virando-se para me encarar diretamente.
— Ah, Maitê — e havia veneno puro em sua voz agora — Dominic Sforza não é humilhado assim publicamente e deixa para lá. Você me fez de idiota. Me fez parecer fraco. E isso... isso eu não perdoo.
Meu coração acelerou ainda mais.
— Nós vamos voltar — ele disse com finalidade — exatamente de onde paramos. Vamos terminar o que começamos naquele dia. E desta vez, você não vai fugir.
Senti o pânico subindo pela garganta, mas forcei as palavras para fora.
— Eu não posso me casar — disse rapidamente. — Eu sou casada. Com Marco. Legalmente casada.
A expressão de Dominic não mudou.
— Você é viúva — ele corrigiu, e a palavra me atingiu como um soco no estômago.
Viúva.
— Sorria, meu amor — ele disse ao meu lado, sua voz baixa perto do meu ouvido. — Sorria.
Não sorri. Não conseguia. Meus lábios permaneceram numa linha dura, meus olhos fixos em Vivianne com uma mistura de raiva e súplica.
Vivianne nos olhou por um momento, e vi quando ela revirou os olhos. Irritação clara em seu rosto. Não queria estar fazendo isso. Mas ainda assim, tirou o celular do bolso.
— Sorria — Dominic repetiu, apertando meu braço com mais força.
Vivianne tirou uma foto. Duas. Três. Várias de diferentes ângulos. Eu não sorri em nenhuma delas.
— Ótimo, ótimo — Dominic disse, finalmente me soltando. Pegou o celular das mãos de Vivianne e olhou as fotos, assentindo satisfeito. — Perfeito. Imagina como sua mãe vai ficar feliz quando souber. E sua querida prima Lívia. Todas as pessoas que você ama sabendo que finalmente você fez a escolha certa.
Quis gritar que não era escolha. Que nada disso era escolha. Mas minha voz tinha desaparecido, engolida pelo horror da situação.
Dominic guardou o celular no bolso do terno e se virou para Vivianne, que ainda estava ali parada, visivelmente desconfortável.
— Agora, Vivianne — ele disse, gesticulando para ela se aproximar — pode assumir sua outra função.
Vivianne não se moveu imediatamente. Vi sua mandíbula se apertar, suas mãos se fechando em punhos ao lado do corpo. Estava ainda mais irritada agora, se isso era possível.
Mas finalmente, depois de um momento tenso de silêncio, ela caminhou até o altar. Posicionou-se diante de nós, respirou fundo e foi direto ao ponto:
— Maitê Salvani — sua voz saiu monótona, sem emoção, apenas recitando palavras que claramente odiava dizer — é de livre e espontânea vontade que aceita Dominic Sforza como seu legítimo esposo?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Então, cade os capítulos? Parou no 731 e não segue mais, acabou?...
Não entendi nada. Cadê os extras autora. Já terminou o livro?...
Alguém me indica um livro parecido com esse. Gostei muito...
Eu queria um site pra ler todo o livro...
Acabou foi? Não entendi nada.....
Primeira vez que leio um livro do início ao fim, na qual flutuei imaginando até os cenários. Vou sentir saudades 🥺...
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....