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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 505

~ MAITÊ ~

Maitê Salvani, é de livre e espontânea vontade que aceita Dominic Sforza como seu legítimo esposo?

A pergunta ecoava na minha mente. Livre e espontânea vontade. Que piada cruel.

Mas dessa vez não tinha escolha. Dessa vez não tinha fuga. Não tinha uma moto esperando na esquina com um estranho de jaqueta de couro pronto para me levar embora. Não tinha Marco para me salvar. Não tinha ninguém além de mim.

Dessa vez só tinha uma resposta que podia ser dada.

Mas antes... antes precisava saber. Precisava ter certeza.

— Minha filha — disse, e minha voz saiu mais firme do que esperava. — Quero ver minha filha antes.

Dominic franziu a testa, sua expressão mudando de expectativa para irritação.

— Estamos no meio de uma cerimônia aqui, querida — ele disse, e havia um tom de aviso em sua voz.

— Minha filha primeiro — repeti, mais dura agora. Olhei diretamente nos olhos dele, não recuando. — Quero saber se ela está viva, se está bem. Ou nada feito.

Vi a raiva passar pelo rosto de Dominic. Mas então ele respirou fundo e fez apenas um gesto de cabeça para Vivianne.

Ela não disse nada. Apenas se virou e entrou na casa, desaparecendo pela porta dos fundos.

Fiquei ali parada, cada segundo parecendo uma eternidade. Meu coração batia tão forte que podia ouvi-lo. Minhas mãos tremiam. Toda eu tremia.

Por favor, por favor, que ela esteja bem. Por favor.

Com Marco morto, Aurora era tudo. Tudo que me restava. Tudo que importava. Se ela não estivesse bem, se Dominic tivesse feito algo com ela...

Então nada daquilo importava mais. Não importava eu continuar também. Talvez fosse só melhor aceitar e deixar Vivianne fazer o trabalho sujo. Uma bala rápida. Acabar com tudo.

Mas então ouvi um choro. Leve, agudo, infantil.

Aurora.

Meu corpo reagiu antes que meu cérebro processasse. Corri em direção à porta, aos tropeços no vestido ridículo, quase caindo nos degraus.

Vivianne estava saindo, um embrulho rosa nos braços. E daquele embrulho vinha o som mais bonito do mundo.

Minha filha chorando.

Praticamente arranquei Aurora dos braços de Vivianne, mas com delicadeza, com cuidado, segurando-a contra meu peito como se ela fosse a coisa mais preciosa do universo.

Porque era.

— Eu te achei — sussurrei contra seu cabelo escuro, sentindo as lágrimas escorrerem livremente pelo meu rosto. — Mamãe te achou, meu amor. Agora a mamãe está aqui. Não vou deixar ninguém te machucar nunca mais. Prometo. Eu prometo.

Aurora choramingou, seus punhos minúsculos se fechando e abrindo, procurando por algo. Pelos instintos, comecei a balançá-la gentilmente, murmurando palavras sem sentido, apenas querendo que ela soubesse que estava segura, que eu estava ali.

— Shh, shh, está tudo bem agora — continuei, beijando sua testa, seu nariz, suas bochechas. — Mamãe está aqui. Mamãe não vai te deixar. Nunca mais.

E então ela fez um som. Não um choro. Algo mais suave. E seus olhinhos — aqueles olhos azuis Bellucci inconfundíveis — me olharam.

Meu coração se despedaçou e se reconstruiu ao mesmo tempo.

Olhei para baixo, para minha filha, e apesar de tudo — de todo o horror, de toda a dor, de toda a perda — senti algo se acender dentro de mim. Esperança. Determinação. Amor tão intenso que doía fisicamente.

— Ela deve estar com fome — disse, virando-me para Dominic, que nos observava com uma expressão indecifrável. — Eu... eu preciso...

Se eu lutasse, se eu recusasse, Dominic faria algo pior. Algo que machucaria Aurora.

Então deixei Vivianne tirar minha filha dos meus braços, cada centímetro de distância entre nós sendo uma agonia física.

Vivianne colocou Aurora suavemente em um cestinho branco decorado com laços cor de rosa e o posicionou em cima de uma das cadeiras, onde eu podia vê-la.

Aurora estava dormindo agora, completamente alheia, sua barriguinha subindo e descendo com respirações suaves e regulares.

Segura. Por enquanto.

Dominic pegou meu braço e me puxou de volta para nossa posição no altar. Vivianne voltou ao seu lugar de frente para nós.

Ela me olhou. Havia algo em seus olhos. Pena? Culpa? Não consegui decifrar.

Então ela respirou fundo e repetiu a pergunta que eu sabia que estava vindo.

— Maitê Salvani — sua voz estava cansada agora, sem qualquer emoção — é de livre e espontânea vontade que aceita Dominic Sforza como seu legítimo esposo?

Olhei para Aurora no cestinho. Dormindo pacificamente. Confiando em mim para protegê-la. Confiando que sua mãe faria o que fosse necessário para mantê-la segura.

Marco tinha morrido por nós. Tinha dado sua vida tentando nos proteger. Tentando me dar uma chance de salvar nossa filha.

E agora cabia a mim terminar o que ele começou. Fazer o que fosse necessário. Mesmo que me destruísse no processo.

Respirei fundo.

E disse a palavra que não podia mais evitar.

— Sim.

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