~ MAITÊ ~
— Sim.
A voz de Dominic ecoou depois da minha, confirmando, selando.
E então ele me puxou pela cintura, uma mão possessiva nas minhas costas, e me beijou.
Senti náusea subir pela minha garganta. Seus lábios contra os meus eram frios, exigentes, completamente repulsivos. Quis empurrá-lo. Quis gritar. Quis cuspir e esfregar a boca até arrancar a sensação dele de mim.
Mas não fiz nada. Apenas aguentei. Aguentei aquela encenação horrível enquanto ouvia o som do celular de Vivianne tirando mais fotos. Clique. Clique. Clique. Registrando aquele momento grotesco para a posteridade.
Finalmente, Dominic me afastou. Havia um sorriso satisfeito em seus lábios.
— Parte prática — ele disse, como se estivéssemos concluindo uma negociação de negócios qualquer.
Caminhou até a mesinha ao lado do altar improvisado e pegou uma pasta de documentos. Voltou e abriu na minha frente, apontando uma linha no final da primeira página.
— Assine aqui.
Olhei para o documento. Era uma certidão de casamento com todos os campos preenchidos.
Sem saída. Sem escolha.
Peguei a caneta que ele me oferecia e assinei. Minha mão tremeu tanto que a assinatura saiu quase ilegível, mas estava lá.
Dominic pegou o documento de volta e assinou logo em seguida, sua caligrafia perfeita e firme.
— Agora é oficial — ele disse, guardando o documento de volta na pasta. — Ou ao menos, quando eu validar isso será oficial. Subornar um funcionário de cartório é mais fácil do que você imagina.
Ele se virou para mim, aquele sorriso ainda no rosto.
— Somos casados agora, querida — continuou, e havia triunfo em sua voz. — Aquela menina é minha filha. Minha família. Finalmente consegui o que...
— Segunda via — Vivianne interrompeu, empurrando outro papel na direção dele.
Dominic nem olhou direito. Apenas pegou a caneta e assinou rapidamente no lugar indicado, continuando a falar.
— Finalmente consegui o que sempre quis. Os parques Salvani. Controle. Tudo...
Mas eu estava prestando atenção em Vivianne. Estava olhando para o papel que ela tinha colocado na minha frente.
E vi quando ela levantou levemente o documento anterior — o que Dominic tinha acabado de assinar — para que quando eu assinasse, não fosse na mesma folha que ele.
Eram documentos diferentes.
Nossos olhos se encontraram por uma fração de segundo. Vivianne não disse nada. Não fez nenhum gesto. Apenas me olhou.
E eu entendi a escolha que tinha que fazer.
Não tinha motivo nenhum para confiar em Vivianne. Ela tinha feito da minha vida um inferno. Tinha seguido cada ordem de Dominic sem questionar. Tinha roubado minha filha. Tinha atirado em Marco.
Mas por algum motivo que não sabia explicar, permaneci calada.
Dominic não merecia minha lealdade. Não merecia nada de mim.
Então assinei o papel diferente que Vivianne tinha colocado na minha frente. Seja lá o que fosse.
Vivianne imediatamente deu um jeito de tirar aquilo de vista, guardando rapidamente junto com os outros documentos na pasta.
— Temos tudo? — Dominic perguntou a ela, nem percebendo a troca.
— Sim — Vivianne respondeu, sua voz neutra. — Tudo assinado e documentado.
Dominic fez uma pausa. Olhou para mim com aquele sorriso satisfeito. E então me puxou para outro beijo, mais curto desta vez, mas igualmente repulsivo.
— VOCÊ É UM MONSTRO! — gritei, minhas mãos se fechando em punhos. — UM MONSTRO! EU DEI TUDO QUE VOCÊ QUERIA!
— Muitas coisas passaram pela minha cabeça, sabe? — Dominic continuou, como se eu não tivesse falado. — Eu poderia ter falsificado os documentos de DNA. Mas aqueles malditos olhos azuis sempre levantariam suspeitas. Talvez eu a obrigue a usar lentes de contato para o resto da vida para esconder aqueles olhos horríveis dos Bellucci.
Ele suspirou, como se estivesse ponderando um problema difícil.
— Depois... depois eu realmente pensei em manter esse casamento com você, Maitê. De verdade. Mas você já me deu trabalho uma vez. Já me humilhou publicamente quando fugiu daquele jeito. Não, não... é melhor cortar o mal pela raiz logo. Viúvo com uma filha pequena é muito mais... gerenciável.
— Por favor — sussurrei, e odiei como minha voz soou. Fraca. Desesperada. — Por favor, Dominic. Eu vou fazer tudo pela minha filha. Vou fazer tudo o que você quiser. Só me deixe viver para vê-la crescer. Por favor.
Dominic fingiu pensar. Colocou a mão no queixo, olhou para o céu como se realmente estivesse considerando.
Então sorriu.
— Não.
Virou-se para Vivianne.
— Mate-a.
O tempo desacelerou.
Vi Vivianne levantar a arma. Vi ela apontar diretamente para mim. Vi seu dedo se mover para o gatilho, engatilhando.
Tudo em câmera lenta. Como se o universo estivesse me dando tempo para processar que estes eram meus últimos segundos. Que não ia ver Aurora crescer. Que não ia estar lá para seu primeiro sorriso, sua primeira palavra, seus primeiros passos.
Que Dominic tinha ganhado.
E então.
O som de um tiro cortou o ar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Então, cade os capítulos? Parou no 731 e não segue mais, acabou?...
Não entendi nada. Cadê os extras autora. Já terminou o livro?...
Alguém me indica um livro parecido com esse. Gostei muito...
Eu queria um site pra ler todo o livro...
Acabou foi? Não entendi nada.....
Primeira vez que leio um livro do início ao fim, na qual flutuei imaginando até os cenários. Vou sentir saudades 🥺...
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....