~ MAITÊ ~
Não pensei. Apenas me movi para o lado dela no sofá e a puxei para um abraço.
Ela resistiu por meio segundo antes de desabar completamente, chorando no meu ombro como se seu coração estivesse se despedaçando.
E talvez estivesse.
Segurei-a enquanto ela chorava, minha própria garganta apertada de emoção. Não disse nada. Às vezes não há palavras. Às vezes tudo que você pode fazer é estar presente.
Levou vários minutos para ela se acalmar o suficiente para falar novamente. Quando finalmente se afastou, limpando o rosto com as costas da mão, seus olhos estavam vermelhos e inchados.
— Me desculpa — ela murmurou.
— Não se desculpe — disse firmemente. — Nunca se desculpe por sentir.
Ela me olhou, e havia algo vulnerável e grato naquele olhar.
Respirei fundo, preparando-me para o que precisava dizer.
— Vivianne fez escolhas — comecei cuidadosamente. — Escolhas questionáveis. Escolhas que machucaram pessoas inocentes. Ela sabe disso. Ela assume a responsabilidade por isso. E vai pagar o preço. Mas sabe o que eu finalmente percebi?
Cecília balançou a cabeça, esperando.
— Vivianne também foi vítima dele — disse, deixando as palavras pousarem entre nós. — De Dominic. Talvez não da mesma forma que você. Não da mesma forma que eu. Mas ele a transformou em algo que ela nunca deveria ter se tornado.
Vi Cecília abrir a boca para protestar, mas continuei.
— Ele tirou sete anos da vida dela — disse. — Sete anos onde ela não viveu. Apenas existiu. Apenas esperou. Apenas planejou vingança. Ele tirou sua paz. Sua inocência. Suas chances de ter uma vida normal, de se apaixonar, de ser feliz. Ele a transformou em uma arma. E quando você se transforma em uma arma, às vezes você causa dano mesmo quando não quer.
Limpei minhas próprias lágrimas que começavam a cair.
— Nós três — continuei, minha voz quebrando levemente — você, eu e Vivianne. Todas fomos destruídas por ele de formas diferentes. Você perdeu sua segurança, sua paz, partes de si mesma que nunca vai recuperar. Eu perdi minha liberdade, meu pai, quase perdi minha vida, quase perdi tudo. E Vivianne... Vivianne perdeu anos se consumindo de ódio e desejo de vingança até que não sobrou quase nada da pessoa que ela era antes.
Olhei diretamente nos olhos de Cecília.
— Mas sabe o que mais? Todas estamos aqui. Sobrevivemos. E agora estamos tentando reconstruir nossas vidas do jeito que conseguimos. E acho... acho que temos que ter compaixão umas com as outras. Porque se nós não tivermos, quem vai ter?
Cecília ficou em silêncio por um longo momento, processando tudo que eu tinha dito. Então, lentamente, assentiu.
— Você está certa — sussurrou. — Você está certa. Eu só... eu só queria que as coisas fossem diferentes. Que nada disso tivesse acontecido. Que pudéssemos ter ficado apenas... apenas irmãs normais vivendo vidas normais.
— Eu sei — disse suavemente. — Acredita, eu sei.
Fiquei sentada com ela em silêncio por mais alguns momentos antes de finalmente pegar a pasta.
— Vivianne me fez prometer uma coisa — disse, abrindo e tirando os documentos. — Me fez prometer que eu garantiria que isso fosse cumprido. Que eu viria até você e explicaria tudo.
Estendi os papéis para ela.
— O que... o que é isso? — Cecília perguntou, pegando-os com mãos que tremiam visivelmente.
Observei enquanto ela começava a ler. Vi seus olhos se arregalarem. Vi a cor drenar de seu rosto.
— Dominic assinou esses documentos pouco antes de morrer — expliquei enquanto ela lia. — Vivianne orquestrou tudo perfeitamente. Ela conseguiu fazer com que ele assinasse sem perceber o que realmente era. Pensou que estava assinando uma certidão de casamento. Na verdade, estava assinando o reconhecimento de paternidade da Sarah. E um acordo de doação de metade de todo o patrimônio dele para ela.
— Não — Cecília disse imediatamente, antes mesmo de terminar de ler. Ela jogou os papéis de volta para mim como se queimassem. — Não, não, não. Eu não quero nada dele. Não quero o dinheiro dele. Não quero nada que tenha vindo dele ou que carregue o nome dele.
— Cecília...
Minha voz ficou mais suave.
— Mas pelo menos ela vai ter a escolha. Pelo menos ela vai ter controle sobre alguma coisa que veio dele. E isso... isso é poder, Cecília. É tirar poder dele e dar para ela.
— Ok — disse, sua voz trêmula mas decidida. — Ok. Vou... vou colocar no banco. Vou colocar tudo no nome dela. E vou deixar lá até ela ter idade suficiente para decidir por si mesma.
Coloquei os documentos em sua mão, sentindo uma onda de alívio me lavar.
— Obrigada — disse. — Vivianne... Vivianne vai ficar em paz sabendo disso.
Cecília segurou os papéis contra o peito, ainda tremendo.
— Há mais uma coisa — disse, tirando um cartão do bolso da calça. — Meu número. Meu e-mail. Endereço também está atrás.
Estendi o cartão para ela.
— Se você ou Sarah precisarem de qualquer coisa — disse. — Qualquer coisa mesmo. Não importa o quão pequena ou grande. Me liga. Manda mensagem. Aparece na minha porta. Marco e eu... nós queremos ajudar. Seja apoio legal para lidar com toda a papelada disso, seja apoio financeiro se precisar de algo antes de acessar a conta de Sarah, seja apenas alguém para conversar que entende pelo menos um pouco do que você passou.
Cecília pegou o cartão, segurando-o como se fosse precioso.
— Por quê? — ela perguntou, sua voz cheia de confusão genuína. — Por que você se importa? Você nem me conhece. Não me deve nada.
Olhei para ela. Para essa mulher que tinha sobrevivido ao impensável. Que tinha sido quebrada e mesmo assim tinha escolhido amor. Que tinha carregado uma gravidez resultante de trauma e decidido amar aquela criança com todo seu ser. Que estava criando sua filha sozinha, com tanta coragem, com tanta força.
— Porque Dominic nos conectou — disse simplesmente, honestamente. — De formas horríveis. De formas que nenhuma de nós jamais escolheria. De formas que vão deixar cicatrizes que carregaremos para sempre.
Senti lágrimas nos meus olhos novamente.
— Mas estamos conectadas mesmo assim.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Não entendi nada. Cadê os extras autora. Já terminou o livro?...
Alguém me indica um livro parecido com esse. Gostei muito...
Eu queria um site pra ler todo o livro...
Acabou foi? Não entendi nada.....
Primeira vez que leio um livro do início ao fim, na qual flutuei imaginando até os cenários. Vou sentir saudades 🥺...
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....