~ MAITÊ ~
A música começou a tocar e meu coração disparou.
Era agora.
Respirei fundo, ajeitei o buquê nas mãos e dei o primeiro passo em direção ao corredor da igreja.
O lugar estava lindo. Simples, mas lindo. A pequena igreja com seus bancos de madeira escura e vitrais que projetavam luz colorida sobre tudo. Velas acesas no altar, flores brancas decorando discretamente as laterais.
E as pessoas. Poucas pessoas. Mas apenas pessoas que realmente significavam algo nas nossas vidas.
Minha mãe estava sentada no primeiro banco, já chorando, um lenço apertado na mão. Ao lado dela, os pais de Marco - Beatrice com aquele sorriso orgulhoso no rosto e Giovanni segurando a mão dela. Christian e Zoey logo atrás, Matteo no colo do pai, mexendo em tudo. Anne e Nate com Josh e Avery. Lívia e Luca, ela com a mão na barriga ainda plana mas protetora. Giuseppe, Bianca, Mia, Matheus, Dante em meio a outros rostos que eu amava.
As crianças estavam espalhadas pelos bancos - Aurora nos braços de Beatrice, os olhos arregalados e curiosos mesmo tão pequena. As outras crianças inquietas mas comportadas, alheias à solenidade do momento mas tornando tudo mais vivo, mais real.
E então meus olhos encontraram os dele.
Marco.
Parado no altar, sob a luz suave das velas e dos vitrais. Terno escuro impecável. Cabelo perfeitamente arrumado. Mãos entrelaçadas na frente do corpo, tentando parecer calmo mas eu conseguia ver a emoção em cada linha do seu rosto.
Nossos olhos se cruzaram e foi como se o mundo parasse.
Como se fosse a primeira vez.
Como naquele momento em que nossos olhos se encontraram através do capacete da moto pela primeira vez, e eu soube - apenas soube - que minha vida tinha mudado para sempre.
Mas era diferente agora. Melhor agora.
Porque dessa vez eu conhecia cada parte dele. Conhecia seus defeitos e suas qualidades. Conhecia como ele roncava de leve quando estava muito cansado. Conhecia como ele acordava às três da manhã com Aurora sem reclamar. Conhecia suas cicatrizes - visíveis e invisíveis. Conhecia sua força e sua vulnerabilidade.
E ele me conhecia da mesma forma.
Continuei andando, passo a passo, sorrindo através das lágrimas que já começavam a cair.
Quando finalmente cheguei ao altar, Marco estendeu a mão para mim e a segurei, sentindo a familiaridade daquele toque, daquele calor.
— Oi — ele sussurrou, só para mim.
— Oi — sussurrei de volta, rindo baixinho.
O celebrante começou a falar. Palavras bonitas sobre amor, sobre comprometimento, sobre jornadas. Mas eu mal ouvia. Estava completamente focada em Marco. Nos olhos dele. No sorriso dele. Na forma como ele apertava minha mão como se tivesse medo de que eu desaparecesse.
— Marco e Maitê — o celebrante disse eventualmente — escreveram seus próprios votos para esse momento especial. Marco?
Marco respirou fundo, seus olhos nunca deixando os meus.
— Maitê — ele começou, e sua voz estava rouca de emoção. — Quando nos casamos da primeira vez, foi em circunstâncias... complicadas. Foi lindo, mas foi confuso. Foi real, mas foi assustador. Eu te ofereci tudo que eu tinha, mas também tinha medo. Medo de não ser o suficiente. Medo de te perder. Medo do que o futuro guardava.
Ele parou, engolindo com dificuldade.
— Mas depois de tudo que passamos. Depois de quase te perder de verdade. Depois de trazer nossa filha ao mundo. Depois de enfrentar monstros reais e sair do outro lado juntos... eu não tenho mais medo.
Lágrimas escorriam livremente pelo meu rosto agora.
— Então hoje — ele continuou, apertando minha mão com mais força — não estou renovando votos por obrigação ou por tradição. Estou escolhendo você. Ativamente. Conscientemente. Com cada parte de mim. Estou escolhendo você na alegria e na tristeza. Na saúde e na doença. Nos dias fáceis e nos dias impossíveis. Estou escolhendo construir uma vida com você. Criar nossa filha com você. Envelhecer com você.
Marco não esperou mais um segundo.
Puxou-me para perto, suas mãos enquadrando meu rosto com tanta ternura que meu coração doeu, e me beijou.
Esse beijo tinha paz. Tinha certeza. Tinha a promessa de mil amanhãs juntos.
Quando nos separamos, a igreja explodiu em aplausos.
Virei-me ainda nos braços de Marco e vi todos de pé nos bancos, batendo palmas, assoviando, rindo, chorando. Até Aurora, suas mãozinhas batendo uma na outra como se entendesse que deveria estar comemorando também.
Marco entrelaçou seus dedos nos meus e começamos a caminhar de volta pelo corredor. Juntos. Lado a lado.
As pessoas nos cumprimentaram enquanto passávamos. As crianças começaram a se mexer nos bancos, animadas. A luz dos vitrais nos acompanhava, projetando cores sobre nós enquanto caminhávamos.
Mas tudo que eu conseguia focar era na sensação da mão de Marco na minha.
No sorriso no rosto dele.
Na paz que finalmente, finalmente, havia se instalado no meu coração.
Não era o fim da nossa história. Na verdade, sentia que era apenas o começo de verdade.
Mas era o fim do medo. O fim da corrida. O fim de olhar por cima do ombro esperando que algo terrível acontecesse.
Agora podíamos simplesmente... viver.
E que presente precioso era esse.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Não entendi nada. Cadê os extras autora. Já terminou o livro?...
Alguém me indica um livro parecido com esse. Gostei muito...
Eu queria um site pra ler todo o livro...
Acabou foi? Não entendi nada.....
Primeira vez que leio um livro do início ao fim, na qual flutuei imaginando até os cenários. Vou sentir saudades 🥺...
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....