~ MARCO ~
Estava terminando de ajustar a gravata no espelho da sala, observando meu reflexo com um misto de nervosismo e antecipação, quando a campainha tocou. A festa de comemoração nos Parques Salvani estava marcada para daqui a algumas horas, e ainda havia uma conversa importante que eu precisava ter antes de sairmos.
— Eu atendo — Maitê disse, passando por mim em um movimento suave, o vestido azul escuro esvoaçando levemente enquanto caminhava até a porta.
Ouvi a porta se abrir, seguida pelas vozes animadas de Zoey e Christian cumprimentando Maitê com o carinho genuíno de quem se tornara família ao longo dos meses.
— Maitê! Você está linda! — Zoey disse com entusiasmo, entrando e beijando o rosto dela afetuosamente.
— Vocês também estão ótimos — Maitê respondeu, sorrindo daquela forma calorosa que sempre iluminava qualquer ambiente. — Entrem, entrem. Fiquem à vontade.
Christian entrou logo atrás da esposa, impecável como sempre em seu terno escuro perfeitamente cortado. Ele me cumprimentou com um aceno e aquele meio sorriso que carregava anos de história compartilhada entre nós.
— Marco — ele disse simplesmente. — Pronto para a festa?
— Quase — respondi, ajeitando o nó da gravata uma última vez antes de me afastar do espelho. — Só falta convencer essas duas a saírem daqui em menos de duas horas.
— Ei! — Maitê protestou, mas estava rindo, aquele brilho divertido nos olhos. — Não vou demorar tanto assim.
— Claro que não — Zoey concordou com uma confiança excessiva, já pegando o braço de Maitê de forma conspiradora. — Vamos apenas dar uns retoques finais no cabelo e na maquiagem. Quinze minutos no máximo, prometo.
Christian e eu trocamos um olhar cúmplice que dispensava palavras. Ambos sabíamos, por experiência própria, que quinze minutos no vocabulário feminino significava pelo menos quarenta, provavelmente mais.
— Vamos lá então — Zoey disse, já puxando Maitê em direção ao corredor com determinação. — Tenho umas ideias para o cabelo que vão ficar perfeitas...
As vozes delas foram se afastando gradualmente, pontuadas por risos e comentários animados sobre penteados e acessórios, até desaparecerem completamente quando a porta do quarto se fechou ao longe.
O apartamento ficou mais silencioso, apenas o som distante do trânsito lá embaixo penetrando através das janelas. Respirei fundo, sentindo o peso do envelope que sabia estar guardado no escritório, esperando por esse momento.
Olhei para Christian, que tinha se movido até a janela e observava a cidade lá embaixo com uma expressão pensativa que eu não conseguia decifrar completamente.
— Pelo menos as coisas estão todas certas com a Bellucci agora — comecei, escolhendo começar pelo positivo, pelo que tínhamos conquistado juntos. — A empresa se reergueu completamente. Se recuperou de uma forma que parecia impossível alguns meses atrás, especialmente depois que toda a verdade sobre Dominic veio à tona.
E era verdade. Os últimos seis meses tinham sido transformadores para a Bellucci de formas que ninguém poderia ter previsto. Quando a história completa sobre Dominic Sforza tinha sido exposta - todas as suas manipulações meticulosas, suas tentativas calculadas de destruir a empresa, sua verdadeira natureza revelada em detalhes chocantes - a narrativa pública tinha mudado drasticamente e de forma quase imediata.
A Bellucci deixou de ser vista como a empresa envolvida em escândalos sórdidos para ser reconhecida como vítima de um homem perigoso e manipulador. E o mercado, sempre sensível à percepção pública, tinha respondido com força. As ações subiram. Os contratos voltaram. A confiança foi restaurada.
— Graças à Maitê — Christian disse, e havia uma gratidão genuína em sua voz que me aqueceu por dentro. — E aquele dossiê que ela conseguiu. Se não fosse por ela, por sua determinação em expor a verdade mesmo quando era perigoso, ainda estaríamos lutando para provar nossa inocência. Provavelmente estaríamos falidos.
— É verdade, Maitê foi fundamental — concordei, sentindo orgulho inundar meu peito ao pensar em tudo que minha esposa tinha enfrentado. — Mas também foi graças ao trabalho que você sempre teve, Christian. Ao jeito como manteve a Bellucci como uma empresa sólida, com tradições familiares e credibilidade de mercado mesmo quando tudo parecia estar desmoronando. Você segurou as coisas quando poderia ter simplesmente deixado tudo cair. Quando muitos teriam desistido.
Christian me olhou por um longo momento, e vi algo suavizar em sua expressão. Talvez aceitação, talvez apenas um reconhecimento silencioso do que estávamos prestes a enfrentar.
— Boa parte disso foi graças a você também, Marco — ele disse com sinceridade. — Você estava lá ao meu lado quando precisei. Trabalhando comigo, segurando pontas, mantendo as coisas funcionando quando tudo parecia estar pegando fogo ao nosso redor. Não teria conseguido sem você.
— Talvez — admiti, sentindo minha garganta apertar levemente com a emoção. — Mas Christian, você sabe que chegou a hora de eu seguir meu próprio caminho, não sabe? Você já sabia antes mesmo de eu te chamar aqui.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Não entendi nada. Cadê os extras autora. Já terminou o livro?...
Alguém me indica um livro parecido com esse. Gostei muito...
Eu queria um site pra ler todo o livro...
Acabou foi? Não entendi nada.....
Primeira vez que leio um livro do início ao fim, na qual flutuei imaginando até os cenários. Vou sentir saudades 🥺...
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....