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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 550

~ NICOLÒ ~

Bianca ficou parada ali por um longo momento, sua silhueta imóvel contra o brilho fraco da neve refletido nas janelas. Podia ouvir sua respiração, levemente acelerada, enquanto ela processava o que eu tinha acabado de perguntar.

— Sim — disse ela finalmente, sua voz baixa, incerta. — Esse nome é... comum para mim.

Comum. Não familiar. Não reconhecível. Comum. Como se fosse algo que ela sabia sem saber como sabia.

— Ele disse que é irmão seu — informei, observando sua reação mesmo na escuridão.

Bianca pensou novamente. Pude ver sua cabeça se mover, balançando afirmativamente de forma lenta, deliberada.

— Soa natural — disse ela, e havia algo quase surpreso em sua voz. — Como se... como se fosse verdade.

— Você se lembra dele? — pressionei gentilmente.

— Não — respondeu ela rapidamente. — Não é exatamente lembrar. É mais como... saber. Entende? Como se a informação estivesse lá, mas eu não consigo vê-la direito.

Assenti, mesmo sabendo que ela provavelmente não podia me ver claramente na escuridão.

Então ela mudou, virando-se completamente para mim, e sua voz ganhou uma nota diferente. Questionadora. Quase acusatória.

— Você não sabe me dizer? — perguntou. — Não sabe se eu tenho um irmão chamado Christian?

Eu deveria saber, não deveria? Se fôssemos realmente noivos, se estivéssemos realmente planejando nos casar, eu deveria saber tudo sobre a família dela. Quantos irmãos ela tinha. Os nomes deles. As idades. O que faziam. Como eram os relacionamentos deles.

Ou, no mínimo, já deveria ter inventado alguma desculpa. Alguma mentira mais elaborada para o fato de sermos supostamente noivos e eu não saber absolutamente nada sobre a vida dela.

Mas não tinha. Porque estava cansado de mentir. Porque cada nova mentira parecia pesar mais do que a anterior.

— Sei — disse finalmente, forçando confiança na voz. — Claro que sei. Você tem um irmão chamado Christian. Apesar de ainda não nos conhecermos pessoalmente.

Bianca pareceu aceitar aquilo, sua postura relaxando levemente.

— Mas a gente precisa estimular a sua memória a voltar, não é mesmo? — continuei, aproveitando a abertura. — A gente precisa que... que você busque essas informações aí dentro. Que tente lembrar por conta própria.

Fazia sentido. Soava razoável. E era parcialmente verdade, de acordo com o que o Doutor Marchesi tinha dito.

— De qualquer forma, não se preocupe — acrescentei, tentando soar tranquilizador. — Assim que a energia voltar, vamos ligar de volta para seu irmão e contar tudo o que aconteceu.

— Não!

A palavra saiu rápida, alta, carregada de pânico.

— Christian não pode saber que eu falhei.

Aquilo pareceu vir de algum lugar profundo, instintivo. Não foi pensado. Foi apenas... reagido. Como se seu corpo tivesse respondido antes que sua mente pudesse processar.

— Falhou? — repeti, dando um passo na direção dela. — Como assim falhou?

Vi Bianca parar, seus olhos se arregalando levemente mesmo na escuridão. Como se ela mesma não soubesse de onde aquelas palavras tinham vindo.

— Que eu... — começou, então parou.

E então a vi fazer aquilo novamente. Aquela coisa que já tinha visto algumas vezes antes. Vi as engrenagens girando em sua cabeça enquanto ela procurava por uma explicação lógica, por algo que fizesse sentido para preencher o buraco que havia acabado de se abrir.

Preencher lacunas com coisas que pareciam fazer sentido. Mas não faziam. Não realmente.

— Que eu falhei ao não saber me cuidar sozinha — completou ela, e sua voz soou mais firme agora, mais convencida. — Sou irmã mais nova, eu acho. Ele é superprotetor. Eu preciso... eu preciso provar que posso dar conta das coisas sem precisar dele correndo para me salvar toda vez.

— Não existe monstro da escuridão — respondi, beijando sua testa. — E mesmo se existisse, o papai está aqui. Nada vai te machucar.

Ela eventualmente dormiu, segurando seu ursinho de pelúcia contra o peito.

Depois fui de lareira em lareira. A do salão principal. A do refeitório. A da sala de TV. Coloquei mais lenha em cada uma, garantindo que teriam combustível para a noite inteira. O calor e a luz eram essenciais agora.

Paola me ajudou a distribuir lampiões adicionais para os hóspedes. Batemos de porta em porta, oferecendo cobertores extras, certificando-nos de que todos estavam confortáveis apesar das circunstâncias.

Quando finalmente os últimos hóspedes começaram a se recolher para seus quartos, eu estava exausto. Meus músculos doíam do trabalho físico. Meus olhos ardiam de cansaço. Tudo que eu queria era cair na cama e dormir.

Subi as escadas lentamente, cada degrau parecendo mais alto que o anterior.

O corredor do segundo andar estava escuro, iluminado apenas pela luz fraca de um lampião que eu havia deixado na mesa no fim do hall.

Foi quando ouvi um choro. Baixinho, abafado, vindo de um dos quartos.

Do quarto de Bianca.

Parei, meu cansaço momentaneamente esquecido. Fiquei ali parado, ouvindo, certificando-me de que não estava imaginando coisas.

Mas não estava. Era definitivamente o som de alguém chorando. Tentando se manter quieta, mas não conseguindo completamente.

Me aproximei da porta do quarto dela. Estava entreaberta, apenas uma fresta, deixando escapar um filete da luz do lampião de dentro.

Hesitei. Parte de mim queria continuar andando, ir para meu próprio quarto, deixá-la ter seu momento privado.

Mas não consegui.

— Bianca? — chamei suavemente, empurrando a porta mais alguns centímetros e colocando apenas a cabeça para dentro.

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