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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 549

~ NICOLÒ ~

Christian.

O nome ecoou na minha cabeça, estranho e desconhecido, mas carregado de um peso que eu não conseguia identificar.

— Pode ir chamá-la? — pedi para minha mãe, tentando manter a voz calma. — Acho que ela ainda está com Bella na sala de TV.

Martina assentiu e saiu rapidamente, seus passos ecoando pelo corredor.

Olhei para Paola, que me observava com uma expressão curiosa que provavelmente refletia a minha.

— Christian — repeti em voz baixa, mais para mim mesmo do que para ela. — Quem seria?

— Namorado? — sugeriu Paola, mas sua voz não tinha a acidez de antes. Havia genuína incerteza ali. — Ela tem uma filha. Talvez seja o pai da criança.

Ou um irmão. Ou um primo. Ou um amigo. Ou literalmente qualquer pessoa da vida de Bianca que eu não conhecia porque, bem, eu não conhecia absolutamente nada sobre ela.

Saí da cozinha e atravessei o corredor em direção à recepção. A pequena sala na entrada da villa servia como escritório administrativo, com uma mesa antiga de madeira, um computador que já tinha visto dias melhores, e o telefone fixo que tocava ocasionalmente com reservas ou perguntas de potenciais hóspedes.

O telefone estava fora do gancho, a luz vermelha piscando indicando que a linha ainda estava aberta, esperando.

Peguei o aparelho e o levei ao ouvido.

— Alô? — disse, mantendo minha voz profissional. — Aqui é Nicolò Montesi, da Tenuta Montesi. Com quem gostaria de falar?

— Com Bianca Ricci — respondeu uma voz masculina do outro lado. Era grave, controlada, com aquela qualidade que vem de alguém acostumado a dar ordens e ser obedecido. Mas definitivamente educado, refinado. — Christian.

— Entendo — respondi, sem saber bem o que dizer. — E o senhor é...?

Houve uma pausa do outro lado da linha. Não foi longa, mas foi o suficiente para eu perceber que minha pergunta o havia pegado de surpresa.

— O que eu sou dela? — repetiu ele, e havia algo na voz dele agora. Não era grosseria. Era mais... perplexidade genuína. Como se a pergunta não fizesse o menor sentido. — Bianca sabe quem eu sou. Não preciso me identificar mais do que isso.

As luzes da recepção piscaram naquele momento. Uma vez. Duas vezes. O computador emitiu um bipe de protesto enquanto a energia oscilava.

Olhei para cima, franzindo a testa. A tempestade de neve lá fora devia estar piorando, afetando as linhas de energia. Não era incomum perdermos eletricidade durante nevascas fortes, mas geralmente o gerador entrava em ação rapidamente

— Tentei ligar para o celular dela — Christian disse, e agora havia frustração evidente em sua voz. — Várias vezes. Mas ela não atende. Por isso estou ligando para a pousada. Ela mencionou que o sinal aí é ruim.

O sinal aqui era ruim, sim, especialmente com a nevasca. Mas não era inexistente. Algumas operadoras funcionavam melhor que outras. E mesmo com sinal fraco, alguma ligação deveria ter passado.

A verdade era que Bianca provavelmente não conseguia atender o celular porque não se lembrava da senha para desbloqueá-lo. Mas como eu explicaria isso sem revelar toda a situação complicada?

As luzes piscaram novamente. Desta vez com mais intensidade. O brilho fluorescente tremelicou violentamente, criando sombras estroboscópicas que dançavam pelas paredes.

— O sinal realmente é problemático aqui — continuei, tentando soar natural. — Mas a verdade, senhor... é que a senhorita Ricci, teve... um pequeno incidente.

— Incidente? — perguntou Christian, e havia algo diferente em sua voz agora. Urgência. Preocupação real. — Que incidente?

Meus olhos foram se ajustando gradualmente à escuridão. Não estava completamente escuro — havia um pouco de luz vinda das janelas, o reflexo da neve lá fora criava um brilho fantasmagórico, azulado, que permitia ver vagos contornos das coisas. Sombras de móveis. Formas de portas e janelas.

Ouvi passos no corredor. Rápidos, múltiplos. Vozes se sobrepondo. Martina chamando por mim, sua voz carregando aquela preocupação maternal que ela sempre tinha quando algo saía do controle. Paola perguntando algo sobre o gerador. Alguns hóspedes murmurando confusos no salão.

E então outra voz. Mais próxima. Mais clara. Logo atrás de mim.

— A ligação era para mim?

Virei-me bruscamente.

Bianca estava ali, parada na entrada da recepção, sua silhueta recortada contra o brilho fraco que vinha da janela do corredor. Na escuridão, conseguia apenas ver o contorno do seu corpo, a forma do seu cabelo solto caindo sobre os ombros.

Mas podia ouvir a expectativa em sua voz. A esperança.

— Era — confirmei, passando a mão pelo cabelo. — Christian. Ele ligou para você.

Vi sua silhueta se endurecer. Foi sutil. Tão sutil que talvez eu tivesse imaginado. Mas estava lá.

— Christian — repetiu ela, e sua voz soou... estranha. Como se estivesse testando o nome na língua, procurando por reconhecimento.

Dei um passo na direção dela, meus olhos finalmente se ajustando o suficiente para ver mais do que apenas sombras. Podia ver o brilho fraco refletido em seus olhos agora.

— Esse nome é familiar?

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