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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 468

Se levantou e estendeu a mão para mim, ajudando a me levantar com um cuidado que contrastava com a intensidade das horas anteriores.

Minhas pernas realmente vacilaram, e ele segurou meus quadris por um segundo, firmando-me.

— Tá bom, vou me comportar — ele prometeu, mas o brilho nos olhos era de pura malandragem.

Mal eu dei um passo, ele acertou um tapinha rápido e sonoro na minha bunda, fazendo eu dar um pulo e soltar uma risadinha.

— É… se comportando muito bem, eu vejo — comentei, revirando os olhos, mas o coração estava leve, flutuando.

Me vesti escolhendo a roupa mais coberta que encontrei, um conjunto de moletom bege.

A noite estava fria mesmo, era a desculpa perfeita. Ele se vestiu com rapidez, uma calça de moletom e uma camiseta branca simples que parecia realçar ainda mais os músculos dos braços.

Antes de descer, ele me puxou para um último beijo. Foi lento, doce, uma promessa silenciosa de que aquela noite era só um intervalo, não o fim.

— Vamos — ele sussurrou, com sua testa encostada na minha.

Descemos as escadas de mãos dadas, e o burburinho alegre da sala de estar nos envolveu.

Alana estava no centro, como um pequeno furacão de felicidade. Ela segurava um balão enorme, quase do seu tamanho, e abraçava um urso de pelúcia marrom que era quase tão grande quanto o balão.

Seus olhos brilhavam, e ela falava a mil por hora para meus pais, que estavam sentados no sofá, sorrindo.

— …e aí o tio Raul me levantou pra eu tocar no galho mais alto, e tinha um passarinho, mamãe! Um passarinho amarelo! — ela gritou quando me viu, correndo na minha direção.

Abaixei-me, ignorando a leve dor na minha parte íntima e a abracei forte, cheirando seu cabelo que cheirava a algodão-doce.

— Que passeio incrível, minha flor! Conta tudo pra mim!

Enquanto ela repetia a história, ainda mais animada, senti o olhar da minha mãe em mim.

Ergui os olhos e a encontrei me observando, com um sorriso pequeno e conhecedor nos lábios. Quando Alana foi mostrar o urso para o Rafael, minha mãe se aproximou e sussurrou, baixinho:

— Espero que você tenha aproveitado um pouco o momento a sós, filha. Você parece… radiante.

Senti o calor subir do pescoço até as orelhas.

Eu devia estar toda manchada, com os lábios inchados e um ar de quem tinha sido completamente e maravilhosamente amada.

— Aproveitei, sim, mãe — admiti, com um sorriso tímido. — Muito.

Ela acariciou meu rosto, um gesto rápido e cheio de afeto.

— Fico feliz.

Rafael desceu os últimos degraus e foi direto cumprimentar meu pai. Os dois estavam se dando cada vez melhor.

Vi meu pai dar um tapinha nas costas dele rindo de alguma coisa que ele disse sobre o time de futebol.

Era uma cena que há algumas semanas teria sido impossível de imaginar.

Quando a animação inicial do passeio passou e Alana começou a bocejar, abraçada ao urso no sofá, olhei para meus pais.

— Já está tarde. Por que vocês não ficam aqui? Dormem no quarto de hóspedes. É longe daqui pra casa de vocês.

— Ah, não, filha, não queremos incomodar — meu pai disse, mas o cansaço no rosto dele era evidente.

— Não é incômodo nenhum — Rafael interviu, com sua voz firme e acolhedora. — Fiquem à vontade. A casa é grande e a Lorena fica mais tranquila sabendo que vocês estão aqui, seguros.

A troca de olhares entre meus pais foi rápida, e a gratidão no rosto da minha mãe me emocionou.

— Tá bom, então. Só por essa noite — ela aceitou.

Rafael, sempre prático, sugeriu pizzas para o jantar, e em pouco tempo a mesa da cozinha estava coberta de caixas abertas e o cheiro de queijo derretido e molho de tomate tomando conta do ar.

Foi uma refeição barulhenta, feliz e simples. Alana, quase dormindo no prato, foi levada por mim para a cama, no quarto ao lado do nosso.

A empresa de Rafael respirava um ar de normalidade que eu agora conseguia apreciar. Os vidros blindados, os seguranças discretos, não me causavam mais arrepios.

Eram um escudo, não uma prisão. Eu tinha mergulhado de volta no meu trabalho com uma concentração quase feroz, tentando recuperar o tempo perdido e, principalmente, provar a mim mesma que eu ainda era boa naquilo.

Que o que aconteceu não tinha roubado minha competência.

Mas havia uma fissura nessa normalidade toda. Uma tensão deliciosa e excruciante que percorria o ar entre nós, invisível para todos, mas palpável como uma corrente elétrica para mim.

Nós não tínhamos contado a ninguém. A política da empresa sobre relacionamentos era clara, e mesmo sendo ele o dono, Rafael queria evitar fofocas desnecessárias, dar um tempo para as coisas se assentarem.

Foi o combinado, fizemos isso juntos…

Só que o coração não obedece à lógica.

Cada olhar trocado no corredor que durava um segundo a mais do que o profissional, cada vez que nossas mãos se esbarravam acidentalmente ao pegar uma xícara de café, cada reunião onde eu sentia o calor do olhar dele em mim mesmo quando falava de gráficos e projeções… era um jogo de vontades, um segredo quente e pesado que carregamos nos olhos.

Eu não aguentava mais. E pelo jeito que ele me encarava às vezes, com uma fome quase crua disfarçada de atenção profissional, ele também não.

Foi quando a porta do saguão principal se abriu…

Não foi um som, e sim uma presença. Um perfume caro e distinto, floral e amadeirado, invadiu o andar antes mesmo dela aparecer. E então, Sofia entrou.

Mesmo sem a plateia, os holofotes ou o vestido de palco, ela era um espetáculo à parte.

Alta, esguia, cabelos perfeitamente alisados, vestindo um tailleur creme que custava mais que meu salário do ano.

Ela caminhou com a confiança de quem nunca precisou bater em uma porta. Todos os olhos do andar se voltaram para ela, alguns de reconhecimento, outros de pura curiosidade. E claro, ignorou todos, com seu olhar escaneando o espaço até encontrar o que procurava, a porta do escritório de Rafael.

Meu estômago deu um nó. Um nó frio, pesado e completamente irracional.

Sofia, a ex-namorada.

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