Quando seus pés tocaram a areia quente, Alana soltou minha mão e partiu em disparada, seus gritos de alegria se perdendo no barulho das ondas baixinhas.
Ela correu até a beira d’água, parou diante da espuma que avançava e recuava, e ficou parada, observando, com uma reverência que me comoveu.
A imensidão azul à sua frente era algo novo, poderoso.
Fiquei alguns passos atrás, observando. Lorena desceu a trilha mais devagar, e quando chegou perto de mim, encostou o ombro no meu, seu calor misturando-se ao meu.
— Ela nunca viu o mar assim, de verdade — sussurrou e sua voz estava cheia de uma emoção que entendi perfeitamente.
Era sobre dar à filha as experiências que o medo tinha roubado.
— Vai ver muito mais — prometi baixinho, passando o braço em volta dos seus ombros e puxando-a contra mim.
Meus olhos não saíam da cena da filha dela, minha filha de coração, enfrentando o mundo novo e lindo que eu tinha jurado dar a elas.
A noite caiu com uma explosão de cores no céu, e fomos a um restaurante na orla, simples, com mesas na areia e lanternas penduradas. Comemos peixe grelhado, arroz de coco, e Alana experimentou um suco de maracujá que declarou ser a melhor coisa do mundo.
Ela tagarelava sem parar, sobre a areia, os peixinhos que viu, sobre o barco grande que estava ancorado mais adiante.
Foi aí que a ideia pegou. O passeio de escuna pela baía no dia seguinte.
Na manhã seguinte, subimos a precária passarela de madeira para o barco. Alana, que tinha estado tão corajosa na areia, ficou petrificada no convés, com seus dedinhos agarrando-se com força à barra da minha bermuda.
O balanço suave da embarcação, o som diferente da água batendo no casco, tudo era assustador.
— Não gostei, Rafael. Quero descer — ela disse, sua voz pequena e trêmula.
Lorena estava um pouco pálida também, o enjoo matinal dando as caras com o balanço. Ela sentou-se em um banco fixo, respirando fundo.
O trabalho era meu.
Me abaixei até ficar na altura dela.
— Olha pra mim, Alana.
Ela ergueu os olhos assustados.
— Você lembra das suas aulas de natação? Da professora Carla?
Ela fez que sim, em um movimento minúsculo.
— O que a Carla falava sobre a água?
— Que… que a gente tem que respeitar, mas não ter medo — ela recitou, em um sussurro.
— Isso mesmo. E olha essa água aqui — apontei para a baía de um azul-turquesa, calma como uma piscina gigante. — É ainda mais tranquila do que a piscina da academia. E eu tô aqui. Eu não vou soltar sua mão. A mamãe tá aqui te vendo. Que tal a gente só sentar aqui na escadinha e molhar os pés?
Ela hesitou com seu conflito interno visível. O medo do novo, contra a confiança que ela tinha depositado em mim, gota a gota, ao longo dos meses.
A confiança que eu cultivava com cada brincadeira no tapete, cada promessa cumprida, cada abraço quando ela tinha um pesadelo.
Finalmente, ela acenou.
Segurei sua mão com firmeza e a levei até a parte de trás do barco, onde uma escadinha de corda levava à água. Sentei na borda, com as pernas na água, e a puxei para sentar ao meu lado. Ela hesitou, mas então deixou os pés descer.
A água era morna e surpreendentemente agradável.
— Viu? Só água. — Mergulhei meus braços, fazendo um movimento suave. — Olha, até dá para ver os peixinhos lá embaixo.
A curiosidade venceu um pouco o medo. Ela se inclinou, tentando ver e pouco a pouco, seu corpo relaxou.
O barco começou a navegar lentamente pela baía, passando por ilhas cobertas de mata, por praias desertas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...