~ NICOLÒ ~
— Papai! Quem é essa moça?
A voz aguda de Bella ecoou pelo corredor, e eu me afastei de Bianca como se tivesse levado um choque elétrico. Meu coração disparou — parte pela interrupção súbita, parte pela culpa absurda de ter sido pego em uma situação que não deveria estar acontecendo.
Virei-me para a porta e lá estava minha filha, seus cachos castanhos escapando da trança que minha mãe havia feito pela manhã, o vestido rosa com manchas de algo que parecia ser molho de tomate. Seus olhos castanhos — tão parecidos com os da mãe que às vezes doía olhar — me encaravam com curiosidade pura e inocente.
Abri a boca para responder, para explicar, para dizer... alguma coisa. Mas meu cérebro estava completamente em branco. As palavras se embaralharam na minha língua e nada saiu.
Então Bianca se moveu.
Ela se abaixou com graça natural, dobrando os joelhos até ficar na altura de Bella. Um sorriso suave curvou seus lábios — o tipo de sorriso que alguém reserva para crianças, caloroso e genuíno.
— Eu sou a noiva do seu papai — disse ela, e meu estômago despencou.
Não, não, não.
Bianca franziu a testa levemente, como se tentando acessar uma memória que deveria estar ali mas não estava.
— A gente... a gente ainda não se conhecia? — perguntou, e havia confusão genuína em sua voz.
Bella balançou a cabeça energicamente, os cachos saltando.
— Não! Eu nunca vi você antes. Qual é seu nome?
— Bianca — respondeu ela, ainda sorrindo. — E qual é o seu nome?
— Eu sou a Bella! — anunciou minha filha com o orgulho típico de uma criança de seis anos. — Bella Montesi.
— Bella — repetiu Bianca, como se saboreando o nome. — Que nome bonito. Quantos anos você tem, Bella?
— Seis! — Bella levantou seis dedos, certificando-se de que o número estava absolutamente claro. — Faço sete em abril!
— Seis anos — murmurou Bianca, e algo mudou em sua expressão. Seus olhos azuis ficaram distantes por um momento. — Ah, é a mesma idade da minha filha.
— Você tem uma filha? — as palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse filtrá-las.
Bianca se levantou e se virou para mim, seus olhos me encarando com uma mistura de confusão e algo que parecia ser... decepção.
— Claro que tenho — disse ela, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Sua testa se franziu. — Você deveria saber disso.
Minha mente entrou em pane total. Ela tinha uma filha? Uma filha da mesma idade da Bella? Isso não estava em nenhuma das informações que ela havia dado. Nem no hospital, nem quando fez a reserva, nem...
— Há quanto tempo somos noivos? — perguntou Bianca de repente, e sua voz tinha uma nota de urgência agora.
Olhei para ela, depois para Bella, que observava nossa troca com os olhos arregalados, absorvendo cada palavra como uma esponja.
— Querida — virei-me para minha filha, forçando minha voz a soar normal, casual. — Por que você não desce para ajudar a vovó com o pão? Ela deve estar tirando do forno agora e você sabe como fica pesado para ela.
O rosto de Bella se iluminou. Minha mãe a deixava "ajudar" na cozinha — o que geralmente significava comer metade da massa e deixar farinha em todos os lugares possíveis — e Bella adorava cada segundo.
— Tá bom, papai! — ela girou nos calcanhares e saiu correndo pelo corredor, seus passinhos ecoando contra o piso de madeira antiga.
O silêncio que ela deixou para trás era denso, pesado.
Bianca cruzou os braços, e eu pude ver a tensão se formando em seus ombros.
— Há quanto tempo estamos noivos? — repetiu ela, mais devagar desta vez, articulando cada palavra. — Por que ainda não conhecemos a família um do outro? Você não sabia sobre minha filha. Bella não me conhecia. Nada disso faz sentido.
Idiota. Você é um idiota completo, Nicolò Montesi.
— Tudo bem — disse, suavizando minha voz ao máximo. Levantei as mãos novamente, desta vez em rendição. — Tudo bem. Desculpa. Eu... desculpa por deixar você confusa.
Ela me observou com desconfiança, como um animal ferido avaliando se devia confiar ou fugir.
— Você deve estar cansada depois de tudo que aconteceu hoje — continuei, dando passos lentos em direção à porta. — Por que você não descansa um pouco? Toma um banho quente, deita na cama... Eu volto mais tarde para ver se você precisa de alguma coisa. Janta. Remédio para dor. O que você precisar.
Bianca não respondeu. Apenas continuou me encarando com aqueles olhos azuis enormes, ainda respirando um pouco rápido demais.
— Ok? — insisti gentilmente.
Ela assentiu, apenas um movimento pequeno de cabeça.
— Ok — repeti, mais para mim mesmo do que para ela. — Eu... eu vou indo então.
Recuei em direção à porta, mantendo os olhos nela o tempo todo, como se temesse que ela pudesse desmoronar no momento em que eu virasse as costas. Quando minha mão encontrou a maçaneta, segurei-a como se fosse uma tábua de salvação.
— Qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, é só descer ou me chamar — disse. — Meu quarto fica ao lado.
Outro aceno pequeno de cabeça.
Saí do quarto e fechei a porta suavemente atrás de mim.
O corredor estava silencioso, iluminado apenas pela luz fraca que vinha das janelas no fim do hall. Encostei na parede e deixei minha cabeça cair para trás, batendo de leve contra a madeira antiga.
No que eu me meti?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Alguém me indica um livro parecido com esse. Gostei muito...
Eu queria um site pra ler todo o livro...
Acabou foi? Não entendi nada.....
Primeira vez que leio um livro do início ao fim, na qual flutuei imaginando até os cenários. Vou sentir saudades 🥺...
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....