~ NICOLÒ ~
Desci as escadas com passos pesados, mas minha mente estava completamente em outro lugar.
No corpo frágil de Bianca desmaiada em meus braços. No peso surpreendentemente leve quando a carreguei até a caminhonete, como se ela fosse feita de algo delicado demais para este mundo. Naquele par de olhos azuis intensos que me encaravam com uma mistura de confusão e certeza que não fazia o menor sentido. Nas pernas longas que haviam escorregado da maca quando tentei ajudá-la a se acomodar.
E no beijo.
Merda. O beijo.
Não tinha sido aquele tipo de beijo, o tipo que tira o fôlego e faz o mundo parar. Tinha sido quase um selinho, rápido, casto, inocente. Seus lábios haviam tocado os meus por não mais do que dois segundos antes de Bella aparecer na porta.
Se minha filha não tivesse chegado e nos interrompido...
Balancei a cabeça com força, afastando o pensamento. Obviamente eu teria feito a mesma coisa — me afastado, explicado, estabelecido limites. Eu não era o tipo de homem que se aproveitava de uma mulher confusa e vulnerável que acabara de bater a cabeça.
Mas aqueles lábios macios contra os meus não saíam da minha cabeça.
Concentra, Nicolò. Ela é uma hóspede. Uma hóspede temporariamente confusa que vai embora em alguns dias.
Cheguei ao fim da escada e virei à esquerda, seguindo o corredor até a cozinha. O cheiro de pão fresco assado invadiu minhas narinas antes mesmo de eu empurrar a porta — alecrim, azeite, aquela crosta dourada perfeita que só minha mãe conseguia fazer.
A cozinha era o coração da propriedade. Grande e acolhedora, com bancadas de mármore desgastadas pelo tempo, panelas de cobre penduradas nas paredes, e uma enorme lareira de pedra que aquecia o ambiente mesmo nos dias mais frios do inverno. Bella estava sentada no banquinho alto perto da ilha central, balançando as perninhas, com farinha no nariz e um sorriso de orelha a orelha.
E minha mãe — Martina Montesi, sessenta e dois anos de pura energia — estava tirando a última fornada de pães da forma, usando luvas de forno floridas que eu havia dado a ela.
— Então você está noivo da hóspede nova, Nico? — disparou ela sem nem olhar na minha direção, mas eu podia ouvir o riso contido em sua voz.
Ela se virou, os olhos castanhos brilhando de diversão, e soltou uma risada aberta e calorosa que fez Bella rir junto sem nem saber o motivo.
Ri de volta, balançando a cabeça enquanto me aproximava da cesta de pães ainda quentinhos sobre a bancada. Peguei um, queimando levemente as pontas dos dedos, e comecei a parti-lo ao meio, liberando aquele vapor perfumado.
— Não exatamente — respondi, mastigando um pedaço. Perfeito. Como sempre. — A moça bateu com a cabeça e está confusa. O doutor pediu para não a contrariar ou ela pode demorar ainda mais para se recuperar.
Bella parou de balançar as pernas e inclinou a cabeça para o lado, seus cachos bagunçados caindo sobre um ombro.
— A moça é doida? — perguntou com aquela franqueza brutal que só crianças possuem.
Ri novamente, desta vez mais suavemente, e me aproximei dela para passar a mão em sua cabeça com carinho.
— Não, meu amor. Ela só está... dodói. E o papai está cuidando dela.
Bella processou isso por um momento, seus olhinhos me estudando com seriedade.
Peguei o celular do bolso traseiro da calça e abri a planilha de agendamentos da pousada. Rolei até encontrar o nome dela: Bianca Ricci.
Verifiquei todos os campos.
— Não — respondi, franzindo a testa. — Nenhum contato de emergência. Mas pelo menos o sobrenome ela acertou. Bianca Ricci. É o mesmo que está aqui no registro.
Martina mordeu o lábio inferior, uma ruga de preocupação se formando entre suas sobrancelhas.
— O certo seria alertar a polícia — disse ela, e não era uma sugestão. Era a voz de mãe, a voz de responsabilidade e bom senso. — Pedir que façam uma busca por algum parente, alguém que possa cuidar dela...
Refleti sobre isso, passando o polegar pela tela do celular sem realmente ver nada. Ela estava certa, é claro. Martina quase sempre estava certa quando se tratava dessas coisas.
Mas algo me segurava. Talvez a vontade de descobrir, eu mesmo, mais sobre aquela mulher misteriosa.
— Talvez — disse finalmente, guardando o celular. — Mas vamos lhe dar as quarenta e oito horas que o doutor falou. Ela está bem, só está... confusa. Sua memória deve voltar logo e...
Olhei ao redor, certificando-me de que Bella ainda estava distraída, antes de baixar a voz para quase um sussurro.
— A senhora sabe. Se pudermos não nos envolvermos com a polícia, é melhor assim.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Alguém me indica um livro parecido com esse. Gostei muito...
Eu queria um site pra ler todo o livro...
Acabou foi? Não entendi nada.....
Primeira vez que leio um livro do início ao fim, na qual flutuei imaginando até os cenários. Vou sentir saudades 🥺...
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....