~ BIANCA ~
Joguei o celular contra a parede oposta com toda a força que consegui reunir. Ele bateu com um som satisfatório de crack e caiu no chão, a tela provavelmente despedaçada.
Ótimo. Mais uma coisa quebrada.
Assim como minha memória. Minha sanidade. Minha vida inteira, aparentemente.
Sentei na beirada da cama, respirando pesadamente, sentindo as lágrimas de frustração queimarem atrás dos meus olhos. Não ia chorar. Não ia.
Mas caramba, era tão frustrante lutar contra a própria memória para descobrir coisas básicas sobre mim mesma. Coisas que qualquer pessoa deveria saber. Coisas simples.
Quem sou eu?
A pergunta ecoava na minha cabeça sem resposta.
Levantei-me e fui até a mala. Abri-a com força e comecei a vasculhar o conteúdo, jogando roupas para os lados sem cerimônia.
Precisava de algo. Qualquer coisa que me desse uma pista sobre quem eu realmente era.
Roupas. Muitas roupas. Todas caras demais. Cashmere, seda, linho italiano. Sapatos que custavam mais do que a maioria das pessoas ganhava em um mês. Uma bolsinha de maquiagem repleta de produtos importados.
Nada disso me ajudava.
Então meus dedos tocaram algo sólido no fundo da mala, escondido sob uma camada de lingerie que definitivamente não era de alguém sem dinheiro.
Documentos.
Puxei a pasta de couro e a abri com mãos trêmulas.
E lá estava: meu passaporte.
Bianca Ricci Bellucci.
Bellucci.
Um frio percorreu minha espinha, começando na nuca e descendo pelas costas como dedos gelados. Meu coração disparou sem motivo aparente, bombeando adrenalina pura através das minhas veias.
Bellucci.
Por que aquele nome me deixava tão... assustada? Por que havia uma voz gritando dentro da minha cabeça “ninguém pode saber desse nome”?
Não fazia sentido. Nada fazia sentido.
Mas o instinto era forte demais para ignorar. Sem pensar muito, enfiei os documentos de volta no fundo da mala, escondendo-os sob camadas e mais camadas de roupa. Ninguém podia ver aquilo. Ninguém podia saber.
Mas por quê?
A pergunta permaneceu sem resposta.
Respirei fundo, tentando acalmar meu coração acelerado. Precisava de algo para organizar meus pensamentos. Algo tangível.
Procurei na bolsa e encontrei um pequeno bloco de anotações e uma caneta.
Sentei-me na escrivaninha perto da janela e comecei a escrever, como se colocar as informações no papel pudesse de alguma forma fazer tudo fazer sentido:
Nome: Bianca Ricci
Pausei. Deveria escrever Bellucci também? Não. Algo me dizia para não fazer isso
Idade: 29 anos (descobri nos documentos)
Profissão: Consultora de marketing digital especializada em turismo rural
Estado civil: solteira (mas noiva)
Nacionalidade: Italiana
Parei novamente. Meus dedos pairaram sobre o papel. Algo estava faltando. Algo importante.
E brasileira?
Escrevi as palavras, mas elas pareciam erradas. Ou certas demais. Não sabia qual.
Frustrada, risquei com força, a caneta rasgando levemente o papel.
Continuei a lista, mas cada nova linha só gerava mais perguntas do que respostas:
Cor preferida: não sei
Comida preferida: não sei
Onde moro: não sei
Nome da filha: não sei
Idade da filha: 6 anos (mesma da Bella)
Olhei para o que havia escrito e senti vontade de rasgar tudo. Aquilo era patético. Eu não sabia nada sobre mim mesma. Absolutamente nada além de fatos secos e impessoais.
Joguei a caneta sobre a mesa e voltei para a mala. Tinha uma filha. Então devia ter fotos, certo? Todo mundo tem fotos dos filhos.
Vasculhei cada bolso, cada compartimento.
Nada.
Nem uma maldita foto.
Que tipo de mãe não carrega fotos da filha?
A culpa me atingiu como um soco no estômago. Eu tinha uma filha e não conseguia nem lembrar o rosto dela. O nome dela. Nada.
O celular.
Então ele baixou o machado, apoiando-o contra um tronco, e caminhou na minha direção. Cada passo fazia os músculos de seu abdômen se contraírem levemente, desenhando linhas que eu queria muito traçar com os dedos.
— Você está se sentindo melhor? — perguntou ele quando ficou a poucos metros de distância, e havia genuína preocupação em sua voz.
— Estou — respondi, e minha voz saiu mais rouca do que eu pretendia. — Mas você... — deixei meus olhos percorrerem seu corpo sem qualquer pudor — ...você está fazendo eu me sentir muito melhor.
Nico piscou. Uma vez. Duas vezes.
— Eu... o quê?
Dei alguns passos na direção dele, eliminando a distância que ainda nos separava. O cheiro dele invadiu meus sentidos — suor, madeira, algo masculino e terroso que fez meu estômago dar um nó.
— Você é muito gostoso — disse simplesmente, porque era a verdade. — Sério. Tipo... absurdamente gostoso.
Seu rosto corou. Corou. Aquele homem enorme e forte estava corando por causa de um elogio.
Era adorável. E incrivelmente sexy.
— Senhorita, eu... — ele começou, dando um passo para trás.
Dei um passo para frente.
— Ainda bem que é todo meu — continuei, sorrindo. — Eu devo ter escolhido muito bem quando aceitei me casar com você.
— Senhorita...
— Esse negócio de me chamar de senhorita é tipo... um fetiche?
— O quê?
— Aliás — disse, inclinando a cabeça e deixando meus olhos deslizarem novamente por aquele peito nu ridiculamente perfeito — por que a gente não sobe para se divertir um pouco?
Nico engasgou. Literalmente engasgou com o próprio ar.
— O... o quê?
— Sabe — dei de ombros, me aproximando mais. Estávamos tão perto agora que eu podia sentir o calor emanando do corpo dele, cortando o frio da tarde. — Não sei se é porque minha memória está confusa, mas parece que eu não faço sexo há meses. E... — mordi o lábio novamente, observando os olhos dele se arregalarem — eu estou precisando. Muito.
— Senho... Bianca! Bianca, você bateu a cabeça — disse ele rapidamente, dando outro passo para trás e quase tropeçando em um tronco. — Você não está pensando direito. Você não... nós não...
— Por que você continua recuando? — perguntei, genuinamente confusa. — Somos noivos. É perfeitamente natural que a gente...
— HEY, NICO!
A voz feminina cortou o ar como uma faca.
Virei-me bruscamente e lá estava uma moça — devia ter uns vinte e poucos anos, cabelos escuros presos em um rabo de cavalo alto, jeans justos e um suéter vermelho. E ela estava olhando para mim com uma expressão que só podia ser descrita como... raiva pura.
— Vai ficar aí dando em cima das hóspedes — continuou ela, com veneno na voz — ou vai trabalhar?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Alguém me indica um livro parecido com esse. Gostei muito...
Eu queria um site pra ler todo o livro...
Acabou foi? Não entendi nada.....
Primeira vez que leio um livro do início ao fim, na qual flutuei imaginando até os cenários. Vou sentir saudades 🥺...
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....