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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 534

~ BIANCA ~

Nico ficou parado por um momento, o prato ainda na mão, a água da pia continuando a correr. Quando finalmente falou, sua voz saiu seca, quase cortante.

— Não quero falar sobre isso.

Pisquei, surpresa com a rispidez.

— Mas... precisamos falar — insisti gentilmente. — Somos noivos. É natural conhecer sobre o passado um do outro, não é?

Ele colocou o prato na pia com mais força do que o necessário, fazendo um barulho alto que ecoou pela cozinha.

— Nunca falamos sobre ex? — perguntei, tentando entender.

Nico se virou para mim, apoiando-se na bancada e cruzando os braços. Havia algo defensivo em sua postura agora.

— Me diz você — rebateu. — Algo a falar sobre seus ex?

A pergunta me pegou desprevenida. Puxei pela memória, procurando por rostos, nomes, momentos. Namorados anteriores. Relacionamentos passados. Qualquer coisa.

Vazio. Como sempre.

— Acho que não tenho nenhum ex significativo — respondi lentamente. — Porque não consigo me lembrar de ninguém.

— Você tem uma filha — disse ele, e havia algo afiado em seu tom. — Como o pai dela pode nem ao menos ser... significativo?

A pergunta me atingiu como um soco no estômago.

Puxei novamente pela memória, desesperadamente desta vez. Tinha que haver algo ali. Alguma coisa. O pai da minha filha. O homem com quem eu tinha criado uma vida, uma criança.

E então veio: aquela mesma lembrança fragmentada. O teste de gravidez na minha mão, as duas linhas rosa vibrantes. Eu, mais jovem, rindo, mostrando para alguém ao meu lado. Um homem. Mas quando tentei focar no rosto dele, era apenas um borrão, como se alguém tivesse apagado aquela parte da imagem propositalmente.

Tentei ir mais fundo. O nome dele. Como nos conhecemos. Onde morávamos. A gravidez. O parto. Nossa filha nascendo. Seu primeiro sorriso. Suas primeiras palavras.

Nada.

Absolutamente nada.

A dor era física, real, cortando através do meu peito como uma lâmina afiada.

— Bom — disse, e minha voz saiu amarga, dolorida de uma forma que eu mal reconheci. — Aparentemente eu não consigo me lembrar nem da minha própria filha. Seu nome, seu rosto, nada.

Nico me encarou por alguns segundos, e vi a forma como a raiva se dissolveu de seus olhos, sendo substituída por algo mais suave. Preocupação, talvez. Ou compaixão.

Então, repentinamente, ele se moveu. Deu dois passos rápidos na minha direção e me puxou para um abraço.

Fiquei imóvel por um momento, surpresa, antes de relaxar contra o peito dele. Era sólido, quente, seguro. Cheirava a lenha e algo masculino que fazia meu estômago dar um nó.

— É só um lapso temporário de memória — disse ele suavemente, sua voz reverberando através do peito onde minha orelha estava pressionada. — Logo você vai se lembrar de tudo.

Fechei os olhos com força, tentando acreditar naquilo.

— É como estar presa dentro de mim mesma — expliquei, e as palavras começaram a sair em uma torrente que eu não conseguia controlar. — Como se houvesse uma parede de vidro entre mim e minhas próprias memórias. Eu posso ver vultos do outro lado, formas borradas, mas quando tento alcançar, tocar, pegar... não há nada. Só vazio. É sufocante. Agoniante. Como se eu estivesse me afogando mas todos continuam dizendo que estou respirando perfeitamente bem.

Os braços de Nico se apertaram ao meu redor, e senti uma de suas mãos subir para acariciar meu cabelo com movimentos lentos e reconfortantes.

Parte de mim queria insistir. Queria exigir respostas agora, imediatamente, todas as informações que ele pudesse me dar sobre quem eu era, sobre quem éramos juntos.

Mas outra parte de mim — a parte cansada, exausta, sobrecarregada — apenas queria dormir. Queria fechar os olhos e acordar amanhã sendo eu mesma novamente. Completa. Inteira. Com todas as minhas memórias de volta onde deveriam estar.

Sorri, um sorriso pequeno, mas genuíno desta vez.

— Você tem razão. Amanhã vai ser melhor.

Virei-me para sair, meus passos levando-me em direção à porta da cozinha. Mas parei no batente, virando-me de volta para olhá-lo.

Ele ainda estava ali, apoiado na bancada, me observando com aquela expressão que eu não conseguia decifrar completamente.

— De qualquer forma — disse, e minha voz saiu mais suave agora, mais vulnerável — fico feliz que você estivesse ao meu lado quando tudo isso aconteceu.

Nico não respondeu. Apenas continuou me encarando.

— Quero dizer... — continuei — posso não lembrar ou ter certeza de muitas coisas. Mas tenho certeza do nosso relacionamento. Não existe nenhuma hipótese de você não ser o tipo de homem que eu escolheria para ter ao meu lado para o resto da vida.

Ele ficou parado. Completamente imóvel. Quase congelado. Apenas me observando com aqueles olhos verdes que agora pareciam carregados com emoções demais para nomear.

Aproximei-me novamente, eliminando a distância entre nós com passos lentos. Coloquei-me na ponta dos pés e pressionei meus lábios contra os dele em um beijo rápido e suave.

— Boa noite, amor — sussurrei contra seus lábios.

Então me afastei e saí da cozinha, atravessando o corredor e subindo as escadas em direção ao meu quarto.

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