~ BIANCA ~
Desci as escadas com cuidado, uma mão no corrimão e a outra tocando levemente o colar de miçangas que Bella havia me dado. Era reconfortante, de alguma forma estranha, aquele peso leve e colorido contra minha pele.
A área de jantar dos hóspedes ficava no térreo, uma sala ampla com mesas de madeira rústica e cadeiras de encosto alto. O cheiro que vinha de lá era incrível — algo entre assado, ervas frescas e pão quentinho. Vários hóspedes já estavam acomodados, conversando animadamente enquanto pratos fartos eram servidos. Comida no estilo pousada: farta, cheirosa, caseira. O tipo de comida que aquece por dentro.
Estava prestes a procurar um lugar para me sentar quando ouvi meu nome.
— Bianca!
Virei-me e vi Paola acenando da entrada que levava à cozinha. Ela usava um avental sobre a roupa e tinha o cabelo preso em um rabo de cavalo ainda mais apertado do que antes.
— Vem jantar com a gente — chamou ela, fazendo um gesto com a cabeça. — Na cozinha.
Hesitei apenas por um segundo antes de segui-la. Atravessei a sala de jantar dos hóspedes e entrei por uma porta de madeira que levava aos fundos.
A cozinha era enorme. Panelas de cobre penduradas nas paredes, uma ilha central de mármore desgastado mas bem cuidado, uma lareira de pedra onde lenha crepitava suavemente. E a mesa — uma mesa longa de madeira maciça que devia ter séculos de história — estava posta para cinco pessoas.
Quando entrei, todos os olhos se voltaram para mim.
Foi Nico quem me viu primeiro, e seu olhar imediatamente caiu para o meu pescoço. Para o colar de miçangas coloridas. Vi algo passar por seus olhos — surpresa, talvez, ou ternura — mas ele não disse nada. Apenas segurou meu olhar por um momento longo demais antes de desviar.
— Martina, essa é a Bianca. Bianca, essa é Martina, sua... Sogra? É, eu diria sogra.
Havia algo na forma como Paola disse aquilo — uma ironia sutil, uma diversão contida — mas eu não conseguia identificar exatamente o quê. Pareceu perfeitamente normal para mim.
Martina secou as mãos em um pano de prato e se aproximou. Ela era uma mulher de estatura média, cabelos grisalhos presos em um coque frouxo, e olhos castanhos calorosos mas avaliadores. Usava um vestido simples coberto por um avental florido.
— Bianca — disse ela, e sua voz era suave, maternal. — Estive ansiosa para te conhecer.
Ela me abraçou, e foi um abraço de verdade, não aqueles abraços rápidos e educados de gente que mal se conhece. Retribuí, sentindo o cheiro de alecrim e lavanda que emanava dela.
— Eu também — respondi, e percebi que era verdade.
— Venha, sente — Martina gesticulou para a mesa. — Deve estar faminta depois de tudo que aconteceu hoje
Acomodei-me em uma das cadeiras, e Bella imediatamente puxou a cadeira ao meu lado para sentar-se perto de mim. Nico tomou o assento à minha frente, e Paola e Martina ocuparam as outras posições.
A comida começou a ser servida: fatias generosas de assado de carne com batatas, vegetais assados temperados com ervas, pão ainda quente com manteiga derretendo, e vinho tinto em taças de vidro grosso.
A conversa fluiu naturalmente. Martina perguntou se eu estava me sentindo melhor, se a cabeça ainda doía, se precisava de mais alguma coisa no quarto. Paola comentou sobre o tour da tarde, fazendo uma piada sobre como eu tinha impressionado todos com meu conhecimento sobre vinhos.
— Ela está um pouco confusa por causa da queda — Nico explicou em determinado momento, quando Martina perguntou algo sobre minha família. — O médico disse que é normal. Deve passar em alguns dias.
Martina assentiu compreensivamente, mas havia algo em seus olhos — preocupação, talvez, ou curiosidade.
Em determinado momento, notei que Bella estava tendo dificuldade para cortar um pedaço especialmente resistente de carne. Sem pensar, peguei a faca e o garfo dela e cortei em pedaços menores, mais fáceis de mastigar.
— Obrigada — disse Bella, sorrindo largo. — Gosto de ter uma nova mamãe.
O silêncio que se seguiu foi instantâneo e pesado.
Bella continuou, alheia ao desconforto que havia causado.
— Eu pedi uma nova mamãe faz tempo. Desde que a outra se foi.
Meu coração apertou. A mãe de Bella havia morrido. Claro. Nico era viúvo... Não era?
— Sinto muito — disse suavemente, tocando levemente o braço de Bella.
— Tudo bem — respondeu ela com a naturalidade brutal das crianças. — Mamãe disse que é mais feliz longe de mim, não é, papai?
O desconforto se transformou em algo mais denso. Mais doloroso.
Olhei para Nico e vi a forma como sua mandíbula se apertou, como seus dedos se fecharam ao redor do garfo com força demais.
— Não é isso, meu amor — disse ele, e havia esforço em manter a voz gentil. — Já conversamos sobre isso, lembra?
Ele se levantou, deu a volta na mesa e se abaixou ao lado de Bella, passando a mão com carinho em sua cabeça.
— Sua mãe... ela só precisava de um caminho diferente. Não tem nada a ver com você, pequena. Você é perfeita.
Bella assentiu, mas não parecia completamente convencida.
Martina quebrou o silêncio com uma voz alegre e determinada.
No terceiro prato, não tive tanta sorte. Escorregou completamente e caiu no chão, despedaçando-se em vários pedaços.
— Merda — murmurei, abaixando-me imediatamente para recolher os cacos.
— Cuidado — Nico se abaixou também, segurando meu pulso antes que eu pudesse cortar os dedos. — Deixa que eu pego.
Ele recolheu os cacos com cuidado, então pegou uma vassoura para varrer os pedacinhos menores.
— Não está muito acostumada a lavar louça, pelo visto — comentou ele, e havia humor gentil em sua voz, não julgamento.
Corei levemente.
Voltamos à pia. Dessa vez fui mais cuidadosa, segurando cada prato com as duas mãos antes de secá-lo.
— Bella consegue se sair melhor nisso do que você!
Ele riu e eu ri de volta.
— Bella é muito carinhosa — comentei, colocando um prato na pilha. — Ela tem sorte de ter você.
Nico sorriu, mas era um sorriso cansado.
— Sou eu quem tem sorte de tê-la. Me mantém... focado, sabe? Quando as coisas ficam difíceis.
— Difíceis como?
Ele deu de ombros, passando outro prato.
— Administrar tudo isso sozinho. A pousada, a vinícola, ser pai... não é fácil.
— Sozinho — repeti, pegando o prato. — Há quanto tempo?
Nico hesitou, suas mãos parando na água por um momento.
— Nunca conversamos sobre isso, não é? O que aconteceu com a mãe dela?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Hoje 04/04, até agora não foram desbloqueados os restantes dos capítulos. Último capitulo liberado 729.... Sem nenhuma explicação. Falta de respeito com os leitores... affff...
Estou achando a história da Anne muito chata. Até agora só enrolação. Aff......
Amei esse livro!! que venham os proximos, com certeza lerei......
O último capítulo desbloqueado foi o 729...isso a quase 15 dias... Qdo a autora irá desbloquear o restante dos capítulos?...
Amei todo o livro Mas infelizmente ficou sem alguns capítulos E agora não liberam o final Muito triste 😞...
Quando vai liberar os extras?...
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...