~ NICOLÒ ~
Subi as escadas devagar, meus passos pesados após o longo dia. A casa estava silenciosa agora, com apenas o som ocasional de hóspedes se movendo em seus quartos ou o rangido familiar da madeira antiga se acomodando.
Parei na porta do quarto de Bella e abri a porta suavemente.
Esperava encontrá-la dormindo, enrolada sob os cobertores com seu ursinho de pelúcia abraçado contra o peito como sempre fazia. Mas em vez disso, ela estava sentada na cama, o abajur de mesa aceso lançando uma luz suave e dourada pelo quarto. Estava olhando para o nada, seus olhos castanhos distantes e pensativos.
— O que foi, meu amor? — perguntei, entrando no quarto e fechando a porta atrás de mim.
Bella piscou, como se saindo de um transe, e me olhou.
— Não consigo dormir — disse ela com aquela voz pequena que usava quando estava preocupada com algo.
Sentei na beirada da cama, o colchão afundando levemente sob meu peso.
— Quer uma história?
Seu rosto se iluminou imediatamente.
— Quero!
Levantei-me e fui até a pequena estante de madeira pintada de branco que ficava contra a parede. Estava cheia de livros infantis — alguns que tinham sido meus quando criança, outros que havíamos comprado juntos ao longo dos anos. Percorri os títulos com o dedo até encontrar um dos favoritos de Bella: uma história sobre uma raposa esperta e suas aventuras na floresta.
Voltei para a cama e me acomodei ao lado dela, apoiando as costas contra a cabeceira. Bella imediatamente se aninhou contra meu lado, sua cabecinha quente descansando no meu braço.
Abri o livro e comecei a ler, usando vozes diferentes para cada personagem como ela gostava. A raposa tinha uma voz aguda e travessa. O urso tinha uma voz grave e resmungona. O coelhinho tinha uma voz rápida e nervosa.
Bella ria, seus olhinhos brilhando de diversão cada vez que eu fazia uma voz particularmente boba.
Estava no meio de uma cena onde a raposa tentava roubar mel das abelhas quando levantei os olhos para olhar para Bella, verificar se ela estava prestando atenção ou já estava quase dormindo.
E foi quando vi.
No pescoço dela, brilhando suavemente sob a luz do abajur, estava um colar. Uma corrente delicada com um pingente em forma de estrela.
Parei de ler no meio da frase.
— Onde você conseguiu isso? — perguntei, apontando para o colar.
Bella tocou a estrela com dedos pequenos, um sorriso enorme se espalhando pelo rosto.
— A tia Bianca deu pra mim! É nosso colar da amizade. Eu dei o meu pra ela e ela deu o dela pra mim.
Me inclinei mais perto, estendendo a mão para tocar o colar. O metal era frio e suave sob meus dedos, e mesmo com meu conhecimento limitado sobre joias, reconheci imediatamente a qualidade.
Aquilo não era bijuteria barata. Não era banhado a ouro ou uma imitação. Era ouro de verdade. Ouro sólido e provavelmente de alta quilatagem, com um pingente que tinha detalhes delicados demais para ser algo produzido em massa.
Era algo caro. Muito caro.
Não era o tipo de semi-joia que eu poderia comprar para presentear uma mulher, por exemplo. Não com o orçamento apertado de manter a propriedade funcionando.
— Bella — comecei cuidadosamente — você vai ter que devolver isso.
— Não! — a resposta foi imediata e veemente. Ela cobriu o colar com ambas as mãos, protegendo-o. — É colar da amizade!
— Eu sei, querida, mas é um colar de adulto. Depois a Bianca pode dar um novo pra você, um de criança mesmo...
Fechei o livro completamente e me virei para Bella, pegando seu rostinho pequeno entre minhas mãos com gentileza.
— Bella, me escuta. Você é uma menina linda, inteligente, engraçada, e você faz todo mundo ao seu redor feliz. Entendeu? Todo mundo. A vovó, a tia Paola, eu... você ilumina nossas vidas todos os dias.
— Mas a mamãe...
— A mamãe tinha problemas que não tinham nada a ver com você — disse firmemente. — Ela que não conseguiu ver o tesouro que tinha. Mas isso é sobre ela, não sobre você. Nunca sobre você.
Bella assentiu, mas ainda parecia incerta.
— Mas a Bianca — continuei, escolhendo minhas palavras com cuidado — não vai ser sua nova mamãe, querida.
Bella franziu a testa, confusa.
— Mas eu vi vocês se beijando. E vocês vão casar. Então ela vai ser minha nova mamãe.
— Lembra que eu disse que ela está dodói? — tentei explicar. — Que ela bateu a cabeça e está confusa? Eu estou só ajudando ela a se curar, e...
Um grito cortou o ar.
Agudo. Feminino. Vindo claramente de um quarto próximo.
Do quarto de Bianca.
Bella e eu congelamos, olhando um para o outro com os olhos arregalados.
— Vai lá, papai! — Bella me empurrou, urgência em sua voz. — O dodói deve estar doendo!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...