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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 547

~ BIANCA ~

A sala de TV da família era pequena e aconchegante, completamente diferente da área comum onde os hóspedes se reuniam. Tinha um sofá grande e afundado coberto com mantas de lã, uma TV antiga mas funcional montada na parede, e prateleiras cheias de DVDs e brinquedos de Bella. Era claramente um espaço privado, íntimo, onde a família Montesi se refugiava quando queria privacidade.

Bella já estava enrolada em um cobertor no sofá quando cheguei, o controle remoto na mão, navegando pelos episódios de Miraculous com a perícia de alguém que tinha assistido a série mil vezes.

— Bia! — ela me chamou animadamente. — Vem, vem! Vou colocar o episódio que eu mais gosto. É aquele que a Ladybug e o Cat Noir ficam presos juntos e eles quase descobrem quem são de verdade mas aí não descobrem porque... bom, não vou contar senão estraga a surpresa!

Ri e me acomodei ao lado dela no sofá, sentindo o estofado macio ceder sob meu peso. Bella imediatamente jogou metade do cobertor sobre minhas pernas e se aninhou contra meu lado, quente e pequena.

— Pronta? — Bella perguntou, já pressionando play sem esperar resposta.

O episódio começou com aquela música tema animada que provavelmente ficaria presa na minha cabeça pelo resto do dia. Bella cantarolava junto, balançando levemente no ritmo.

Tentei prestar atenção na trama — algo sobre um vilão que transformava pessoas em estátuas de cera e os heróis precisavam salvá-las — mas me peguei mais focada em Bella. Na forma como seus olhos brilhavam cada vez que algo emocionante acontecia na tela. Como ela segurava minha mão sem perceber quando uma cena ficava tensa. Como ria com abandono total quando o Cat Noir fazia uma piada boba.

Era impossível não se apaixonar por aquela criança.

Estávamos no meio de uma cena de ação particularmente intensa quando ouvi passos no corredor. Virei a cabeça e vi Nico parado na porta, observando-nos com uma expressão que não consegui decifrar completamente. Surpresa, talvez. Ou algo mais suave. Mais terno.

— Oi — disse, sorrindo para ele. — Pensei que você tinha ido levar os hóspedes para o tour.

Nico entrou na sala, passando a mão pelo cabelo úmido.

— Começou a nevar forte — explicou. — Tivemos que cancelar o passeio de hoje. Não é seguro dirigir aquele caminhão com a estrada assim.

— Ah — disse, genuinamente desapontada. Tinha gostado do tour de ontem. — Que pena.

— Já coloquei lenha na lareira do salão principal e do refeitório — continuou ele, apoiando-se no batente da porta. — Os hóspedes estão todos bem acomodados. E agora... vim conferir se estava tudo certo aqui.

Bella pausou o episódio imediatamente e se virou para o pai com aqueles olhos grandes e suplicantes que provavelmente funcionavam noventa por cento das vezes.

— Papai, você pode ficar? — perguntou, sua voz saindo naquele tom meloso que crianças usam quando querem algo muito. — Por favor? É muito mais legal assistir com você também!

Vi Nico verificar o relógio, claramente calculando quantos afazeres ainda tinha pendentes.

— Talvez um pouquinho — concordou finalmente.

Bella comemorou com um gritinho de alegria.

Nico caminhou até a sala e se acomodou em um sofá menor, afastado, próximo à janela. Cruzou os braços e se recostou, claramente preparado para assistir de longe.

— Papai! — Bella protestou imediatamente. — Vem sentar aqui com a gente. Está frio e você está longe demais!

— Estou bem aqui, pequena.

— Mas está frio! — insistiu Bella, já se levantando e pegando a ponta do cobertor. — E tem espaço de sobra. Vem!

Nico suspirou, mas havia um sorriso brincando em seus lábios. Levantou-se do sofá menor e veio se sentar no nosso, do outro lado de Bella, que ficou no meio entre nós dois como havia planejado.

— Pronto, feliz? — perguntou ele, bagunçando os cachos da filha com carinho.

— Quase — respondeu Bella, e então pegou o cobertor grande e o jogou sobre as pernas do pai também, cobrindo os três. — Agora sim!

Bella riu de algo na tela, e Nico riu junto, e eu me peguei rindo também sem nem saber exatamente do quê. Apenas rindo porque eles estavam rindo, porque havia algo contagiante naquela alegria pura.

O braço de Nico se moveu levemente, e senti seus dedos roçarem meu ombro. Não foi acidental. Foi deliberado, proposital, uma carícia suave que durou apenas um segundo antes de parar.

Virei levemente a cabeça e encontrei seu olhar novamente. Ele me encarou diretamente, e havia calor naqueles olhos verdes. Não apenas desejo físico, embora aquilo certamente estivesse lá. Mas algo mais. Algo mais profundo e assustador.

Sorri. Um sorriso pequeno, privado, só para ele.

Ele sorriu de volta, e meu coração deu aquele pulinho idiota no peito.

— Vocês estão prestando atenção? — Bella perguntou de repente, fazendo nós dois sobressaltarmos levemente.

— Claro que estamos — Nico respondeu rapidamente, voltando sua atenção para a TV com dedicação exagerada.

— Uhum — concordei, também focando na tela mesmo sem processar nada do que estava acontecendo.

Bella nos olhou com aquela desconfiança sagaz que crianças às vezes têm, como se soubesse exatamente que estávamos mentindo. Mas não disse nada. Apenas voltou sua atenção para o desenho.

O episódio continuou. A neve continuou caindo lá fora. Os dedos de Nico voltaram a roçar meu ombro. Desta vez permaneceram ali, um toque leve mas constante que fez minha pele formigar.

Deixei minha cabeça cair levemente para o lado, descansando mais perto dele, dando-lhe permissão silenciosa para continuar.

E ele continuou. Seus dedos traçaram pequenos círculos no tecido do meu suéter, tão sutis que talvez eu nem devesse sentir.

Mas eu sentia. Céus, como eu sentia.

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