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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 548

~ NICOLÒ ~

Assim que o episódio de Miraculous terminou, Bella protestou querendo assistir mais um. Mas eu sabia que se deixasse, ela assistiria a série inteira sem parar. Então fui firme, disse que era hora de fazer o dever de casa, e que amanhã poderia assistir mais.

Bella fez beicinho, mas obedeceu. Bianca a ajudou a dobrar o cobertor e arrumar as almofadas do sofá, e as duas conversavam animadamente sobre qual episódio assistiriam no dia seguinte.

Saí da sala sentindo um calor estranho no peito. Era uma cena tão... doméstica. Tão natural. Como se Bianca realmente fizesse parte da nossa família.

E isso deveria me assustar muito mais do que estava assustando.

Tinha trabalho a fazer. Sempre tinha trabalho a fazer. A pousada não se administrava sozinha, e havia mil pequenas coisas esperando minha atenção: verificar se a caldeira estava funcionando direito com todo esse frio, conferir o estoque da despensa, organizar a escala de limpeza dos quartos para o dia seguinte...

Segui pelo corredor em direção à cozinha, ouvindo o som familiar de panelas e o cheiro reconfortante de algo assando no forno.

Mas quem encontrei não foi minha mãe.

Paola estava junto à bancada, organizando pães em cestas para o jantar dos hóspedes. Ela levantou os olhos quando entrei e algo em sua expressão me fez parar.

— Não acredito, Nico — disse ela sem preâmbulo, sua voz baixa mas carregada de desaprovação.

— O quê?

— Não acredito que você deu o anel da sua mãe para ela.

Claro. Claro que Paola tinha visto. Nada escapava dela.

— Não tive escolha — respondi, mantendo minha voz igualmente baixa. — Preciso seguir fingindo. O médico foi claro: não posso contrariá-la ou criar situações de estresse.

Paola soltou uma risada seca, sem humor.

— Parece que você gosta desse fingimento.

— Do que você está falando?

— Vi vocês dois saindo da adega mais cedo — disse ela, largando o pão que segurava e cruzando os braços. — Vocês ficaram lá dentro por um bom tempo. E quando saíram... bem, a forma como ela olhava para você, como você olhava para ela...

Ela fez uma pausa, me encarando diretamente.

— Você transou com ela?

Se as circunstâncias fossem diferentes, se ela não estivesse sem memória, se não houvesse toda essa confusão e mentira entre nós...

Mas havia. E eu não podia esquecer isso.

O problema era que não era apenas Bianca que estava presa em uma fantasia. Era eu também começando a me prender. Começando a acreditar, mesmo sabendo que era tudo falso.

E isso era perigoso. Mais perigoso do que qualquer processo que ela pudesse mover contra nós.

Nunca fui do tipo que acreditou em paixões avassaladoras. Em amor à primeira vista. Nem com Renata tinha sido assim. Tinha sido gradual, construído ao longo de meses de amizade que evoluiu para algo mais.

Mas com Bianca...

Com Bianca era diferente. Intenso de uma forma que eu não conseguia explicar. Como se ela tivesse se infiltrado em cada canto da minha vida, da minha mente, do meu...

— Nico — a voz de Martina cortou meus pensamentos.

Virei-me bruscamente e vi minha mãe parada na entrada da cozinha, ainda usando o avental coberto de farinha. Sua expressão era séria, preocupada.

— Tem uma ligação para Bianca Ricci na recepção — disse ela. — Christian.

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