~ MIA ~
Dante assumiu o volante, é claro. Não sem antes ter uma discussão de dois minutos completos com a mulher sobre "responsabilidade" e "experiência" e outras desculpas masculinas ridículas. Ela cedeu com um revirar de olhos tão dramático que quase foi engraçado, mas deixou muito claro que ela quem daria as instruções e ele é quem seguiria sem questionar.
O que deixou o banco da frente para ela, e me relegou ao banco de trás como se eu fosse uma criança sendo levada para a escola.
Estávamos dirigindo há uns cinco minutos, a neve ainda caindo mas definitivamente menos intensa do que tinha sido durante nossa viagem para cá, quando decidi que precisava de respostas.
— Escuta, er... — comecei, percebendo que nem sabia o nome dela. Como tinha deixado passar isso? — Como é mesmo seu nome?
— Paola — respondeu ela sem tirar os olhos da estrada, apontando para Dante virar à esquerda em um cruzamento que eu nem tinha visto através da neve.
— Certo. Escuta, Paola — continuei, me inclinando para frente entre os dois bancos dianteiros. — Você quer me dizer exatamente o que a Bianca e esse tal de Nico estão fazendo lá fora nessa nevasca?
Paola me lançou um olhar rápido pelo retrovisor mas não respondeu imediatamente.
— Sinceramente — insisti — eu conheço minha prima bem o suficiente para saber que ela não é do tipo que arriscaria a vida para passar uma noite romântica com um cara que ela mal conhece. Se é que tem algo de romântico nisso.
Vi Paola suspirar pesadamente, seus ombros caindo levemente como se carregasse um peso enorme.
— Nada de romântico — disse ela finalmente. — Sua prima só está meio... louca.
Dante soltou uma risada curta, seus olhos ainda focados na estrada branca à frente.
— Louca? — repetiu ele com diversão óbvia na voz. — Bianca é perfeitamente controlada demais para ser louca. Ela faz listas de suas listas. Planeja seus planos. É tipo um robô de eficiência.
— Ah, não — disse Paola rapidamente, balançando a cabeça. — Eu não digo figurativamente. Digo literalmente. Na verdade, o termo médico é amnésia dissociativa pós-traumática.
O carro ficou completamente silencioso por um momento. Até a respiração de Dante pareceu pausar.
— O quê? — consegui dizer finalmente.
— Bianca sofreu uma queda — explicou Paola, sua voz ficando mais profissional agora, como se estivesse relatando fatos clínicos. — Das escadas da pousada. Bateu a cabeça. Desde então, vem sofrendo perda de memória significativa.
Dante desviou os olhos da estrada por uma fração de segundo para encará-la diretamente.
— Como exatamente ela caiu das escadas? — perguntou, e havia algo afiado em seu tom agora. — Vocês não deveriam ser responsáveis por isso? Manutenção adequada, avisos de perigo, essas coisas.
Vi Paola se encolher levemente no banco, sua postura ficando defensiva.
— Estamos fazendo o que podemos — disse ela, e havia uma nota de culpa em sua voz. — Foi um acidente. A neve, o gelo... aconteceu rápido. E estamos cuidando dela desde então, tentando ajudá-la a se recuperar.
Ela fez uma pausa, olhando pela janela para a paisagem branca.
— É por isso que o Nico saiu com ela de madrugada, em meio a essa nevasca toda — continuou. — Para levá-la ao hospital. Ela estava com dores intensas, precisava de atendimento médico. Ele não ia deixá-la sofrer só porque o tempo estava ruim.
— Tá — disse eu, ainda tentando processar tudo aquilo. — Mas isso não explica por que os dois estão tendo um... caso. Bianca não é dessas. Não faz sentido. Ela é metódica. Cuidadosa. A última pessoa com quem ela saiu foi...
Dante soltou uma gargalhada. Alta, genuína, completamente inapropriada para a situação.
— Isso eu gostaria de ver — disse ele entre risadas. — Bianca "Eu-tenho-um-plano-de-cinco-anos" convencida de que está noiva de um cara que provavelmente conheceu há o quê? Três dias?
— Dois — corrigiu Paola secamente. — E você vai ver. Aquele ali parece o carro do Nico.
Olhei para frente e vi o que ela estava apontando. Um carro escuro estava parado no meio da estrada, quase completamente coberto de neve.
Dante desacelerou e estacionou atrás dele, todos nós saindo do carro quase ao mesmo tempo.
O frio me atingiu como uma bofetada física. Puxei meu casaco mais apertado ao redor do corpo e caminhei em direção ao carro.
Paola já estava lá, limpando a neve do para-brisa com as mãos enluvadas, olhando para dentro.
— Está vazio — anunciou, sua voz carregando preocupação real agora.
— Nico! — gritou ela, sua voz sendo parcialmente engolida pelo vento. — Bianca!
Nada. Apenas o som do vento e da neve.
Paola se virou para nós, seus olhos varrendo a área ao redor.
— Tem uma cabana perto daqui — disse ela, já começando a caminhar, seguindo algum caminho que apenas ela conseguia ver através da neve. — Se eles foram espertos, podem ter passado a noite lá. Vamos checar!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Acabou foi? Não entendi nada.....
Primeira vez que leio um livro do início ao fim, na qual flutuei imaginando até os cenários. Vou sentir saudades 🥺...
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...