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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 559

~ BIANCA ~

— Você é sim — as palavras saíram automáticas, desesperadas. — Para com isso, Nico. Não é engraçado.

Mas mesmo enquanto dizia aquilo, mesmo enquanto as palavras deixavam meus lábios, elas não pareciam reais. Não pareciam verdadeiras. Havia algo fundamentalmente errado nelas, como quando você tenta encaixar uma peça no lugar errado de um quebra-cabeça e sabe que não está certo mas força mesmo assim.

Porque de repente, quando tentei buscar pela prova, quando tentei procurar em minhas memórias por evidências do nosso relacionamento, do nosso noivado, de qualquer coisa que confirmasse o que eu acreditava ser verdade sobre nós, vi algo diferente. Vi um rosto que não era o de Nico. Um homem com cabelos mais escuros, olhos diferentes, sorriso diferente. Ele estava dizendo algo que eu não conseguia ouvir mas que fazia meu peito apertar com uma dor antiga e familiar, uma dor que eu reconhecia mesmo sem entender completamente de onde vinha.

E então outra imagem se sobrepôs: o teste de gravidez na minha mão, as duas linhas rosa brilhando sob a luz do banheiro. Eu estava sorrindo, mostrando para alguém ao meu lado.

E depois veio outra sensação, esmagadora e sufocante: a decisão de nunca mais me envolver com ninguém. De construir paredes tão altas ao redor do meu coração que ninguém conseguiria escalá-las. De decidir que trabalho era mais seguro, mais confiável, mais digno de investimento do que pessoas. E Nico não estava lá. Não estava em nenhuma dessas memórias. Não estava em lugar nenhum da minha vida.

A dor explodiu na minha cabeça como uma bomba detonando, aguda e violenta, fazendo minha visão embaçar nas bordas.

— Não pode ser — murmurei, levando as mãos à cabeça, pressionando as têmporas com tanta força que sabia que ia deixar marcas. — Não pode ser, não pode ser...

— Bianca — a voz de Nico soou próxima demais, urgente demais. — Deixa eu explicar...

Mas ele não conseguia. Podia ouvi-lo lutando com as palavras, tropeçando nelas como se cada uma pesasse toneladas e ele não tivesse força para carregá-las todas de uma vez.

— Você inventou isso — disse ele finalmente, e havia tanta angústia em sua voz que quase doía ouvi-la. — Seu cérebro inventou para cobrir lacunas na memória, para criar uma narrativa que fizesse sentido quando nada mais fazia. E eu... Deus, Bianca, eu quis ajudar. Quis fazer o melhor para você. O médico disse para não contrariá-la, disse que poderia ser perigoso estressar você, que eu tinha que deixar sua memória voltar naturalmente, no tempo dela

Mas eu estava cada vez mais confusa, cada vez mais perdida em um mar de pensamentos contraditórios. Meus olhos vagavam pela cabana sem realmente ver nada. A lareira com suas chamas dançantes. As paredes de pedra antiga e fria. O tapete onde tínhamos estado deitados apenas momentos atrás, nossos corpos entrelaçados, respirações misturadas. Tudo parecia irreal agora, como se tivesse acontecido em um sonho ou em uma vida completamente diferente.

Procurava desesperadamente por qualquer prova em minha mente de que aquilo que ele estava dizendo era mentira. Uma brincadeira cruel e de mau gosto. Um teste para ver como eu reagiria. Qualquer coisa que não fosse a verdade horrível que ele estava tentando me dizer.

Mas então outra imagem veio, clara e vívida e impossível de ignorar. Era Nico novamente, mas não o Nico me beijando ou me segurando ou sussurrando palavras doces no meu ouvido. Era Nico com os lábios se abrindo em alarme, seus olhos verdes arregalados de horror, gritando uma única palavra que ecoou através da minha memória como um trovão: Cuidado!

E então senti novamente: meu pé escorregando no gelo invisível que cobria os degraus da entrada. A sensação horrível de perder o equilíbrio, de não ter nada sólido para agarrar, de saber que estava caindo e não poder fazer nada para impedir. Os degraus de pedra vindo em minha direção enquanto eu caía, caía, caía em uma eternidade condensada em segundos. A dor explodindo na minha cabeça quando ela bateu em algo duro e implacável. E então a escuridão me engolindo inteira.

— Não — sussurrei, recuando quando Nico tentou se aproximar novamente, minhas costas encontrando a parede fria de pedra atrás de mim. — Não é verdade...

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