~ BIANCA ~
O mundo inteiro desapareceu. Os hóspedes jantando. O pôr do sol. O vento nas árvores. Tudo sumiu exceto os olhos verdes de Nico me encarando, seus braços ainda ao redor da minha cintura, nossos rostos tão próximos que podia sentir a respiração dele.
Ele se inclinou levemente. Apenas um centímetro. Dois.
Eu me inclinei também, meus olhos começando a fechar, meu coração batendo tão forte que tinha certeza de que ele podia ouvir.
— Tia Bia! Tia Bia!
A vozinha aguda cortou o momento como uma faca.
Nos afastamos bruscamente, colocando distância respeitável entre nossos corpos justo quando Bella apareceu correndo, seu vestido rosa voando atrás dela.
— Me empurra no balanço! — pediu ela, parando na nossa frente com aquele sorriso enorme que iluminava o rosto inteiro. — Por favor!
Olhei para Nico, que parecia dividido entre diversão e frustração.
Abri um sorriso largo para Bella.
— Claro, meu amor — disse, pegando a mãozinha dela. — E vamos tirar um monte de fotos suas também!
— Mas o papai não me deixa ter redes sociais — reclamou Bella, fazendo biquinho enquanto caminhávamos até o balanço sob o carvalho.
— É porque redes sociais não são coisas para crianças — expliquei, ajudando ela a se sentar no balanço e garantindo que estava segura. — Mas sabe onde a gente vai postar suas fotos? Na rede social da Tenuta Montesi. Você vai ser nossa menina propaganda!
— EBAAAA! — gritou Bella, balançando as perninhas animada. — Vou estar na internet?
— Vai — confirmei, começando a empurrá-la gentilmente. — Todo mundo vai ver como você é linda e como este lugar é especial.
Bella ria cada vez que o balanço subia, pedindo para ir mais alto, sempre mais alto. Tirei o celular e comecei a fotografar. Ela contra o céu colorido do pôr do sol. Ela sorrindo com os olhos fechados sentindo o vento. Ela acenando para a câmera.
Olhei para trás em certo momento e vi Nico nos observando. Estava apoiado na estrutura de uma das mesas, os braços cruzados, mas havia algo suave em sua expressão. Algo terno. Como se estivesse guardando aquela imagem na memória.
Nossos olhos se encontraram. Ele sorriu. Eu sorri de volta.
E por um momento, tudo pareceu perfeito.
Os dias que se seguiram foram um tanto caóticos.
Voltei para Florença na segunda-feira de manhã, direto para meu escritório na Bellucci, e mergulhei de cabeça no trabalho de COO que não exigia pouco. Reuniões. Relatórios. Decisões sobre distribuição, marketing, novos contratos. O tipo de coisa que normalmente me energizava mas que agora apenas me deixava exausta.
Estava cansada porque mal tinha descansado no fim de semana. E durante meus intervalos entre reuniões, em vez de relaxar, ficava editando as fotos da Tenuta Montesi no celular. Ajustando brilho. Melhorando contraste. Escrevendo legendas em italiano e inglês. Agendando posts para o I*******m que tinha assumido completamente.
Mia riu, mas não foi uma risada alegre.
— É claro que não vão — concordou. — Mas como eu disse, é mais sobre como as pessoas podem usar essa informação. Criar narrativas. Fofocas corporativas. Além do mais, Bia, se seu nome vazar para a imprensa ou para os círculos certos...
Ela fez uma pausa significativa.
— Christian não vai ser o único a ficar furioso. Imagina seu eremita das montanhas descobrindo as coisas pela imprensa. Que você é uma Bellucci. Que sua família queria comprar a propriedade dele. Que você foi para lá inicialmente como espiã corporativa.
Senti meu estômago revirar, e não tinha nada a ver com a comida tailandesa.
— Isso não vai acontecer — disse, mas minha voz não soou tão convincente quanto queria.
— Então toma cuidado com o casal de influenciadores que a Zoey vai mandar — avisou Mia, voltando a comer. — Se eles vão como um favor para uma Bellucci, talvez possam acabar falando demais. Mencionando de onde veio a indicação. Essas coisas vazam, Bianca. Sempre vazam.
Fiquei pensativa, mexendo na comida sem realmente comer mais.
Sabia que Mia tinha razão. Sabia que a melhor coisa a fazer era abrir o jogo. Contar tudo para Christian antes que descobrisse por outros meios. Contar tudo para Nico antes que fosse tarde demais.
Mas nem sempre o caminho certo era o mais fácil.
— Eu tenho um plano — murmurei, mais para mim mesma do que para Mia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Primeira vez que leio um livro do início ao fim, na qual flutuei imaginando até os cenários. Vou sentir saudades 🥺...
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...