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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 598

~ BIANCA ~

Olhei em volta rapidamente. A recepção estava vazia. Paola tinha ido para algum lugar. Martina estava na cozinha com Bella. Nenhum hóspede à vista.

Baixei a voz mesmo assim.

— Christian, este não é o melhor momento — disse, me afastando para o canto mais distante da recepção.

— Não consigo falar no seu celular — respondeu ele, sua voz cortante — então este vai ser o momento sim. Preciso entender o que diabos passou pela sua cabeça.

Esticar o fio do telefone fixo até onde consegui, olhando pela janela. Nico estava parado lá embaixo ainda, conversando com um casal de hóspedes que aparentemente tinha alguma dúvida sobre passeios na região. Gesticulava com as mãos, sorrindo educadamente.

— Eu sei que fiz besteira — comecei, passando a mão livre pelo rosto.

— Besteira? — repetiu Christian, e consegui imaginar perfeitamente a expressão no rosto dele. — O que aconteceu com simplesmente pagar a dívida dele? Era quarenta e dois mil euros. Você tem isso em conta corrente. Poderia ter resolvido com uma transferência simples.

— Não foi uma opção — expliquei, tentando manter minha voz baixa mas firme. — A dívida já estava em um pacote de cessão. O banco não ia aceitar pagamento isolado. Era tudo ou nada.

— Então você achou — disse Christian, cada palavra saindo lenta, controlada, perigosamente calma — que a opção seria usar uma holding da Bellucci para comprar um pacote de dívidas podres por mais de dois milhões de euros?

Silêncio pesado do outro lado enquanto ele respirava fundo, claramente tentando se controlar.

— Eu disse que não ia me meter nos seus assuntos pessoais, Bianca — continuou ele, sua voz ficando mais dura agora. — Disse que você tinha direito a seus próprios investimentos, suas próprias decisões. Mas isso deixou de ser pessoal no momento em que você usou estrutura corporativa da Bellucci. No momento em que nossa empresa aparece em documentos oficiais comprando créditos problemáticos.

— Eu vou pagar — disse rapidamente. — Vou colocar esse dinheiro de volta em caixa. Já estou organizando a transferência dos meus recursos pessoais. Só precisei usar a holding porque o Nico vai ser notificado que a dívida dele foi vendida. Meu nome não podia constar nos documentos. Você sabe disso. Se aparecesse "Bianca Bellucci" ele ia descobrir tudo.

— Você parou para pensar — disse Christian, sua voz ficando ainda mais fria — que qualquer um dos donos dessas dívidas que for investigar um pouquinho vai chegar no nome Bellucci? Que vai ver que uma empresa do grupo comprou o pacote?

Não respondi. Porque não tinha parado para pensar nisso. Não realmente. Estava tão focada em salvar Nico, em resolver o problema imediato, que não tinha considerado as implicações maiores.

— Você parou para pensar — continuou ele, implacável — que a imprensa econômica pode nos associar a aquisições hostis? Que podem especular que estamos entrando no mercado de recuperação de crédito? Que isso pode afetar nossa reputação como empresa familiar tradicional de vinhos?

Fez uma pausa, e ouvi o som de papéis sendo folheados.

— Você sequer parou para analisar de que ramo se tratavam essas outras dívidas no pacote? — perguntou. — Porque eu acabei de receber o relatório completo aqui. Tem de tudo. Pequeno varejo que faliu. Fazendas que não conseguiram pagar equipamentos. Uma pizzaria. Duas lojas de roupas. Um salão de beleza.

Sua voz ficou ainda mais tensa.

— E uma empresa de transporte que está sendo investigada por sonegação fiscal. Parabéns, Bianca. Agora a Bellucci está associada a um devedor sob investigação criminal.

Senti meu estômago afundar.

Virei-me tão rápido que quase derrubei o telefone.

Nico estava parado na porta da recepção, as mãos nos bolsos, expressão preocupada.

Quanto tempo estava ali? Quanto tinha ouvido?

Forcei um sorriso que sabia que não alcançava meus olhos.

— Familiares — disse, colocando o telefone de volta no gancho com mais cuidado do que necessário. — Irmãos. Quando não temos problemas com eles, não é? Irmãos, ex-esposas...

Vi Nico se tensionar imediatamente.

— Sobre isso — começou ele, tirando as mãos dos bolsos, dando um passo em minha direção — eu só estava na gelateria com a Renata porque ela solicitou visitação formal com a Bella. Um oficial de justiça entregou os papéis e tudo. Não tive escolha. Não foi... não era o que parecia.

— Você não me deve explicações — disse, mantendo minha voz neutra mesmo que por dentro estivesse longe de me sentir assim. — Somos só amigos, lembra?

— Bianca, sobre isso...

— Estou cansada — cortei, já me movendo em direção às escadas. — Vou subir um pouco. Te vejo mais tarde.

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